sexta-feira, 10 de abril de 2015

A 4 de abril ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Depois do excelente trabalho, pela universidade, de recuperação do Colégio da Graça, eis agora, renovada na sua fachada, também muito bela, a Igreja do Carmo, da Ordem Terceira de S. Francisco. A norte, na Rua da Sofia, só fica a faltar o templo em honra de S. Pedro. O que me leva a perguntar sobre o que se passa com aquele património, sob alçada da Casa de Saúde de Coimbra, que permanece encerrado, impossível de se visitar, porventura transformado, quem sabe, num qualquer arquivo morto. Ou, Deus meu, coisa que o valha!

Afirma-se, por aí, que a decisão política sobre a autoestrada Viseu-Coimbra e linha ferroviária de ligação a Espanha ficam proteladas para o próximo governo. A ser verdade – e hoje em dia, em relação ao futuro desta destroçada região, já nada me surpreende – quase poderíamos dizer que assim vamos, embora sem cantar nem rir, de adiamento em adiamento, até ao descalabro final. Então, só o sentir Beirão nos sobrará. A alguns.

Com o projeto aprovado, a manifesta vontade política da maioria dos edis, e ultrapassados os receios de quem temia que o subsolo guardasse uma qualquer preciosidade arqueológica (que ali só poderia ser, talvez, algum porto fenício), quero crer que brevemente teremos em execução as obras de arranjo urbanístico e paisagístico do Terreiro da Erva. Inadiáveis e a incluírem, sem demora, a recuperação da fábrica da Cerâmica Antiga, velha olaria instalada em ancestral lagar de frades, bastião último, e inestimável, da faiança de Coimbra.

A universidade de Coimbra embandeirou em arco por ser considerada – a par das do Minho, Porto, Aveiro e (Clássica e Nova) de Lisboa, como 'very good' em ranking financiado pela União Europeia. Também era só o que faltava que não fosse...

A CP lançou um concurso público para os serviços alternativos ao comboio da Lousã, válido por três anos. Se calhar quer dizer – e como gostaria de não estar a ser irónico! – que dentro dos cerca de 1.100 dias previstos no contrato já teremos aí a circular, todo pimpão, contributo decisivo para o desenvolvimento, o Metro Mondego...

Regressou o Funtastic. Agora, nesta época pascal, depois, anuncia-se, lá mais para o verão. Apenas um autocarro, e ao longo de pouco mais de seis meses. Em sinal, evidentíssimo, quando olhamos para outras cidades, do quanto caminho, também em termos turísticos, temos ainda pela frente.

No âmbito de um Fórum Nacional, que teve lugar na cidade, estudantes de Enfermagem promoveram, em colaboração com as entidades municipais de proteção civil, um simulacro de acidente, exercício sempre de grande utilidade para otimização dos sistemas de socorro. E se apreciei a atitude responsável dos jovens académicos, gostei ainda mais de constatar – apesar de pequeníssimos pormenores a aperfeiçoar – o bom entrosamento, hoje, das diversas forças em presença. Muito bem.

A apresentação do Programa Operacional do Portugal 2020 para o Centro decorreu, concordaríamos generalizadamente, em Viseu. O meu receio é que a circunstância, que poderia, com certeza, ter acontecido também em Aveiro, Castelo Branco, Guarda ou Leiria, seja tida por aqui – ou entendida mais além – não como força da Beira, antes fraqueza política de Coimbra.

Foi aprovado o projeto de mais um hotel para a Alta – e dizem-me que muito provavelmente iremos ter em breve a indispensável unidade de cinco estrelas –, notícias excelentes, ambas, para a cidade; o município decidiu, corretamente, reduzir de forma significativa as taxas também para a instalação de atividades económicas na área considerada Património Mundial; Estudantina, um abraço, trinta anos de loucura académica; relevantíssima, de leitura imperdível e atenção obrigatória, a crónica de anteontem, aqui no DC, de Carlos Encarnação; e o CHUC, vá lá saber-se porquê, não foi incluído, como se fora dispensável, no projeto nacional de redução da infeção hospitalar.


