domingo, 31 de janeiro de 2010

Livraria do Mondego - "Nas Montanhas Rochosas"



Tenho vários livros favoritos, mas há um que não resisto mencionar: “Nas Montanhas Rochosas” de Ugo Mioni, com capa de Fernando Lima e tradução de Cassiano Guimarães.
A edição portuguesa é de 1960 (Colégio dos Salesianos, Estoril), com 181 páginas e custava 20$00. Não tenho o livro comigo, mas recolhi estas informações das Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian . Segundo António Quadros (não deve ser o ideólogo de Salazar!), que foi quem fez a ficha de leitura, é um livro “muito recomendável”, trata-se de “Aventuras de índios e cow-boys, com muitas peripécias e com uma tradução razoável”.
Com muita pena minha, não encontrei uma imagem da capa da edição portuguesa, mas encontrei a capa duma edição italiana de 1919.
Mas porquê este livro? No meu primeiro ano do Ciclo (actual 5º ano) tive um fantástico professor de Religião e Moral, o Pe. José Ferreira. Este meu professor organizava concursos de anedotas e festivais da canção nas aulas – estávamos, ainda, no regime fascista! -, os vencedores eram eleitos por votação dos alunos. O Padre só era chamado a dar o seu voto de qualidade em caso de empate. Os vencedores eram premiados com bolos de pastelaria que poderiam ser adquiridos no bar da escola (já agora, era a Escola Preparatória Eugénio de Castro que funcionava nas bancadas do Estádio Municipal!). Além destes concursos, o extraordinário professor lia-nos, nas aulas, romances juvenis que ele próprio escolhia. Um dos livros mais marcantes foi, sem dúvida, “Nas Montanhas Rochosas”! Tratava-se das aventuras de um explorador americano, conhecido por Braço Forte graças à sua coragem , valentia e mestria no combate corpo-a- corpo. O leitor transmitia-nos toda a carga dramática e emotiva da narrativa. Lembro-me muito bem de ficarmos gelados e arrepiados com as ameaças terríveis do índio mau que ameaçava matar o nosso herói: “Braço Forte! – lia o nosso professor com a voz trémula de raiva, como quem exorciza o diabo – “Braço Forte vais morrer nas minhas mãos!”. Ou, “Pumba! – levava o nosso herói uma grande cacetada na cabeça!”, e pregava, o Padre, um grande estalo na sua própria cabeça e simulava a sua queda em pleno estrado da sala de aulas!
Nas deliciosas férias de verão seguintes, não é que fui encontrar este livro em casa! Não nas famosas estantes da Olaio da sala (a propósito, a sede da Olaio era em Alvalade, bem perto de minha casa), mas sim na estante dos livros de PL. Li e reli o livro várias vezes.
Curioso é que este Ugo Mioni (1870-1935) tem um livro cujo título é “I Sogni dell Anarchico”. Seria este autor um anarquista? Mas um dos seus livros era recomendado antes do 25 de Abril.
Ao contrário, por exemplo, de Emilio Salgari (o autor de Sandokan) que era um conhecido anarquista. E lido por um Padre nas aulas de Religião e Moral. Grande Padre José Ferreira!

sábado, 30 de janeiro de 2010

Os Irmãos Karamazoff estão de volta!



Não foi propriamente feliz o retorno oficial aos courts dos manos Karamazoff, pois apesar da boa prestação de ZN (vencendo o seu encontro), JT comprometeu bastante as aspirações da equipa, ao perder o seu jogo de singulares, impedindo assim a conquista do ceptro veterano das planícies. Fica pró ano!
Mas, afinal, qual a origem deste misterioso cognome literário? Tratou-se de mais uma das diabruras de um velho irlandês, infelizmente já desaparecido, que, com o seu jogo venenoso, aterrorizava os neófitos da raquete nos velhos campos de terra lavrada do Universitário (belos tempos!!!), onde também PPL e MPL se iniciaram a modalidade, dando começo a uma tradição que se estendeu à geração seguinte dos PL. Que me lembre (e peço desculpa se falta alguém) Af, JH e MMPL, JCO, PFPL e RFPL, DM e TM e ZG e JM também jogaram (e, felizmente, alguns ainda jogam!) ténis como federados.


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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Estou a sofrer com dois cromos na escola!!!!!!!!!

