sexta-feira, 1 de março de 2013

A 9 de fevereiro ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR

Coimbra, lamentavelmente, está habituada a ter autoestradas tarde – conclusão da A1, adiamento das ligações a Viseu e Oliveira de Azeméis, esquecimento do eixo para a Covilhã – e caras (a A14 para a Figueira da Foz). Novidade é o tarde e caro, como acontece, agora, com a A13, que entrou em exploração no troço entre Condeixa e Tomar. Ainda assim, temos de nos congratular com a nova via estruturante que, podendo potenciar o desenvolvimento de territórios do interior, contribui, muito, para a reafirmação da centralidade que queriam retirar a Coimbra.
Para Pedro Machado, insistente, a participação isolada de Coimbra na Feira de Turismo de Madrid não dignifica a cidade. Provavelmente terá razão, mas, insistimos também nós, teria porventura mais dignidade Coimbra assistir impávida e serena ao esbulho da sede da Entidade Regional de Turismo do Centro?
Depois de Lisboa, o “Expresso” veio até Coimbra onde está a comemorar – um debate sobre saúde e segurança social e exposição patente na Praça da República – o seu 40º aniversário. Relevando embora a efeméride e a forma descentralizada de a assinalar, preferíamos, sem questão, quando o respeitável semanário “celebrava”, em cada dia, na cidade e centro do país, através da sua delegação coimbrã, a sua existência … nacional e regional!
Cláudia Tenório é a apresentadora do programa Rede Vida Visita, que esteve em Coimbra – cidade “cheia de charme” de que confessava “estar apaixonada” – para mostrar, no país irmão, uma realidade que muitos, cá dentro, pretendem, pelo menos, escamotear. Com imagens feitas em tempo chuvoso que não fixaram (para além da beleza de sempre) a luz que a envolve em dias mais claros, este foi, apesar dos pequenos erros, um bom serviço que, substantivamente, naquele registo de entusiamo e calor que lhes são próprios, o canal católico brasileiro prestou – disse Cláudia, comigo concordante –, a “uma das três cidades mais importantes de Portugal”. A ver, a rever e a viver, no YouTube.
Outrora, esperava-se que as populações demarcassem os locais de atravessamento mais favoráveis para, então, se definirem, enquanto passeios, tais “caminhos de pé posto”. Agora, em frente do Moinho Velho, na Jorge Anjinho, retira-se passadiço e obriga-se a atravessar o relvado (ou optar por escorregadia ponte ou complexa confluência de escadas), em nome, julgo, de alegada dissuasão de estacionamento proibido que, sabe-se, deve ser precavido por outras formas. Valorizando embora a gestão dos pequenos pormenores, fundamentais para a vida na urbe, até parece que os serviços municipais não têm mais nada com que se preocupar, que fazer, apesar de, bem ao lado, o amplo espaço que cerca a nova escola primária se manter ao abandono quando deveria ser, já, um repousante jardim. Onde seria obrigatório, também aí, não pisar a relva …
A Comissão Organizadora da Queima das Fitas, sinais da crise, tem à venda, em regime de saldos (!), bilhetes para as Noites do Parque; o café Atenas, já não há respeito, foi assaltado; a Unitefi, na Figueira da Foz, lamentavelmente, viu decidida a sua liquidação pela assembleia de credores, assim lançando no desemprego mais 130 pessoas; e, em cidade sem tradição carnavalesca, nem as dificuldades financeiras obstam aos esforços de Francisco Andrade e da Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais que, amanhã, persistem na realização de corso, ou cortejo alegórico, não sei bem, no Norton de Matos.
Enquanto a Orquestra de Sopros de Coimbra, parabéns, celebrava no Gil Vicente os seus trinta anos, e aquele espaço cultural anuncia programação de dança (área em que a cidade é manifestamente deficitária) para este mês de fevereiro, a Escola da Noite leva à cena – tem ainda hoje e amanhã para apreciar – no Teatro da Cerca, a peça “Novas diretrizes em tempos de paz”, um belo texto de Bosco Brasil; a Lousã, justamente orgulhosa, apresentou o programa comemorativo dos 500 anos do seu Foral Manuelino; a Critical Software, que alcançou o nível máximo de certificação de qualidade, vai promover em Coimbra a realização de um seminário internacional sobre sistemas críticos de alta integridade (seja lá isso o que for), com a participação, nem mais, de responsáveis das principais agências espaciais do mundo; e um levantamento dos sem-abrigo na cidade altera – ficam os novos valores, a mesma preocupação por tão sério problema social – para cerca de duzentos indivíduos as quase seis centenas que outros estudos indicavam.
António Cabral de Oliveira

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