sábado, 6 de julho de 2013

A 29 de junho ACO escreveu ...


RIO ACIMA,SEM MOTOR

Foi naturalmente enorme a emoção com que recebi a notícia da inscrição da Universidade, Alta e Sofia como Património da Humanidade. Indizíveis a alegria, a felicidade, o orgulho, sentimentos envoltos, confesso, por algum alívio. E tudo, afinal, pela coisa mais comezinha deste mundo: o reconhecimento (como muito bem dizia aquele cidadão de Granada, "achava que já era") do valor, imenso, que a nossa cidade encerra em todos os domínios, com certeza também em termos de património, material e imaterial. Saibamos agora nós, Portugal inteiro, bem aproveitar a simples existência de Coimbra.

Sendo certo que a classificação, em si mesma, pouco resolve mas muito nos responsabiliza, este é, seguramente, um momento de altíssima importância coletiva para Coimbra. Não tanto por o ser, sobretudo pelo que seria se não o fosse. E que levou a um coro, infindável, de júbilo e congratulação, da Presidência da República ao ministério dos Negócios Estrangeiros e à secretaria de Estado da Cultura, do governo à oposição, do país inteiro às forças locais. De quem esperamos, para além de palavras sempre saborosas e incentivadoras, ações concretas que celebrem, essas sim, a distinção. E de que me permito, desde já, destacar, relembrando-a – deste jeito ainda mais inadiável – a criação, em Coimbra (não o pode ser em mais nenhum outro lugar) não de um ... mas do Museu da Língua Portuguesa.

Entretanto, e ainda a propósito da reunião no Camboja, uma cópia coeva do diário de viagem de Vasco da Gama passou a integrar a Memória do Mundo da UNESCO, decisão que terá enchido de soberba a Biblioteca Municipal do Porto, depositária daquele tesouro bibliográfico. Que foi, digamos apenas assim, retirado, – não o esqueçamos nunca – do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, pela mão, de tal jeito "amiga", de Alexandre Herculano.

Com uma ponta de justificada vaidade, José Miguel Júdice apresentou, na sua – assim tornada também nossa – Quinta das Lágrimas, o 5º Festival das Artes que, desta feita, sob o tema " Natureza", vai decorrer em Coimbra de 16 a 23 de julho. Com um programa naturalmente mais curto (o primado da qualidade em detrimento da quantidade), são muitos os momentos culturalmente relevantes, designadamente, apenas alguns exemplos, as participações da Orquestra Gulbenkian e da Companhia Nacional de Bailado, a leitura encenada José Reis e o recital de piano de António Rosado. Enfim, tome o prático harmónio elaborado e, de entre a vasta oferta prevista, selecione as ações mais desafiantes. Depois, com certeza feliz por viver em Coimbra, deleite-se participando num festival que temos de continuar a merecer.

Regionalista como me afirmo, procuro sê-lo de forma tão esclarecida quanto possível. Entendo, por isso, que as direções dos vários serviços devem estar reunidas na sua capital regional, repartindo-se estruturas descentralizadas pelas principais urbes e pólos, de acordo com o princípio da subsidiariedade. Se o governo não pode ter, naturalmente, ministérios e secretarias de Estado distribuídas pelo país inteiro, também as regiões, para ganharem indispensável coordenação, não podem ver disseminados pelo território os seus centros de decisão. Tudo o que for para além disto é demagogia barata, porventura bairrismo. Ou, então, opção por formas de centralismo, tão queridas de uns quantos para manterem níveis de poder administrativo que devem estar, antes, próximos do cidadão. Dito isto, está encontrada, meu ver, a localização da sede da Entidade Regional de Turismo Centro de Portugal.

Absolutamente justa a – aliás muito participada – homenagem da Liga de Amigos do Museu Nacional de Machado de Castro a Adília Alarcão, anterior diretora e grande mentora, nas últimas décadas, daquela magnífica instituição cultural; também muito merecido o tributo prestado a Emília Cabral Martins, diretora da Orquestra Clássica do Centro e “alma mater” de um projeto que não raro me questiono como ainda sobrevive, e que se deve, essencialmente, ao seu persistente empenhamento; a Universidade voltou a alcançar, muito bem, as mais altas classificações – 4 e 5 estrelas – no QS Stars University Ratings; e a PSP chamou o Centro de Inativação de Engenhos Explosivos, o CIEE, localizado em Leiria, que se deslocou à Fernando Namora para levantar, imagine-se, uma simples munição de fogo antiaéreo – isso mesmo, um banalíssimo projétil ­, assim gastando o dinheiro que não temos, enquanto (afinal o ridículo já não mata), se chegava a fechar ao trânsito, como perímetro de segurança, uma das vias daquela avenida...
 