António Cabral de Oliveira

A 28 de março ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR
Para celebrar o Dia da Árvore – ainda ver as benfeitorias que a câmara fez, bem, numa das entradas junto ao açude-ponte, e olhar a concretização da excelente ideia da PSP de plantação, no Choupal, de 200 pinheiros mansos –, fui até àquela mata nacional cujo estado de conservação, generalizada e repetidamente, tanto ouvimos criticar. E a surpresa, de todo inesperada, não podia ser maior. É que, ao invés do abandono, mau trato, sei lá que mais, encontrei um espaço limpo, com recentes e muito abundantes plantações de espécies nobres, pontes novas ou arranjadas, enfim, um agradabilíssimo parque verde. De que, para melhor usufruto de Coimbra, me apresso, com enorme satisfação, a dar nova à cidade. Enquanto enalteço o trabalho, excelente e com certeza perene, sempre melhorável, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Viseu não vai ficar de fora e perder centralidade, clama, agora, o presidente Almeida Henriques, a propósito de hipótese da ligação por autoestrada à nossa cidade poder vir a aproveitar (e esse, não foram as politiquices locais, devia ser, naturalmente, entre os itinerários complementares 3 e 5, o grande e único eixo rodoviário da região), o atual IC12. Dizendo que "não se comece agora a inventar outras soluções" – ele, que queria que o prolongamento da A14, por si defendido, ligasse com a A1 a norte ou a sul, mas não, nunca, em Coimbra, poderá estar ("quem mal anda, mal acaba", diz tão bem o nosso povo) "a comer o pão que o diabo amassou".

A Companhia Nacional de Bailado está a celebrar – a importância da memória – o legado dos 50 anos da fundação do Ballet Gulbenkian. Agora em Lisboa, depois em digressão nacional que, custa-me até a crer, não passa por Coimbra, cidade onde se guardam imensas, e tão excelentes, recordações daquela singular instituição de dança, extinta, faz cada vez menos sentido, dez anos atrás. E ainda há quem pergunte para que servirá o Centro de Convenções e Espaço Cultural do Convento de S. Francisco...

O presidente da câmara de Montemor-o-Velho, carregado de razão, considerou inadmissível, enquanto obra estruturante para terras do Mondego, a não construção da variante entre Taveiro e aquela vila. Mas julgará Emílio Torrão, também ele, estar o seu município perto de Lisboa, sequer cerca do Porto?

Recente trabalho jornalístico sobre "As cinco poderosas do meio judicial" evidenciava que, de entre elas, apenas a ministra da Justiça não tem ligação com esta cidade porquanto todas as outras – Anabela Rodrigues, Joana Marques Vidal, Elina Fraga e Maria José Costeira – nasceram e/ou estudaram em Coimbra. O que, não querendo significar nada de especial (cá vieram ao mundo, também, grande coisa, sem particular vantagem nossa, o primeiro-ministro e o titular do Desenvolvimento Regional, enquanto algumas outras altas figuras do Estado frequentaram os bancos da mais antiga universidade)...não deixa de ser curioso. Talvez, mesmo, significativo!

O edifício da Reitoria da Universidade do Porto está em obras para receber a grande unidade museológica que reunirá os espólios dos seus museus da Ciência e da História Natural. Em Coimbra, arriscaria dizer, se calhar um tudo nada mais rica em coleções, continuamos – sem dinheiro, sem rasgo e sem querer –, a adiar o que devia ter sido concretizado há anos...

A cidade reviveu, na Alta e em Celas, com aprazimento, a Feira dos Lázaros, recriada pelos grupos folclóricos, bem-hajam, da Casa do Pessoal da Universidade e de Coimbra; estudantes, naturalmente reivindicativos, celebraram, de forma distinta, o seu dia; a melhor natação portuguesa estará entre nós para aqui disputar os campeonatos nacionais, enquanto se anuncia a possibilidade da urbe receber – a valia dos nossos equipamentos – o centro de alto rendimento da modalidade para universitários; Luís Quintais venceu o Prémio Literário Fundação Inês de Castro; "Uma vez Coimbra, para sempre saudade", é o lema, bom, da Queima das Fitas; e, a partir da próxima quarta-feira, durante todo o mês de abril, regressam, deliciosos, a percorrer sempre, "Os caminhos da Baixa - o património doceiro de Coimbra".


António Cabral de Oliveira

A 21 de março ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Quando Rui Vilar, presidente do Conselho Geral, falando a propósito dos 725 anos da Universidade de Coimbra, denunciava, do alto das suas enormes responsabilidades, "as inércias e os bloqueios dos interesses instalados", referia-se a quê e a quem?...

