domingo, 14 de junho de 2015

A 25 de abril ACO escreveu

RIO ACIMA, SEM MOTOR

"Tem de haver" uma solução para "um parque judiciário digno da cidade", disse, e quero também crer que sim, o presidente do Conselho Superior da Magistratura. Mas no que já não consigo acreditar tanto é na certeza de António Henriques Gaspar de que Coimbra "merece mais do que aquilo que tem". Não pela afirmação em si. Obviamente. Antes porque o histórico da nossa democracia me diz que, antes de nós, havemos de ter mais e melhores de tais instalações físicas em Lisboa, em Lisboa e em Lisboa, depois no Porto e no Porto, ainda – afinal onde estão os votos? – em Braga e Aveiro...

Congratulei-me, absolutamente, com o "encontro oficial dos Presidentes das Câmaras Municipais de Coimbra e Viseu", que, segundo a letra do comunicado final, "lança uma nova ponte na história da cooperação das duas (seja lá isso o que for) cidades-região". Fazendo-me lembrar Fernando Ruas, é bom, de facto, ver outra vez o presidente da urbe de Viriato a querer – duplicando o IP3 – uma ligação em autoestrada direta a Coimbra. E não a norte ou a sul, como vinha defendendo, nunca para aqui. Tudo, com certeza, fundado nos superiores interesses da Beira, não em eventual receio, de Almeida Henriques, de ficar a ver futura ligação passar ao largo da sua terra. Algo que nós, por cá, em favor da coerência territorial da região e das nossas afinidades com Viseu, de todo não desejamos...e os viseenses, julgo, nunca lhe perdoariam.

Ao princípio era o Metro. Agora, a olhar para a última assembleia geral, o nada. E continuamos a endeusar quem, no "desenvolvimento regional", garante ser aquele um projeto insustentável. Cidade diferente, esta.

Trinta e cinco anos depois – é obra! – parece que os trabalhos de emparcelamento e regadio do Baixo Mondego (apenas, ainda, dê-se tempo ao tempo, do vale central) estarão quase concluídos. Entretanto, precavido, seguro de bem compreenderem o porquê, peço desculpa pelo recurso, ainda, ao condicional.

A Manutenção Militar, que aqui funcionava desde 1899, vai encerrar a sua delegação em Coimbra – também em todas as restantes cidades onde estava instalada – para ficar aberta apenas, outro fenómeno, no Entroncamento, e, adivinhou...em Lisboa!

O profundíssimo apreço em que tenho o voluntariado ainda genuíno – e a única diferença em relação aos profissionais passa apenas por algumas naturais limitações horárias, nunca por menor exigência e capacidade de desempenho – leva-me a saudar, muito vivamente, os 35 novos elementos que se juntam à família coimbrã da Cruz Vermelha Portuguesa. Hoje, com remoçado dinamismo e uma maior capacidade operacional, a delegação da humanitária entidade bem merece, mobilizemo-nos, o apoio que agora pede à cidade.

O jornal britânico The Guardian escolheu 10 dos melhores locais na Europa onde passar férias com os filhos, sendo um deles, exatamente, o distrito de Coimbra. Depois de o ter feito em relação a praias e ruas, o influente diário, falando concretamente em Tábua, mas publicando uma fotografia da colina do saber, distingue, agora, a nossa zona – inclui, também, o Alentejo –, aconselhando, sempre com o mar e a serra da Estrela tão perto, fazer paddling (chapinhar, remar) no rio Mondego, visitar aldeias em redor, explorar a histórica cidade que acolheu a primeira universidade de Portugal. Um abraço, Pedro Machado.

O executivo municipal aprovou – lê-se em nota de imprensa –, acordos com as freguesias que vão permitir, já não era sem tempo, a (afinal) normal concretização das competências e os montantes para a sua atividade; a anunciada expansão da Idealmed também se fará para a China com a construção, numa primeira fase, de 25 unidades de saúde de elite; gosto do novo merchandising, "Património Mundial", da UC; para não estragar a imagem do primeiro, não fui, sequer, ao segundo programa do Mês da Dança, no Gil Vicente; Paulo Trincão, satisfazendo, parece, todos os mandantes – mas não Victor Gil e sua equipa –, deixa o Botânico e assume a presidência do Exploratório; e hoje, ainda todos os dias, saibamos bem apreciar a Liberdade.