António Cabral de Oliveira

A 22 de junho ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR
Primeiro, foi atual Reitor a escrever que "independentemente da decisão final da UNESCO, esta candidatura já valeu a pena"; depois, o anterior Magnífico a reiterar que "se a candidatura não for aprovada "será uma grande desilusão", apesar a certeza de que "todo o processo valeu a pena, independentemente do seu desfecho"; agora, o vereador Paulo Leitão a sustentar que "existe a possibilidade do reconhecimento acontecer só no próximo ano". Quando alguns receiam o esquecimento de posições fundadoras na memória coletiva, estão aqueles a augurar o quê? Ou, apenas, precavidos, a tentar justificar, antecipadamente, insuficiências de empenho e trabalho no processo de candidatura a Património da Humanidade da Universidade, Alta e Sofia? Valha-nos, continuamos convencidos, o "valor do bem".
Empreendedorismo enquanto unidade curricular aberta a todas as faculdades da Universidade de Coimbra, empreendedorismo na Escola de Hotelaria, empreendedorismo na Escola Superior Agrária, empreendedorismo em Saúde, tertúlia de empreendedorismo na Praxis, enfim, uma bolha, imensa, de empreendedorismo a erguer-se, qual panaceia, por toda a parte. Um cansaço tornado moda que, esperamos, traga, pelo menos, algum resultado positivo em região com tão poucos empresários mas, pelos vistos, com muito, muito empreendedorismo.
Parece que Montemor-o-Velho gostaria de ter tido, para além da Eurosport (que belas imagens as transmitidas, gratuitas mas não universais, pela rede europeia), uma televisão nacional, de sinal aberto, a fazer, o que me parece óbvio, a cobertura em direto do Campeonato de Europa em Canoagem, que ali reuniu 700 atletas de uma trintena países. Mas, ironizemos, será que estas gentes – devem pensar os altos responsáveis centrais – não se enxergam e julgam que a vila do Baixo Mondego é Lisboa ou um qualquer subúrbio da capital?! Francamente...
À designação de II Mostra de Teatro Universitário, promovida pelo Gil Vicente, só faltará, mesmo, acrescentar o Local, já que, exceção feita ao Noite Bohemia, oriundo da Corunha, todos os quatro restantes grupos são de Coimbra. Mas não se leia qualquer propósito crítico nesta nota. Apenas quero significar que, lembrando realizações anteriores, urgem novos e maiores esforços – entretanto já prometidos – para tornar mais forte uma iniciativa que, vivamente, se saúda.
A Estradas de Portugal, dando o dito por não dito, considera que a construção de um nó rodoviário de ligação da variante Sul do IC2 ao planalto de Santa Clara, designadamente para melhorar o acesso ao IKEA que ali se quer instalar – e aliás previsto no projeto –­ seria agora prescindível devido à atual redução do trânsito automóvel. Sabendo nós os enormes fluxos de tráfego provocados por aquelas lojas, também o crescimento que se estima para o espaço urbano, só nos apetece rogar: Deus ajude, no Céu, tais luminárias da EP, porque na Terra, pelo menos nesta terra, cansados de tantas iniquidades, receio já não lhes podermos valer...
A edilidade (que pena as ausências da vereadora da cultura e de António Vilhena) aprovou, justíssima, a atribuição da medalha de mérito cultural à Orquestra Clássica do Centro; marchas populares e Noite Branca – parabéns a quem persiste – levaram uma multidão à Baixa; muito simpática (deliciosas aquelas minis sandes de leitão) a I Mostra de Gastronomia "Sabores do Mercado", com que se procura dinamizar o D. Pedro V; Coimbra promoveu – pode ser que agora, quando os dinheiros não abundam, se encontre outra utilidade nas geminações que não apenas as inerentes às agências de viagens – um encontro com as mais das suas muitas cidades irmãs; e a Câmara Municipal, hoje estes, amanhã aqueles, promove, em vésperas de autárquicas, folguemos pois, grande festança na cidade.