Neste, desde ontem, tempo de primavera, lembro a Tité e aquele dia em que me falou, sublinhando o contraste com outras urbes, do perfume que em regra envolve Coimbra. Sem sabermos bem apreciar o que de excelente temos, fica a sugestão para passarmos a atentar melhor nos cheiros, magníficos, das flores e das árvores, agora ainda mais bonitas, nos nossos jardins e ruas. Que são tantas. E serão com certeza mais quando Manuel Machado, ele que as aprecia especialmente, cumprir por inteiro a promessa de plantar não interessa quantas, mas muitas, novas árvores (e flores) por essa cidade fora...

O óleo sobre madeira "Nossa Senhora com o Menino Jesus e dois anjos", pintura rara e de grande importância, agora, e em boa hora, comprado pelo Estado, é um trabalho de finais do séc. XV, de uma oficina de Coimbra. Mas, para onde julga que vai a obra do Mestre de Santa Clara? Se está a pensar no seu regresso a esta urbe, tire daí o sentido. É que a Direção-Geral do Património Cultural, inimaginável, outro opróbrio para todos nós, destinou-a, nem mais, não ao Machado de Castro, antes ao Museu de Arte Antiga. Em Lisboa, está claro. Isto, digo também eu, se a cidade e as suas instituições, por uma vez, cansadas de tanto centralismo, não exigirem a óbvia restituição. E, já agora, acompanhada pela Cruz de D. Sancho, também, incompreensivelmente, ali mantida.

As "Business School" do Porto e da Nova de Lisboa – peço desculpa, mas agora chamam assim a algumas escolas de gestão – vão, selecionadas por quem tem poder, e no âmbito de um programa comunitário, dar cursos de "capacitação avançada de líderes " a autarcas. Lembram-se ainda de quando Coimbra, centro nevrálgico do poder local, sede da ANMP e do CEFA, tinha na sua faculdade de Economia uma escola de referência que privilegiava estas questões? Agora, parece, servimos apenas para, apoucando até a nossa universidade, virem cá, não sem algum despudor, anunciar, para longe, programas de formação.

O lançamento do concurso para a construção da nova ponte de Corge, na ligação ferroviária Covilhã-Guarda, desativada há seis anos, é uma excelente notícia para toda a região. A menos que – e não quero sequer acreditar – , depois de construída, se decida, politicamente, como acontece com as obras no Ramal da Lousã, ser o projeto insustentável. Ali se criando, ao abandono, como os viadutos do alentejano IP8, mais um monumento à incapacidade governativa nacional.

Por empenhamento do município e interesse do concessionário, parece que vamos ter, assim otimizado, um parque de campismo de cinco estrelas. Fica a faltar igual atitude camarária – e também da entidade regional de turismo, julgo – para se alcançar a construção, na cidade, de um outro cinco estrelas, mas na hotelaria. Indispensavelmente, em favor, repito-o, da qualificação do nosso turismo.

Morreu, antigo reitor, Cotelo Neiva; o simulador de condução dos SMTUC, afinal, depois de tão jocosas críticas da atual maioria camarária, agora que se soube que a Europa o paga quase por completo, sempre serve para alguma coisa: garantir formação prática, melhor e menos onerosa, a motoristas; há estudantes do ensino superior a passar fome em Coimbra, diz, sem rebuço, para vergonha coletiva (mas mais de uns do que de outros), sacerdote ligado ao Instituto Justiça e Paz; para nosso alívio, não terá havido ingerência política – apenas erro, tardiamente reconhecido embora – na redação de ata de reunião do executivo camarário; com criatividade e inovação, mais sustentável, verde e com melhor eficiência, também eu quero Coimbra, para sermos ainda mais felizes, Cidade Analítica; foi apresentado, imperdível por lindíssimo, o livro sobre o Botânico "No Jardim há histórias sem fim"; e uma funcionária da Metro Mondego saiu da sociedade por – surpresa para quem? – não ter nada para fazer…


António Cabral de Oliveira

domingo, 15 de março de 2015

A 14 de março ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR
Um dia destes, a minha filha, muito ligada à sua terra, e a frequentar um qualquer curso de formação, confiou-me, verdadeiramente impressionada, o que ouvia dizer aos seus colegas sobre Coimbra. Opiniões muito negativas quanto à vida na urbe, de um imenso desencanto sobretudo no que se refere à possibilidade de emprego. Temos aqui, Manuel Machado, para resolução urgente, problemas seriíssimos, parece, ao derredor, desde logo, do "patriotismo da cidade".