Pois é... Tenho de desabafar!!!! Ando a sofrer com dois cromos na escola: um deles é meu professor de ciencias da natureza e de matemática, a alcunha dele é "Mago Das Trevas" pois tem um casaco até aos pés e tem um ar muito severo. Quando estamos a falar ( um grande problema na nossa turma ) ele pergunta a uma pessoa : "Quer dizer alguma coisa?" Essa pessoa diz : "Não" E ele responde : "Então cale -se". Também me chama "Dona Elisa" (uma coisa que eu não gosto nada).
O segundo cromo está na nossa turma há um dia, ele vem da Inglaterra portanto acha que é o maior a tudo, principalmente a educação física, mas sinceramente não é lá muito bom.
E pronto!!!!! Já desabafei. Obrigado por este bocadinho.

Bjs. E



P.S: Estejam atentos aos próximos dias porque vou fazer uma reportagem sobre a minha visita a espanha com a escola.

Livraria do Mondego - em resposta a JT




Quando estou deprimido, pego nas Jóias de Castafiore, quando me sinto o melhor do Mundo, nas 7 Bolas de Cristal. Quando penso em Goa (portanto, este é um álbum muito usado nos últimos tempos!) não dispenso Os Charutos do Faraó, e quando mergulho nos problemas da Macau dos do século XIX, percorro as páginas do Lótus Azul. Antes de partir para qualquer destino Europeu, não dispenso uma releitura do Dossier Tournesol. Para mim, a Escócia (que não conheço) será sempre a terra inóspita da Ilha Negra, e os monges budistas do Nepal serão merecedores (pelo menos numa primeira aproximação!) da minha mais sincera simpatia. Um eclipse lembra-me invariavelmente as desaparecidas civilizações da América Latina, os ditadores que por aquelas bandas puluraram serão, a meu ver, e instintivamente, sempre refracções de Generais Alcazares e Tapiocas, e gosto de acreditar que nas selvas daquelas terras ainda se encontrarão muitos fétiches arumbayas, com a orelha quebrada e cheios de mistérios. Os japoneses são piores que os chineses? Provavelmente não - mas o sr. Mitsuhirato e os seus comparsas criaram em mim alguma aversão pelos nipónicos (e correspondente simpatia pelos chineses), que por vezes difícil de superar. Há problemas com os árabes radicados na Europa? Ah! Se lessem o Caranguejo das Tenazes de Ouro, perceberiam melhor! O preço do barril do petróleo aumenta e as guerras na Arábia em torno do Ouro Negro não cessam? Será tudo culpa dos xeques - mesmo que tenhamos de suportar os seus insuportáveis Abdalahs mimados - ou algum Dr. Muller andará envolvido na contenda? Os índios são intrinsecamente bons, mas os brancos cobiçosos é que os irritam, nos PALOPs as imagens de Coco e do missionário simpático mas duro dificilmente me abandonarão, e Carvão no porão será sempre sinónimo do mais repugnante dos tráficos! Quando olho para a lua, imagino aquela que o foguetão vermelho e branco explorou e, a meio de um projecto científico, por vezes sinto-me num universo paralelo ao da Estrela Misteriosa. E, quando tenho de fazer uma viagem que não me apetece, penso nos muitos portugueses que, nas páginas dos álbuns, palmilharam o mundo: desde o inevitável Oliveira da Figueira ao correspondente lisboeta em NY, não esquecendo o ilustre Professor Santos, da UC!


Tintim - digam o que disserem do personagem, da obra e do seu autor (que é gay, que é fascista, que é colonialista, que é irreal, que não muda de roupa, que não envelhece, que oprime os desgraçadinhos, que não tem namorada, que é um sonso tótó, etc, etc, etc) é o meu herói. Em inúmeros momentos da minha vida (e eu lembro-me do Tintim desde sempre) relembro personagens, paisagens, gags. Por exemplo: quando estive em Goa, lembrei-me terrivelmente de Tintim e de alguns dos personagens dos seus álbuns. Mais: em alguns casos, a estranheza que eventualmente senti perante alguns locais e algumas pessoas foi muito mitigada pela tintinofilia.