António Cabral de Oliveira

A 15 de junho ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR

 Diz a sabedoria popular que não há duas sem três. Assim, a somar às mais recentes derrotas da cidade – ambas, com certeza, injustas, mas muito penalizantes para o nosso orgulho coimbrão – quero acrescentar, conto também, com a perda, em 2012, para Guimarães, da Capital Europeia da Cultura, a que, depois de Lisboa e Porto, almejávamos naturalmente. E tudo isto para, finalmente livres da malapata, podermos, de hoje a oito dias, então em termos de Património Mundial, ser felizes...
O Magnífico Reitor, na sua óbvia propensão para contas, classificava os Jogos Europeus Universitários 2016, se se realizassem em Coimbra, como oportunidade excelente para a requalificação do belíssimo estádio em Santa Clara. Uma empresa que, agora, mais do que nunca, apesar das circunstâncias, nos deve motivar especialmente, para, de uma vez por todas, embora por fases, acabarmos com aquela decrepitude que nos envergonha. Com o apoio da cidade, é evidente, mas também do governo, que não se pode quedar pelas bonitas palavras proferidas, a propósito daquela candidatura, pelo secretário de Estado da Juventude Desporto (a ver vamos do que é capaz Emídio Guerreiro, tão próximo de Coimbra), mas, sobretudo, e inadiavelmente, sob a alçada e iniciativa da Universidade.
O desassoreamento do Mondego, do açude-ponte à Portela, está, ninguém duvida, depois de muitos anos de projetos, mais do que estudado. Não se entende, por isso, de todo, tantas águas passadas sob as pontes, que não haja – neste tempo de pouca ou nenhuma construção civil que torne aliciante o (outrora famoso) negócio das areias – plano alternativo para a eventualidade do concurso ficar vazio. Vazio, por um lado, de concorrentes, por outro, de capacidade gestionária. Enfim, constrangimentos de um rio que, numa saborosa (e parcialmente ultrapassada) antiga definição de Fernandes Martins, ao contrário dos outros que têm margens de areia e leito de água, tem, o nosso, leito de areia e margens de água...
Confinado ao espaço que diariamente frequento nas minhas caminhadas, depois de algumas experiências menos significativas, foi agora a vez de um outro prédio, o n. 68 da Carolina Michaelis, ver adotado, muito mais gritante, um arranjo minimalista na recuperação da respetiva fachada, trabalho com certeza mais barato para os seus proprietários, mas em absoluto descaracterizador da urbanização em que se insere. Não acreditando que a Câmara Municipal tenha autorizado tal agressão, receio não poder (ou será que afinal posso?) instalar na minha varanda uma chaminé extratora de fumos que viabilize a possibilidade de poder tabaquear, na sala que me é mais confortável, sempre prazeroso charuto.
Com ou sem cinco milhões de euros a caminho da baixa de Coimbra, a verdade é que nenhum projeto foi anunciado para reabilitação urbana na cidade durante a cerimónia que, com participação governamental, decorreu, curiosamente, na CCDRC, aqui sediada. Significativo. Pelo menos para mim...
Na sua incessante luta em defesa do arroz do Baixo Mondego, Carlos Laranjeira – e a sua associação de agricultores – promoveu a realização de um jantar, na Escola de Hotelaria de Coimbra, onde foi servido, não podia deixar de ser, o nosso excelente carolino. Um combate, que acompanho há tantos anos, em defesa de um valor económico, naturalmente, também cultural, obviamente.
Ardeu – leio e quase não acredito que até o sistema de deteção de incêndios esteja centralizado na capital, enquanto me pergunto se um dia destes não acionarão os bombeiros de Lisboa, talvez os do Porto que sempre estão um pouco mais perto – o Pingo Doce da Baixa; o IPO demarcou-se, semanas (ou meses?) depois, de uma campanha de angariação de donativos que tem andado por aí, à vista de (afinal) quase toda a gente; com utilização de madeiras das obras do convento de S. Francisco – que, afinal, apesar dos seus detratores, já serviu, brinquemos, para qualquer coisa – ficou concluída, a tempo da época balnear, a reconstrução da ponte pedonal Palheiros/Zorro; e houve absolvições e penas suspensas – o normal no nosso país – no julgamento dos CTT...

