sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A 1 de dezembro ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR

Na frieza dos números, o retrato, irrefragável, de uma realidade que se pressentia: Coimbra continua a perder população – menos cinco mil habitantes, de acordo com os resultados definitivos do censo 2011, agora divulgados – em contraponto com todos os outros distritos litorâneos do arco atlântico que vai de Braga até Setúbal. E de duas, uma: ou os responsáveis olham com particular atenção para este fenómeno de desertificação, agora também no litoral, comprometendo-se com a sua correção, ou, na inversa, teremos de dar os parabéns àqueles que, politicamente, se têm empenhado em obscurecer Coimbra enquanto terceira cidade do país. É que, paulatinamente (e não são nada boas as perspetivas de futuro próximo, designadamente no setor da saúde) parecem estar a conseguir os seus maquiavélicos propósitos…
As declarações de Isabel Jonet quando dizia, em substância, não devermos “ter expectativas de que poderemos viver com mais do que necessitamos, pois não há dinheiro para isso”, provocaram um conjunto de dislates por parte de gente ignota e ignara que importa desvalorizar. De facto, embora naturalmente contrariados, é bom convencermo-nos, todos, também ao nível local, que mesmo crescendo um pouco, no futuro, em termos económicos, não voltaremos a ter, cada um de nós, o “el dorado” que, pura ilusão, julgávamos haver alcançado há alguns anos. Vamos, indispensavelmente, viver com menos dinheiro, também, auguramos, com maior dignidade humana, sem tiques de sobranceria, de novo riquismo. Nem em Portugal, nem em lugar algum, receamo-lo, do nosso mundo ocidental. E, já agora, a propósito do aventado boicote à recolha do Banco Alimentar contra a fome, a decorrer neste fim de semana, vou, com esforço, procurar dar em dobro. Por respeito para com o empenhamento comprovado de Isabel Jonet e seus, tantos, colaboradores, também, sobretudo, pelas necessidades de portugueses mais carenciados.
Helena Freitas recordou, defendendo-o, o projeto do anel verde da cidade – em essência, a ligação entre a Quinta das Lágrimas, Parque do Mondego, Botânico, Sereia e Sá da Bandeira, já referido por Costa Lobo, mas que Cristina Castel Branco, no seu enlevo por jardins, apresentou a Coimbra em 2006 – e que, inexplicavelmente, não se conseguiu ainda concretizar, sobremodo, julgo, por dificuldades na abertura da mata do Jardim Botânico, uma limitação que, sendo diretora do equipamento, e atendido o interesse agora reiterado, poderá vir a ser ultrapassada a brevíssimo trecho. Entretanto, e a propósito, que diabo de ideia aquela a de pôr, qual imenso piquenique, os conimbricenses a “marmitar” e, porque não, a “internetar”, logo naquele espaço nobre que é o Botânico. Já estou a ver os cidadãos a transpor, finalmente, o portão que “preto é, Galinha o fez”, para, de portátil ou IPad na mão, deitarem mão à perna de frango que a crise obriga, honradamente, a trazer, na lancheira, de casa…
Por falar em Quinta das Lágrimas, o Arcadas da Capela perdeu – uma pena para a restauração de Coimbra e da Região Centro, mas de todo não surpreendente – a estrela Michelin que detinha há anos, como resultado, natural, de políticas de redução de custos, nomeadamente com cortes no pessoal, com evidentes repercussões (não há milagres!) na qualidade do serviço prestado.
A Bluepharma, empresa de Coimbra especializada na produção de medicamentos genéricos recebeu – parabéns Paulo Barradas – o Prémio PME Inovação COTEC, enquanto a Fundação Bissaya Barreto entregou a José Mattoso e a João Salaviza o Prémio Nuno Viegas do Nascimento. Em paralelo, João Gouveia Monteiro foi distinguido com o Prémio Gulbenkian “História da Europa” da Academia Portuguesa de História e, também felicitações, Adérito esteves é o primeiro vencedor do Prémio de Jornalismo Adriano Lucas.
A Estação Nova foi qualificada, e bem, pela Câmara Municipal de Coimbra como monumento de interesse público. Queira Deus que um dia destes a edilidade não venha a classificar um qualquer barracão da Estação Velha – afinal sempre é mais antiga – o que daria azo à Refer para nunca mais construir uma nova e moderna estrutura, antes fazer perdurar, ainda por mais tempo, o inenarrável apeadeiro onde, em Coimbra, vergonha nossa, costumam parar os comboios…

António Cabral de Oliveira

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