De alguma forma, não concebo a minha maneira de estar sem um Tintim à mão - e tudo isso começou na célebre Livraria a que JT faz menção no seu magnífico post! Pobres JT, ZN (este um grande responsável pelo meu gosto pela BD e pela minha tintinofilia) e outros tios, que massacrei para me traduzirem os Tintins em francês, vezes e vezes sem conta! E pobre Mãe, também, que também mos releu repetidamente, e me comprou a versão brasileira (a única disponível no magro mercado português nos early 80's), à qual hoje ainda recorro com enorme frequência, apesar do mau estado de alguns (de muitos, na verdade) dos seus volumes!




Foi na Livraria PL que - e eis a razão da ilustração deste post - aprendi a importância do estudo das papeladas velhas, que hoje tão caro me é! Quando, nos restos do Licorne, Tintim descobriu uma arca repleta de manuscritos, a decepção geral foi imensa . No entanto, o paciente Professor Tournesol (ou Girassol, como preferirem) levou os papéis para a sua cabine. Enquanto, no exterior, os demais iam queimando as suas esperanças de encontrarem o famoso tesouro, Tournesol estudava os papéis. Quando, desalentados, retornaram à Bélgica, Tournesol continuou o seu labor. Após a chegada, prossegiu, sem hesitar. Até que, num belo dia, fez-se luz! O segredo dos Três Irmãos Unidos, dos Três Licornes Juntos e da Cruz da Águia estavam, afinal, nos ditos manuscritos! Tintim demandou ilhotas desabitadas e palmilhou o fundo do mar, mas o tesouro estava em Moulinsart - como explicavam os papéis!


No AHU, sinto-me um pouco Tournesol. Quando acabar a tese (já falta pouco!), chegarei a Moulinsart! Na bagagem, levarei decerto os velhos Tintins PL! E àqueles que quiser impressionar com a minha sabedoria, perguntarei: Quem é a Águia de Patmos? ;)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Livraria do Mondego, nº 1 - Jean Marie Severin, o maior extremo esquerdo de todos os tempos!



Aí está o prometido. O Grande Desafio de Chris Landier é, sem sombra de dúvida, o livro mais importante da minha vida. Com tradução de António Gonçalves, a edição portuguesa foi publicada na Colecção Marabu Junior (sim, a que tinha milhares de livros do Bob Morane) pela Editora Ulisseia. Li-o pela primeira vez teria talvez dez anos e nunca mais me esqueço do que se passou quando o acabei. «Gostei muito, mas ó Manaca, qual é o grande desafio de que fala o título?» Aquela que não gostava de ser confundida com o antigo defesa central do Sporting dessa vez não me pregou uma estalada (guardou-a para depois, numa tarde - certamente ventosa - da Costa Nova em que me deixou simultaneamente calado e de boca aberta!!!), mas comentou: «Ó burro, não vês que o grande desafio não se jogou em nenhum campo de futebol?!»
Não tinha visto, mas fui ler sem custo o livro outra vez e desde aí nunca mais parei de o reler até hoje. A dada altura, muitos livros foram doados pela gestão PL a uma biblioteca da paróquia que não sei se chegou alguma vez a funcionar e nesse lote foi, para grande fúria minha, Le Grand Match. Perdi-o de vista até que...
bastantes anos mais tarde, descobri um outro exemplar da mesma edição - tenho a certeza disso porque há uma gralha na impressão do livro que coincide nos 2 exemplares!!! - numa Feira de Antiguidades em Évora. Quase saltei de euforia e felizmente não confessei ao feirante que estava disposto a dar uma fortuna por aquela preciosidade literária que, assim, arrebatei por míseros 100 escudos!
De que trata o livro? Como todas as obras primas, é impossível resumir. Só mesmo lendo é que se pode ficar a conhecer a sério todas as inesquecíveis personagens deste livro fabuloso e que em seguida vou enumerar. A começar, Jean Marie Séverin, jovem professor de liceu e talentoso extremo esquerdo do Sporting de Metz (nome fictício), o herói que vai viver quase kierkegaardianamente a angústia da escolha. Sim, Blé, já percebi que o grande desafio é esse mesmo.

Depois, os amigos Stanis Kariev e sobretudo Brick Ferrier. A família de Jeannot: os pais e os seus dois fantásticos irmãos André e Godefroid. Os companheiros de equipa: Closset, Morel, Jose Sterckx e Théo Sergent. Enfim, os mestres Pierre Delorme e Messieur Gillard.