A universidade de Salamanca, a mais antiga do país vizinho, prossegue, depois de Estrasburgo, a sua política de abrir escolas de castelhano em cidades como Lisboa, agora, no Porto, no próximo ano. Considerada como o "berço da língua espanhola" – e são já duas, assim, as similitudes com Coimbra – fico a pensar, vá lá saber-se porquê, que, enquanto uns a procuram, outros praticam-na. A globalização, está bem de ver...

Sem aeroporto não lograremos trazer até nós o novo turismo, sem alcançarmos colocar o Centro de Portugal na moda não conseguiremos fixar quem, de passagem, nos visita. Continua difícil, Pedro Machado, cá dentro e lá fora, pôr a nossa Beira à sua beira...

Em recente polémica com o governo sobre o número de investigadores que se dedicam ao mar, Ana Paula Vitorino, agora deputada, referia, nas suas elucubrações, que "o que existe atualmente resulta da quase carolice de quem está na carreira académica, no Algarve, em Aveiro, e de alguns no Técnico". Esquecendo, entre tantos outros, os centros de Coimbra, logo dois, e os seus cientistas. Se calhar, digo eu, é por termos tão bons políticos, assim profundamente conhecedores das nossas realidades, que o país, nomeadamente na área dos transportes, de que Vitorino foi secretária de Estado, está como está. De que é exemplo, aliás, a situação do Metro Mondego...

Caso "inédito" que não acontecia desde 1965, mas também "reposição de justiça", o Grão Vasco, em Viseu, uma excelente notícia para a Beira inteira, vai ser classificado como Museu Nacional. E, neste país onde todos querem ser e ter tudo o que os outros já são ou têm – atente-se no que se passa com as "candidaturas" a património mundial – estou curioso para ver certas reações regionais. Como, por exemplo, a de Aveiro no que respeita ao seu Museu Santa Joana Princesa.

O município está a promover, até outubro, um conjunto de visitas temáticas guiadas por entre percursos que abrangem, designadamente, o património construído, a Coimbra dos escritores, a Alta e a Baixa, jardins e fontes. Parece-me bem, muito bem mesmo, esta contribuição autárquica para ficarmos a conhecer melhor a cidade, a nossa, tão ignorada por tantos que nela vivem.

A secção Lazer, do jornal online Observador, traz todas as sextas feiras sugestões para, diz, um fim de semana em cheio, em três zonas do país: norte, centro e sul. Tão habituados que estamos à lamentável dicotomia Lisboa/Porto, que se lê em todos os outros, até estranho que um meio de comunicação social de âmbito nacional – obrigado David Dinis – olhe o país como um todo.

De visita à urbe, António Costa foi "sensibilizado" pelos pares socialistas (mas ainda é necessário, depois das suas anteriores responsabilidades no governo e dos muitos anos que o processo já leva?) para o problema do Metro; João Ataíde, no primeiro aniversário da CIM de terras mondeguinas, a que preside, quer – espero que sem prejuízo para as autarquias município e região – as comunidades intermunicipais constitucionalmente consagradas; se calhar porque se tratava de modernização e inovação, não foram mais de três dezenas os comerciantes de Coimbra, assim sempre ativíssimos, que estiveram na sessão promovida pela CMC, Agência de Promoção da Baixa e IAPMEI sobre a medida de apoio Comércio Investe; também em louvor das obras só aparentemente pequenas, aplauso para a recuperação e iluminação – uma linha contínua de luz passa a marcar os sucessivos troços – da muralha de Coimbra; e, depois do que por aí corre sobre a capital da juventude, e enquanto vemos no que isto vai dar, comecemos, com tempo, ponderada e sustentadamente, a trabalhar na candidatura à Capital da Cultura 2020.

António Cabral de Oliveira

A 7 de março ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR
Depois de assinada a minuta do contrato das respetivas obras, por parte do município, é expetável que dentro de cinco meses, ainda em pleno verão, esteja concluída a ligação da Baixa à Alta da cidade através do Jardim Botânico. Finalmente, apetece dizer, quando já quase não acreditava, aquela idílica mata, um dos mais bem guardados segredos de Coimbra, fica aberta ao pleno usufruto da comunidade. E pode acontecer, até, que um dia, em vez do "pantufinhas", encontre Helena Freitas ou Manuel Machado a cruzar o lindíssimo espaço num elétrico, um daqueles que, mantenho a esperança, a cidade ainda há de ver – servindo a população, as escolas e o turismo –, a ligar o anel Universidade-Praça da República.