António Cabral de Oliveira

A 8 de junho ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR
Apesar da vitória moral com que sempre nos queremos consolar, Coimbra perdeu para Zagreb (já agora, senhor presidente, e a propósito, a "cidadezinha" que referia ter jogado naquele campeonato era a nossa?) a realização dos Jogos Europeus Universitários 2016. Pode ser que o amargo da derrota – foi disso que efetivamente se tratou, com efeitos negativíssimos para todos – nos ajude, coletivamente, a nível nacional, a arrepiar caminhos. Fala-se de geopolítica. Acredito que sim. O problema não terá sido tanto o da qualidade da nossa candidatura. É, com certeza, muito mais, o do estado a que deixámos chegar este país.
 
Como resposta aos objetivos da estratégia nacional entretanto traçada, a Universidade do Porto aposta no seu Pólo do Mar, em construção entre Leça da Palmeira e Leixões, através de núcleos de biotecnologia e engenharias, que alocará mais de 500 investigadores. Da Universidade de Coimbra – que acolhe o IMAR e o CEF, dois centros de investigação de reconhecida qualidade –, da sua aposta em tão determinante setor, designadamente através de extensão, naturalíssima, à Figueira da Foz, não há qualquer notícia. Isto enquanto, a propósito dos peixes e mariscos ultracongelados à venda nas nossas grandes superfícies, vindos de todo o mundo, mesmo das mais recônditas paragens, recordo palavras de João Quadros: o que não pouparíamos se Portugal tivesse mar...

Na gastronomia, o leitão, nas tradições e costumes, a Queima das Fitas, nos monumentos, a Universidade de Coimbra, na praias, a Figueira da Foz, estas, de acordo com uma investigação sobre a imagem de marca e notoriedade do Centro de Portugal, realizado por (obviamente insuspeita) empresa de Aveiro, as principais valias turísticas desta Região das Beiras. O estudo foi desenvolvido durante a Bolsa de Turismo de Lisboa, e nele se releva, ainda, apenas uma curiosidade, que os inquiridos consideram (também obviamente, acrescento eu) Coimbra como a cidade mais importante da região, com 31%, seguida de Aveiro, com 11%. Afinal, conclui-se, não estamos assim tão mal vistos aos olhos dos portugueses...

Para o maestro diretor do concerto comemorativo dos 500 anos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, a iniciativa – no próximo dia 15, no Pátio das Escolas, com a interpretação da sinfonia n. 9 de Beethoven e uma "massa coral" de 150 vozes (Orfeon Académico, Coro Inês de Castro e Coro Misto), a que se juntam 50 músicos da Orquestra do Norte – "vai ser genial". Genial seria, permito-me corrigir, se, bem aproveitando o que de bom temos na cidade, em vez dos intérpretes migrados, se fizesse ouvir a nossa Orquestra Clássica do Centro. Mas que, provavelmente... não conhece a famosa composição do compositor alemão!

Trinta, ou mais, já nem consigo lembrar, anos depois de construída – e mais vale tarde do que nunca –, a Teófilo Braga lá teve finalmente direito a ver pintada sinalização horizontal no pavimento. Com a iluminação pública um pouco (embora insuficientemente) melhorada, só ficamos à espera, para a olharmos como uma verdadeira artéria urbana, do arranjo do passeio do lado da Escola de Hotelaria e, já agora, da plantação de árvores que substituam as entretanto derrubadas.

O presidente da Câmara, na sua proverbial bonomia, diz-se agora enganado pelos CTT quanto às estruturas da empresa em Coimbra; preocupantes, pelo menos para mim, as recentes referências, na comunicação social, à nossa empresa almirante nas novas tecnologias; a Brigada de Intervenção, resquício último (embora relevante) da presença militar em Coimbra, comemorou o seu sétimo aniversário; o Grupo Fado ao Centro venceu o Prémio Edmundo Bettencourt, atribuído pela Câmara Municipal; o Jazz ao Centro, no seu Encontro Internacional, trouxe à urbe – magnífico o espetáculo de Evan Parker em Santa Clara-a-Velha – uma bela programação; e hoje, não nos esqueçamos, realiza-se no largo da Sé Velha, imperdível, a sempre excelente Feira Medieval.
 
António Cabral de Oliveira

 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A 1 de junho ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR
 
O início desta semana trouxe duas belíssimas notícias para cidade. Por um lado, anunciava-se o renascimento da Linha do Oeste – na certeza de uma próxima viagem exploratória, um abraço Manuel Queiró – através da ligação entre Coimbra, Leiria, Caldas da Rainha e Torres Vedras, com três circulações diárias em cada sentido; por outro, o secretário de Estado das Obras Públicas confirmava que um dos primeiros projetos de investimento do governo vai ser a ligação rodoviária Coimbra-Viseu através, disse, de uma grande melhoria ou substituição do IP3, isto é, julgo eu, da autoestrada que entretanto, incompreensivelmente, fora suspensa.
 