António Cabral de Oliveira

A 18 de abril ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Há agora, parece, dois olhares sobre o Choupal. O que, acusando desvalorização, o PS tem; esse outro, que é também o meu (e entretanto, penso, do PSD), que vê uma notória melhoria no estado geral da sua conservação. E a divergência, quero crer, terá, sobretudo, a ver com o mando, que a atual maioria camarária quer, em nome da cidade, para si. Mas, questiono, quando se reconhece, claramente, um esforço por parte do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas para ter bem cuidado aquele espaço magnífico, e há ainda tanto, mas tanto, a fazer na cidade – novos jardins, como o da Solum; continuação do parque Mondego, na margem direita; expansão do Choupalinho, margem esquerda fora; recuperação desse espaço magnífico que é a tão pouco cuidada Sereia; e plantação de novas árvores, desde logo nas tantas caldeiras vazias – não será muito mais avisado o município exercer, aí, amplamente, a sua vontade política de valorizar o verde, deixando, exigente embora, para as instâncias nacionais a obrigação de permanente valorização da Mata do choupal, também a de Vale de Canas?

O governo, no "imenso" respeito que tem pelo poder local e pela sua autonomia, decretou a fusão dos sistemas de abastecimento de água, por aqui criando o designado Centro Litoral, que abarca Coimbra, Aveiro e Leiria. Perante a quase total contestação dos municípios – que vão, generalizadamente, recorrer aos tribunais – um presidente de câmara, contudo, está feliz: Álvaro Amaro, cuja cidade, a Guarda, fica sede de uma coisa chamada Águas de Lisboa,Vale do Tejo e EPAL, que, percebe-se afinal bem porquê, ocupa metade do território da região Centro. Enfim, "democraticidades", critérios...

A propósito do anúncio de renovação da plateia (470 lugares) do Gil Vicente, com obras marcadas para o período de junho a setembro, fico a perguntar-me como é possível Coimbra não conseguir organizar-se para encontrar formas de custear – e falamos, não mais, de uns 100 mil euros – as restantes 294 cadeiras do balcão. Se a universidade, inacreditável, não disponibiliza as verbas suficientes, se a câmara municipal não desce a terreiro em apoio mais efetivo a uma casa de cultura que, apesar de académica, serve, e de que maneira, há tantos anos, a cidade, que se vendam, então (se todos comprássemos, bastava um euro por cidadão), por exemplo a dez euros, bilhetes simbólicos para espetáculo imaginário.

Na celebração dos seus Dia do Município, enquanto a Pampilhosa da Serra afirmava não desistir da EN344, de ligação a Pedrógão, Tábua exigia a requalificação do IP3. Não posso estar mais de acordo. Mas acho que tenho de oferecer aos autarcas a região – para que quererão eles bons acessos? perguntarão não poucos – um mapa que lhes mostre o quanto longe estão de certas paragens...

O Metro de Lisboa estuda o seu prolongamento até Alcântara, o do Porto quer a expansão da rede (para municípios vizinhos) com fundos comunitários do Portugal 2020. Em Coimbra querem impingir-nos – como se deixássemos! – camionetas para substituir a via férrea da Lousã.

Se a efetiva vontade do governo em descentralizar tivesse, mínima que fosse, correspondência com o número de vezes que o ministro Poiares Maduro vem até nós – sempre aproveita, digo eu, para visitar a santa terrinha! – e quase diríamos que o Terreiro do Paço teria deitado, Tejo fora, finalmente, o centralismo que tanto nos tem prejudicado enquanto país desenvolvido e territorialmente harmonioso.

Absolutamente justa e irrefragável a atribuição, por aclamada unanimidade, da Medalha de Ouro da cidade a Manuel Alegre; esteve difícil, muito difícil mesmo (a necessidade voto de qualidade, de um lado, a incoerência entre o discurso e o sufrágio, de outro), a renovação do contrato entre a câmara e uma empresa de comunicação cujos serviços, continuo a pensar, são de todo dispensáveis; o ISCAC quer abrir uma licenciatura em comércio, que, quando olhamos ao nosso redor, tanto bem nos poderá fazer, sobretudo em termos de reciclagem de saberes; depois da candidatura a Capital Europeia da Juventude, Coimbra quer ser, em 2017 – que mais ainda? – também Cidade Europeia do Desporto; ; e hoje, Alberto Martins, a quem a recusaram na crise académica de 69, volta a usar da palavra na iniciativa "7 séculos, 7 personalidades, 7 histórias" da UC.

António Cabral de Oliveira


A 11 de abril ACO escreveu

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Os mais dos edis do município de Coimbra, a atentar no que se passou na última reunião do executivo, não estão de acordo com a criação de uma linha de elétrico para Santa Clara, entre a Alegria e as Lages. Designadamente porque – tão evidente! – não vislumbram vantagem em termos de mobilidade, sequer interesse como valor turístico. Mas toda a cidade, quero crer, concordaria com a recuperação, simbólica embora, dos "amarelos". Basta fazê-lo, repito, no sítio certo. Entre a Praça da República e a Universidade, passando pela António Vieira e Arcos do Jardim. E descendo, quiçá, até à estação de recolha, através do Botânico. Pergunte Manuel Machado sobre esta hipótese – que serve a população académica e o turismo, permitindo ainda retirar muito do tráfego e estacionamento na Alta – e pode ser que se surpreenda (e se convença) com as respostas...