A ampliação do Portugal dos Pequenitos, anunciada pela Fundação Bissaya Barreto a propósito da celebração dos 75 anos daquele parque temático, prevê, a par de "novos conteúdos e abordagens", a construção de outros "monumentos representativos do Portugal contemporâneo". Sobre a Europa dos Pequenitos, talvez guardada ainda, quem sabe, para a Figueira da Foz ou Aveiro – e connosco a olhar para Sintra –, nem novas nem mandadas.

A presença de Adriana Calcanhotto, na abertura da Semana Cultural da UC, depressa esgotou o Gil Vicente. Pode ser que assim fiquem mais sossegados os que continuam a recear que o Centro de Convenções seja um elefante branco. Reinsira-se Coimbra na rota nacional das melhores digressões artísticas, façamos da cidade, de novo, centro difusor de cultura aquando dos grandes espetáculos nacionais e internacionais, saibamos assumir, reforçando-as, as nossas responsabilidades regionais, e será enorme, seguramente, a surpresa de muitos. Sobretudo daqueles, sempre destrutivos, nossos e tantos, e por antinomia...elefantes pretos!

"Coimbra 2015 - o que efetivamente não deve perder", é o título de uma agenda, agora editada pela câmara municipal, através da qual se quer contribuir para um melhor conhecimento das principais atividades festivas, culturais, desportivas e sociais da "cidade encantada e fantástica". Graficamente melhor conseguida na sua edição em português, mas ainda assim sem rasgo, difícil de ler enquanto primeira informação – mas bem para quem quer saber mais sobre o que se passa em Coimbra –, parece-me, contudo, um bom auxiliar para os visitantes, com certeza de grande utilidade para os que a habitamos.

Não li os jornais todos. Mas aquando do doutoramento honoris causa de José Murilo de Carvalho pela mais antiga Universidade não encontrei, desde logo nos dois considerados de referência, uma única linha sobre o facto. Pode ter sido distração minha. Ou então é o reflexo da visibilidade noticiosa que hoje a nossa cidade (não) tem na chamada comunicação social nacional. Porventura, ainda, a nenhuma relevância com que Portugal olha – bem sei que o Público trazia, já esta semana, uma substantiva entrevista com o académico – o trabalho de um historiador que nos afirma como o país, depois do feito de Cabral, que garantiu una, através da elite de Coimbra, a imensa nação brasileira. Contudo, tivesse a coisa acontecido em Lisboa...

Enquanto, turisticamente, nos juntamos agora ao Alentejo e à Extremadura espanhola, o Centro tinha já passado a integrar, faz algum tempo, com o Norte de Portugal, Galiza, Castela e Leão, e as Astúrias, a, seja lá isso o que for, Macro-Região do Sudoeste Europeu. Não questionando, assim recente, aquele mapa, que prevê um conjunto de itinerários transfronteiriços, pergunto quando começaremos, em relação a esta, a perceber as propaladas vantagens em termos de competitividade e de poder junto da União Europeia?...


Com a mesma equipa reitoral – em formação ganhadora, dizem, não se mexe – mas com nova chefe de gabinete, João Gabriel Silva (re)tomou posse como Magnífico da UC; está encontrada a empresa que, por fim, irá concluir, necessariamente este ano, as obras do Convento de S. Francisco, e sobre cuja programação (a propósito, ainda não cansará ao líder concelhio do PS a pequena política?) começamos já, bem, a ouvir falar; a Brasileira, na Baixa, parabéns pelo arrojo, celebrou o terceiro aniversário recuperando, excelente, a ideia do saco de pano para irmos ao pão; ardeu mais um autocarro dos SMTUC, entendo melhor o apreço em que os responsáveis têm o sistema anti-fogo que equipa as viaturas recentemente compradas; não se esqueça, este fim de semana, da Expo Clássicos, no Dolce Vita; e, confrontado com o projeto de uma nova linha ferroviária Aveiro-Viseu, Manuel Machado afirma-se despreocupado pois o que está assumido pelo governo – e para outra coisa não há dinheiro nem a orografia o permitiria, especificou – é, queira Deus, a integral remodelação da Linha da Beira Alta.