Apesar do alegado empenhamento do executivo central na reabilitação urbana, até como fator de desenvolvimento económico, a ministra Assunção Cristas anunciou que o governo quer deixar "o quanto antes" a posição detida, designadamente, na SRU de Coimbra. Coisa que, é nosso convencimento, a olhar para a obra feita, pouco ou nada influenciará a recuperação do edificado da cidade. Entretanto, talvez venha a caso perguntar se a titular das pastas inúmeras não quererá deixar, de "forma pacífica e construtiva", que sejamos nós a decidir sobre a (lucrativa) questão das águas...
 
Apresentação de livros, sessões de autógrafos, espetáculos, debates, conferências, exposições, e oficina de fabrico de papel artesanal são iniciativas da (inexistente para os órgãos de comunicação social ditos nacionais, que persistem em só ver as de Lisboa e do Porto, mesmo que uma delas não se realize este ano) Feira do Livro de Coimbra. Mas ela está aí, visitei-a, não é uma alucinação minha e, apesar de tal sorte de certames, ao contrário das livrarias elas mesmas, não fazer a minha preferência, merece, amplamente, a nossa participação. Até 2 de junho, em conjunto com a do Artesanato.
 
A EDP concluiu a construção de duas novas saídas subterrâneas – seja lá isso o que for – também para melhorar a iluminação pública da Alta. Pode ser que agora, esperança nossa, deixemos de ter de levar uma lanterna quando ali nos deslocamos, e os estudantes e os residentes possam, por fim, frequentar aquele espaço urbano sem receio de incómodos ou perigos hoje evidentes. Com a subestação da Alegria ali tão perto (mas, pela demora, tão longe), faça-se luz, alegremo-nos pois.
 
O Diário de Coimbra, ao assinalar o seu 83 aniversário, destinou, bela ideia, a receita das vendas em banca ao projeto de recuperação do estádio universitário. Mas para quê, apetece perguntar, se depois vai estar encerrado aos fins de semana! E é assim que queremos ser sede dos Jogos Universitários Europeus em 2016? Valha-nos Deus!
 
Cozinhar é, para mim, desde há alguns anos, fonte de relaxamento e, sobretudo, um enorme prazer. E faço-o, sempre, beberricando de uma flute (por vezes opto por um tinto escorreito), em tempo necessariamente mais breve do que aquele que, com gosto, passei, no sábado, nas Piscinas do Mondego, na segunda Mostra Espumantes da Bairrada Cidade de Coimbra, iniciativa muito curiosa e definitivamente evidenciadora, o meu brinde, de variedade e riqueza.
 
É notório o desinteresse que os comerciantes de Coimbra manifestam em relação à sua recém criada Associação de Beneficência, entidade que visa, naturalmente, a ajuda aos seus pares mais carenciados. Com a participação de apenas duas dezenas de empresários, e no meio de muito desalento, lá elegeram como presidente, sempre esforçado, Armindo Gaspar. Se nem para eles próprios são bons...
 
Estudantes do ensino superior benzeram as pastas e rezaram para que possam encontrar trabalho; S. José festejou os 80 anos – parabéns Padre João – do seu pároco; a Câmara Municipal atribuiu, por decisão unanime, a medalha de mérito cultural ao Clube da Comunicação Social de Coimbra; os sócios da Académica OAF – é por estas e por outras que Coimbra continua a ser diferente – optaram pela SDUQ, assim recusando o projeto SAD pretendido pela atual direção; e, por fim, confesso a minha alguma dificuldade em entender que espaços da Reitoria da Universidade, agora a Sala das Armas, amanhã, porventura, a dos Capelos, estejam a ser utilizados, já nem a História se respeita, não exclusivamente para a vida académica ou atos de índole estritamente cultural.
 