Como boa literatura para rapazes dos tempos do pós-Guerra, parece que quase não há presença do elemento feminino, mas até aqui o Grande Desafio marca a sua diferença. Se repararmos bem, há a aparição, fugaz mas decisiva, da misteriosa Suzanne, uma «bonita rapariga, alta, delgada [com] um sorriso calmo e olhos sonhadores» que, misteriosamente, abandona a sala para ir buscar as chávenas de chá, numa cena onde é possível desvendar uma dimensão levemente erótica.

Dirão os mais apressados, mas, afinal, é um livro sobre futebol. Claro que sim, mas é especialmente sobre a amizade e a existência humana. Ensinou-me mais sobre ética e liberdade do que todas as páginas de Aristóteles, Kant e Sartre juntas, embora se pressinta alguma influência existencialista deste último. Mas, claro, isso só descobri muitos anos depois.

Devo confessar que, em certos momentos mais complicados da minha vida, lembro-me de Severin e de que como gostava de um dia chegar aos calcanhares das suas chuteiras. Dentro e fora do campo.
Que mais se pode pedir a um livro?

Livraria do Mondego ou Da minha rua vê-se uma livraria?



Inauguro hoje uma nova secção do blog Maré Cheia que espero venha contrariar um velho costume meu. Não sei se recordam os visitantes menos novos (os outros talvez não saibam e, valha a verdade, trata-se de douta ignorância) destas paragens que durante muito tempo produzi talvez a maior série de primeiros números de periódicos (gosto desta palavra...) PL de que há memória. Ou melhor, de que felizmente não há memória. A dada altura, chegou mesmo a ser difícil encontrar novos títulos para as minhas aventuras jornalísticas.

A única desonrosa excepção foi um pasquim chamado o Guia (e o conteúdo ainda era bem pior do que o título deixa supor...) e no qual eu exercia uma insidiosa chantagem sobre a mais nova dos dez, dizendo mais ou menos isto: «Tx, de duas, uma. Ou eu sou o chefe de redacção e tu a directora, mas só publicas n'o Guia aquilo que eu deixar. Ou, segunda hipótese, eu sou o director e se não estiver de acordo contigo despeço-te do lugar de chefe de redacção!!!». Como vêem, era um jornalista bastante democrático. O Zé Manel Fernandes ao pé de mim era um menino de coro... Mas mudemos de tema, não sem antes dizer que os blogs (sim, porque eu escrevo em 2!!! Cf. perfil...) correspondem a uma espécie de pulsão jornalística que, desde o fecho d'o Guia, estava recalcada. (E ainda bem, já ouço as vozes de alguns...)


Pois bem, dizia eu, não quero que esta nova secção se fique pela primeira edição, como aconteceu com a quase generalidade dos meus projectos editoriais. Contudo, a verdade é que, antes mesmo de começar, já mudei de título que esteve para ser outro. Tinha pensado em Da minha rua vê-se uma livraria, pois esta é uma das imagens que mais falta me faz quando chego à rotunda da Lomba do Chão do Bispo e não vejo uma sala de 2º andar cheia de livros. É óbvio que livraria tem aqui o significado tradicional de biblioteca, como quando se fala, por exemplo, da librairie de Montaigne. Aliás, os ingleses ainda usam o termo correspondente nessa acepção.


Mas voltando à minha rua, a Humberto Delgado (vivi lá rigorosamente metade da minha vida...). Sempre que por ela passo, imagino que a livraria ainda lá está. Não, não estou a dizer que os livros não tiveram o melhor destino que poderiam ter. Claro que tiveram. E estou certo que foram ajudar a construir outras livrarias, porventura até mais luminosas do que a que se via da minha rua.


Porquê, então, mudar o nome desta rubrica? Por esse motivo mesmo, gostaria de guardar aquela livraria na minha memória e não vejo como poderia ilustrar com uma imagem o título Da minha rua vê-se uma livraria.


Decidi, por isso, mudar e julgo que a espantosa fotografia que consegui googlar justifica o novo nome. Esta Livraria do Mondego fazia e, de certo modo, ainda faz parte de um percurso essencial na história dos PL. Sempre que RPL ia a Nelas (que saudades daqueles caixotes de bolacha de água e sal...), passava pela Livraria e explicava pacientemente a quem o acompanhava o significado do termo. É também em homenagem a este ilustre PL - grande leitor do Simenon e que acompanhava os trajectos do Comissário Maigret através de um mapa de Paris, comportamento que sempre achei extraordinário!!! - que escolhi o nome de Livraria do Mondego.