António Cabral de Oliveira

A 28 de fevereiro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR
Poiares Maduro, ministro, quem diria, do Desenvolvimento Regional, tendo-se seguramente em apreço o formidável desempenho governativo em favor destas terras beirãs – é percorrer, modernas, as novas vias rápidas para Viseu e Serra da Estrela; aterrar, aberta à aviação civil, em Monte Real; ver o Metro Mondego nos seus carris; olhar, esplendorosa, a moderna estação ferroviária de Coimbra B, já incluída na certeza da integral modernização da Linha da Beira Alta – será, noticia-se, o provável cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP pelo círculo eleitoral de Coimbra nas próximas legislativas.

Em "Tempo de Encontros", é imensa, diversificada e muito rica a programação celebradora dos 725 anos da Universidade de Coimbra. Propondo-se, adequadamente, concitar sinergias "entre o antigo e o novo, entre o passado e o futuro", vamos comemorar, pois, todos, a festa das Escolas, as nossas, que, de facto, como disse bem o Magnífico Reitor (esqueçamos as comparações com o mundo do futebol), tem – potenciemos, então, essa força – "uma capacidade de atração como não existe em Portugal".

A nova identidade visual – uma espécie de brasão a fazer-me lembrar, não sei porquê, estéticas do Estado Novo – é lindíssima e absolutamente inovadora; os múltiplos elementos gráficos que a compõem nada ruidosos ou confusos; a leitura dos conjuntos gráficos muito fácil, quase diria imediata. Enquanto as frase-chave, imensas na sua força, definitivamente apelativas, chegam a arrasar. Por tudo isto, e felizmente, desta feita, escrevendo sobre a Turismo Centro de Portugal, não tive de tecer críticas, antes deixar, assim, loas. Bem-haja Pedro Machado, o meu obrigado aos criativos. E que Deus me (nos) ajude!

Regressadas as aulas, em plena – e enorme – fila de trânsito, formada na Miguel Torga, lembro, indispensável, o projeto de construção de uma via que ligue esta artéria à Infanta Dona Maria, junto ao pavilhão do União. Em alternativa à sempre congestionada Carolina Michaelis, sobretudo nas (cada vez mais alongadas) horas de ponta.

Vem sendo marcante a atividade, a nível nacional e internacional, na magnífica infraestrutura que é o Pavilhão Multidesportos Mário Mexia – deixem lá cair a piroseira do Dr. –, abarcando, cito de memória, óbvias disciplinas como o basquetebol, futsal, voleibol, ginástica, hóquei em patins. Mas a que importará, agora, acrescentar, tudo o indicia, depois dos congressos, uma nova modalidade, a da dança. E só singela questão se me levanta: no Baile de Gala da Queima das Fitas, o vestido comprido e os colarinhos à bife serão, ainda, o "equipamento" obrigatório?

Um dos grandes acionistas da Altice, a nova dona da Portugal Telecom, é natural de Vieira do Minho, e decidiu, já, instalar na sua freguesia – chamem-lhe bairrismo, o que quiserem – um call center. O que me deixa preocupado quando penso, receando hipotéticas deslocalizações, na cooperação entre a Universidade de Aveiro e a PT Inovação, também no Data Center instalado na Covilhã. Estejamos, pois, todos, aqui pela Beira, atentos e precavidos. Na certeza de que, no risco de tal eventualidade, não podem contar, então, os senhores do "centro-norte", à semelhança do que acontece com a linha do comboio para Espanha, com qualquer solidariedade vinda das bandas lá de cima...

Vitorino Nemésio – o meu primeiro diretor, em "O Dia" – foi justamente evocado em Coimbra, cidade onde quis ficar sepultado; o número de turistas estrangeiros aumentou em 19,2%  – conseguíssemos nós uma pernoita que fosse – no ano passado, em relação a 2013; porventura sem traça ou bafio, vai reabrir o Cartola; a Castelos e Muralhas do Mondego vem fazendo inserir publicidade no suplemento Tentações, da revista Sábado, e logo na contracapa, que, digo eu, atendido as nenhumas referências que aquele guia costuma fazer à região, só pode ser gratuita; e reagindo, muito bem, contra políticas de inadmissível facilitismo, o Politécnico de Coimbra desvinculou-se do Conselho Coordenador.

António Cabral de Oliveira

A 21 de fevereiro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Sinal primeiro da degradação última de um tecido urbano, o estacionamento em cima de passeios tem vindo a ganhar uma dimensão crescente em Coimbra. A que urge por cobro através de uma ação efetiva das polícias – elas que, por vezes, na primeira oportunidade, seja qual for a com certeza incontestável justificação, são as primeiras a prevaricar –, de segurança pública ou municipal, tanto nos importa.