António Cabral de Oliveira

A 25 de maio ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR    
São já conhecidos, finalmente – quanto delongam as coisas em Coimbra! – as personalidades, quase todas, que integram os novos corpos sociais do IParque. E se em relação ao órgão consultivo os nomes indicados merecem natural aplauso, já a administração me deixa (digamos apenas assim) algo apreensivo, constrangimento que, espero sinceramente, o breve prazo, afinal, contrarie. De facto, ao olhar, conjunto de coisa nenhuma, que desperdício no seu desértico desaproveitamento, a infraestrutura de Antanhol, resta-me a expetativa de ser competência daquele conselho, aliás muito próximo das instituições da cidade que operam na área tecnológica, "definir e orientar a estratégia da sociedade" e, ainda, a aproximação estabelecida com o Instituto Pedro Nunes.
 
O Museu Nacional de Machado de Castro não ganhou o Prémio Museu Europeu do Ano, distinção que a sua diretora já nos tinha referido, atendidas as circunstâncias, como imensamente difícil. Entretanto, ninguém retira ao MNMC a excelência e, sobretudo, a certeza do orgulho com que Coimbra o olha. É que, como ficou sobejamente comprovado no passado dia 18, (quase) todos nós gostamos muito, muito, dele.
 
Enquanto se preocupa com o viveirismo – olá Ceira, olá Semide – e exportações, parece que o Magnífico Reitor quer fechar a Universidade de Coimbra de 10 a 25 de agosto. Sem me debruçar, sequer, sobre questões – e imensos danos sequentes – como as visitas turísticas ou, sobremodo, o encerramento da Biblioteca Geral, atento, apenas, no valor, absolutamente irrisório, que se pretende poupar: 100 mil euros, 20 mil contos de reis para os que ainda (ou já?) fazem as contas em escudos! Ao que nós chegámos...
 
Regressando às Escolas, a Candidatura da Universidade, Alta e Sofia a Património da Humanidade parece estar, finalmente – esperemos, e queremos acreditar que ainda a tempo – a mexer-se. Esta semana, depois de apresentada (!) na Assembleia da República, uma delegação reuniu em Paris com o embaixador de Portugal em França, nosso representante junto da UNESCO.
 
Cidadã empenhada no desenvolvimento e qualidade de vida da terra que, como eu, escolheu para nela viver, Helena Freitas lamentava, em artigo de opinião, e bem, que Coimbra não tenha um diagnóstico, nem sequer retrato fidedigno, da diversidade biológica que acolhe, necessariamente muito rica, quando se atenta, diz, na valia e dimensão das suas áreas verdes. E criticava, de forma com certeza não menos justa, a limitação da política municipal a serviços mínimos e apenas reativos. Lembrando eu, embora, pelo menos uma edição da autarquia sobre parques e jardins, dou, entretanto, de novo, comigo a pensar: mas será que a Universidade, aqui sediada há tantos séculos, os seus departamentos competentes – e pergunto-o à professora –, não poderia ter dado já à urbe contributo essencial para estar traçado, hoje, e permanentemente atualizado, assim tão importante rastreio?
 
A Câmara vai concessionar a recolha de lixo e a limpeza urbana por, alega, graves problemas de recursos humanos, dificuldade que, seguramente, parece intuir-se, não acontecerá com os privados. É por esta e por outras que um dia destes começamos, mesmo os mais municipalistas, a questionar-nos sobre a necessidade da existência das autarquias: assim como assim, para contratar serviços, qualquer pequena empresa é suficiente, e os impostos locais, esses sempre podem sem cobrados, também, pelas finanças...
 
Morreram, as minhas homenagens, Costa Lobo, urbanista da Coimbra onde nasceu, e José Cabeças, antigo presidente do município de Góis e da direção regional de Saúde; foi bonita a Festa da Planta e da Flor, que deveria repetir-se mais amiudadamente, manter-se talvez mesmo em permanência na Baixa; é tamanha a crise de valores que, estamos mesmo a bater no fundo, até roubaram o cebolo plantado pela Casa dos Pobres; o transporte de droga (ou pelo menos a sua tentativa) para o interior da penitenciária – agora, e lembro o projeto adiado da nova cadeia, a bater recordes de sobrelotação – por parte de namoradas de reclusos deve ser, tantos os casos, depois das fotocópias, a única atividade em alta na cidade.
 
Teve ontem início, no Parque Verde e no Manuel Braga, prolongando-se até 2 de junho, a Feira do Livro (e a do Artesanato). Frequente, leia livros, e como a propósito costuma acrescentar o radialista António Macedo, também jornais...