Perguntarão os leitores impacientes: em que consiste esta nova rubrica de Maré Cheia?


Será uma espécie de Os Livros da Minha Vida em que os colaboradores deste blog poderão apresentar e explicar os motivos para a importância que eles tiveram na suas existências pessoais.


Proponho como regra - que admitirá as excepções justificadas por cada um - que esses Livros tenham, pelo menos, passado pelo 31, 6º E ou pelo 9, 2º E da artéria do General Sem Medo (atenção, esta última frase não é para levar à letra). Será, assim, uma tentativa de reconstruir virtualmente a Livraria que se via da minha rua. Ou melhor, que continuo a ver da minha rua. Vou interromper este texto porque ele está a ficar bastante piegas. Mas por pouco tempo, pois...


... dentro de momentos o leitor poderá ler o nº 1 de Livraria do Mondego. Rigorosamente a não perder!!!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A(s) baía(s)... e eu!


Roubámos a ideia dos títulos das consagradas obras de MNL (ainda disponíveis na net, pelo módico preço de 3,75 euros) para a emprestarmos à mais recente "produção" familiar - a qual é tão recente, tão recente... que ainda não foi publicamente apresentada!

Amanhã, pelas 14.30 (como o evento terá lugar no DArq, é preciso dar uma horita de folga...), MAGGIE apresentará a sua tese - para, assim, alcançar o almejado grau e, munida do diploma, partir para a Europa (ou para o Brasil? Já ninguém sabe!).

Sabemos de antemão que se trata de um trabalho profundo, em que passado e futuro se mesclam. E tinha de assim ser, ou não estivesse em causa a mítica baía de Angra. Todos os terceirenses que, alcandorados do jardim dos Corte-Real (depois dos Monjardino, agora da CMA...), das torres da Misericórdia, dos panos da muralha da fortaleza de S. Filipe, ou, mesmo, da sua amada Memória, fitam as águas daquela apertada baía conseguem ainda ver, entre os iates dos seus conterrâneos mais afortunados (a propósito, o maior é o do progenitor da autora - mas não houve interesses baixos envolvidos na escolha do tema do projecto, esclareça-se!) os galeões de uma Goa que se vai desvanecendo nas brumas. E todos imaginam - mesmo que se saiba que a nua verdade não é bem essa - o solo dessa baía pejado de marfins indianos, de caixinhas do Guzerate, de porcelanas da China, de xarões de Macau...e de ouro, muitas barras de ouro!

Por isso, "mexer" na baía da Heróica Angra é assunto delicado. Cada pedra que se move fere susceptibilidades, cada muro derrubado cria inimizades, cada parede levantada gera polémica! Angra vê-se na baía como gosta de imaginar ter sido no passado. E esse sentimento não se vence, e tem de se ter sempre em conta.

Por isso, Henrique Braz, Francisco Ernesto, Vieira da Silva, Luís Ataíde, Antonieta Reis Leite, entre outros, foram consultados para se obter um enquadramento histórico adequado. Em paralelo, o Museu de AH, por intermédido de FPL, forneceu preciosos elementos de trabalho.

E, feito este apanhado da evolução do espaço, MAGGIE apresentou a sua proposta. Audaciosa, inovadora, rompendo os estreitos limites da baía (embora a estreiteza dos limites mais difícil de bater seja talvez a dos terceirenses), a aprendiz de arquitecta quer dar um outro enquadramento à sua cidade.

Não avançamos pormenores - afinal, trata-se ainda de um trabalho inédito!

Esperamos que MAGGIE depois nos descreva o projecto e seus detalhes - e que coloque aqui algumas das belíssimas imagens que captou, ou uma foto da sua maqueta!

Por enquanto, fica aqui uma palavra de incentivo: FORÇA MAGGIE!

Esperemos que o projecto vá em frente, e que a baía de Angra continue a pulsar, sendo um dos centros nevrálgicos da urbe! E que esteja tão viva em 2010, com a proposta de MAGGIE, como no século XVIII, quando o muitas vezes tio da autora, José Joaquim PL, capitão-governador de Damão, nela fez escala ao regressar do longínquo Estado da Índia! :)