Se li bem, Álvaro Amaro dizia, um dia destes, em artigo de opinião no Sol, e substantivamente, que as atuais CCDR são estruturas técnico-administrativas que apenas podem servir para uma, porém necessária, desconcentração de serviços. A regionalização, que aliás defende, é, enquanto instância político-administrativa, coisa diversa, e terá, embora nos mesmos limites espaciais – mas não através democratização daquelas Comissões –, de ser objeto de um processo, outro, e diferente. Quer dizer: o território das regiões até podia ser o das atuais NUT II, a capital das ditas, por exemplo, essa, desde logo, pelo menos aqui no Centro, é que não deveria - por Deus não haveríamos de concentrar a decisão e o planeamento operacional, tudo aqui! – ser em Coimbra. No agasalhar de projetos particulares, valem quanto pesam, como se dizia na minha terra, estes nossos políticos. E é por valerem tanto, tanto, que continuamos a ter tudo decidido nos salões de Lisboa...

Cavaco Silva quis homenagear, justamente, alguns antigos presidentes de câmara – um abraço Carlos Encarnação – e relevar, na cerimónia de entrega das comendas, o "contributo decisivo das autarquias locais para o desenvolvimento do país, a melhoria das condições de vida da população, para a coesão social". Tudo verdade. Continuo é a não perceber, assim, o porquê de quase ter destruído o municipalismo democrático, quando foi primeiro-ministro, designadamente com a retirada dos dirigentes social-democratas da direção da ANMP. E como pode pactuar, dizendo entretanto o que diz, agora Supremo Magistrado da Nação, com as agressões que o governo tem vindo a perpetrar contra a autonomia do poder local?

Não é, sequer, uma marcante coleção de arte – se o fosse, desconfio, não tinha cá ficado quadro algum – , feita quase toda de autores locais. Mas a exposição "O legado artístico do Governo Civil", patente na Sala da Cidade, permitiu-me regressar, por momentos, à casa que Raul Lino desenhou para Ângelo da Fonseca (a mais bonita de Coimbra, diz o meu filho), sede, durante tantas décadas, de parte relevante da nossa vida política. Uma revisitação, agora possível através da pintura e do ferro forjado, a uma instituição que, para além da delonga da regionalização, não me deixa saudades.

O Turismo Centro de Portugal vai ter novo logotipo. Que será, com certeza, esteticamente perfeito, dinâmico, claro e agregador. Mas uma nova imagem, por melhor que alcance ser nas exigências técnicas e nos seus propósitos, não é suficiente, nunca, para se ultrapassarem impasses, anquilosamentos e modas de há uns, pelo menos, trinta anos. Se me faço entender...

Enquanto era notícia a retoma da construção de novas vias (A26) de ligação a Sines, cerca de Lisboa, o primeiro-ministro anunciava, para não longe do Porto, um novo eixo rodoviário Famalicão-Trofa. Boas notícias, pois, a norte e a sul. Aqui pelo centro – a AE Coimbra /Viseu, os IC 6 e 7, na serra da Estrela – , tudo na mesma, isto é, nada. Obrigado, governo de Portugal.

Já nem posso ouvir, lembrando a frase que escreveram em Alqueva (construam-me, p….), as tretas governamentais sobre o ramal da Lousã/ Metro Mondego; depois de recuperado, finalmente, o piso, até dei duas voltas completas à oblonga rotunda de Santana; concordo inteiramente – sem esquecer, embora, idêntico projeto para a Cultura, que já tem cidades designadas até 2019 – com a candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Juventude 2018; muito curiosa a iniciativa turística que recria, visitável, a casa medieval da Baixa; não será, nunca foi, aliás, por falta de terrenos (a câmara acaba de expropriar mais parcelas) que o iParque tarda em ser o êxito esperado; depois de Paulo Sérgio, ei-los que partem, José Eduardo Simões?; o fogo, não era pressa, ameaçou a Mata de Vale de Canas; e gostei de ver a força aglomeradora da Orquestra Clássica do Centro (parabéns Emília Cabral Martins) quando consegue juntar num mesmo projeto, assim de facto regional, entidades de tantas terras de muitos distritos da Beira.

António Cabral de Oliveira