António Cabral de Oliveira

A 18 de maio ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR    
Capaz do melhor e do pior, está visto, a Universidade de Coimbra foi classificada pelo "QS World University Rankings", para além de a posicionar no top 200 a nível mundial em ambas as áreas, como a melhor portuguesa em direito e uma das três melhores na engenharia civil (parabéns para as duas Faculdades), isto enquanto, entre as seis ali referenciadas, surge em último lugar do Ranking CWTS, publicado pela Universidade de Leiden. Perguntando-me como é possível, valham eles o que valerem, que as Escolas de Coimbra não surjam sempre, necessariamente, em lugar destacado neste tipo de classificações, fico a pensar o que andam afinal a fazer, nas suas imensas responsabilidades científicas, tantos dos membros da nossa comunidade universitária...
A cidade celebra hoje o Dia Internacional dos Museus – e é a única que o faz em conjunto – com o projeto "Coimbra – Rede de Museus", que reúne, através da troca de peças, mas também de um vasto conjunto de iniciativas, dia e noite, ainda ao longo do ano, dez unidades que entretanto assinaram um protocolo agregador. Tome-se, pois, o roteiro, e vamos, urbe fora, comemorar...
Continuo a não conseguir alcançar o interesse comunitário da colocação dissimulada de radares, em viaturas descaracterizadas, na circular externa Coimbra, uma via cuja tipologia e ausência de sinistralidade relevante aconselhariam um limite de velocidade naturalmente superior aos risíveis (e quase impossíveis de cumprir) 70 km/hora previstos. As patrulhas estarão, evidentemente, a agir pela Lei. Mas estarão a fazê-lo, também, pela Grei?
Bombeiros testaram, através de um simulacro, os sistemas de segurança dos HUC. A avaliar pelas declarações finais dos responsáveis, parece tudo ter corrido de forma perfeita. O que poderá não acontecer, receamo-lo, se, para além da excelência do pessoal e da boa qualidade do equipamento já disponível, os bombeiros tivessem de combater o "incêndio" não no quinto, mas no décimo segundo piso...
A Quinta das Lágrimas apresentou a sua nova carta para os tempos quentes que se aproximam, uma cuidada e saborosa ementa, muito na linha do Chefe Albano – particularmente bons o rodovalho com molho de verdelho da Madeira e as cerejas do Fundão com gelado de canela –, bem acolitada por vinhos da (também nossa) Ideal Drinks, aqui com particular destaque para um Colinas tinto, reserva de 2008, que, confirmava-nos a sua enóloga Agostinha Marques, vai ainda evoluir em garrafa. Enfim, uma jornada gastronómica sem ostentações de maior, corretamente servida pela equipa do Arcadas, e que, apesar da ausência de Miguel Júdice, poderá querer significar empenhamento na reconquista, que Coimbra e as Beiras apreciariam, da, este ano lamentavelmente perdida, e talvez assim apenas cadente, estrela Michelin...
Embora não haja pessoas insubstituíveis, há algumas que o são mais do que outras, como acontece com Pedro Rocha Santos, fundador e sempre presidente do JAAC, que, dez anos depois, deixa agora o cargo para o seu ex-vice, José Miguel Pereira, outro nome que dá garantias de futuro qualificado a uma instituição que promove, de 30 de maio a 1 de junho, o novo festival Jazz ao Centro, este ano, em programa rico e variado, designadamente com o saxofonista Evan Parker, a garantir, seguramente, belíssimos espetáculos.
O correio normal enviado de Coimbra para Coimbra, imagine-se, vai ter de ir a Lisboa para, depois... aqui regressar! Confuso? Não, apenas – haja quem mo explique – o resultado da transferência para a capital (enquanto não vai para Madrid) de parte dos serviços até agora realizados pelo Centro de Produção e Logística do Centro, em Taveiro. Absolutamente impensável e inadmissível... a não ser no que resta deste país!
Manuel Machado apresentou, oficialmente, a sua (re)candidatura à Câmara; a Académica lá garantiu – sempre o mesmo sofrimento, que nem a habituação cauteriza –, na penúltima jornada, a permanência na Liga de futebol; a rotunda do Almegue, junto à Escola Agrícola (acho bem porquanto, mais do que uma dificuldade, é um perigo abordá-la), vai ser semaforizada; e o Estado, antes tarde do que nunca, quer classificar como de interesse nacional o conjunto – onde é que nós já ouvimos falar dele? – Universidade, Alta e Sofia...
António Cabral de Oliveira