O regresso a Coimbra em domingo de Páscoa é sempre o mesmo tormento: uma fila imensa de trânsito, compacta e lentíssima, a tornar o IP3, sobretudo pelos sucessivos estrangulamentos de faixas de rodagem, ainda mais exasperante e perigoso. Fosse eu responsável pela Estradas de Portugal, ou membro do governo, de hoje ou das últimas décadas, e viveria cozido em vergonha. Entretanto, e sem nada ter a ver, seguramente, com a qualidade da nossa rede de estradas, aliás "excelente", Coimbra, di-lo o Relatório Anual de Segurança Interna, é o distrito que em 2014 teve o maior aumento do número de vítimas em acidentes de viação. Surpresa para quem?

Implacáveis, condóminos da Solum prosseguem a sua marcha de derrube sistemático, sem renovação, das árvores que tornavam mais aprazível e civilizado um bairro outrora modelo. Agora, a eito, foi outro pinheiro, magnífico, sem sinal de nemátodo ou diferente maleita. Doentes estarão, isso sim, os moradores, de tal jeito empenhados, parece, em copiar posturas "amazónicas". E a câmara municipal não terá, no caso, nada a dizer?

Os valores do desenvolvimento, ou não, do turismo da região Centro são como as questões em Direito: permitem, sempre, pelo menos, duas leituras. Entretanto, indubitável, a par da "invasão" pascal dos tão bem-vindos vizinhos espanhóis, congratulam-me, imenso, recentes números do INE que afirmam o crescimento de 18% nas dormidas, sobretudo de nacionais, em comparação com janeiro do ano passado.

Gosto, absolutamente, a fazer-me lembrar outra curiosíssima publicação, do "Almanaque (desanual) do Teatrão", através do qual aquela ativa companhia nos dá conta do amplo e diversificado programa para esta "primaverão". De se tirar o chapéu...

O Centro de Portugal, que, julgo, coincide ainda, a traços grossos, com a Beira, é "uma das regiões mais envelhecidas da Europa", conclui, sem qualquer novidade, João Malva, investigador da faculdade de Medicina da UC. Para logo acrescentar, face à perda de população e decréscimo da natalidade, a indispensável urgência de ser incentivada a instalação de empresas para a fixação de jovens. Também acho. Mas então, e depois, Lisboa e o Porto, as grandes "metrópoles", sempre a quererem mais gente, deixavam de crescer, de ser ainda maiores nas suas áreas suburbanas? E dou comigo a pensar, no nosso atavismo centralista, para que queremos nós estas (e tantas outras) conclusões científicas? Para nada, está bem de ver...

Meliço-Silvestre e Cunha Vaz, as minhas homenagens, receberam relevantes e muito justas distinções por parte do ministério da Saúde; oito toneladas de desperdício mensal de alimentos nas cantinas universitárias, julgam bem os SASUC, é realmente demasiado desaproveitamento; o mapa de um anúncio a hotéis na Serra da Estrela mostra ligações a Coimbra apenas através das A1, 23 e 25 (sim, eu sei que o que interessa são as "grandes" cidades), dele não constando – hei de não ir lá – os acessos mais diretos; ao contrário das melhores expetativas, depois de mais de meio ano de justificável paragem nas capturas, o regresso da “sardinha da nossa costa” à lota da Figueira da Foz...fica adiado por mais um mês; e sobre o que ocorreu na escada de peixe do açude-ponte, que levou à morte de dezenas de lampreias e sáveis, será que ninguém é responsabilizado, e todos, na Agência Portuguesa do Ambiente, continuam a ter a classificação de muito bom?


António Cabral de Oliveira

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A 4 de abril ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Depois do excelente trabalho, pela universidade, de recuperação do Colégio da Graça, eis agora, renovada na sua fachada, também muito bela, a Igreja do Carmo, da Ordem Terceira de S. Francisco. A norte, na Rua da Sofia, só fica a faltar o templo em honra de S. Pedro. O que me leva a perguntar sobre o que se passa com aquele património, sob alçada da Casa de Saúde de Coimbra, que permanece encerrado, impossível de se visitar, porventura transformado, quem sabe, num qualquer arquivo morto. Ou, Deus meu, coisa que o valha!

Afirma-se, por aí, que a decisão política sobre a autoestrada Viseu-Coimbra e linha ferroviária de ligação a Espanha ficam proteladas para o próximo governo. A ser verdade – e hoje em dia, em relação ao futuro desta destroçada região, já nada me surpreende – quase poderíamos dizer que assim vamos, embora sem cantar nem rir, de adiamento em adiamento, até ao descalabro final. Então, só o sentir Beirão nos sobrará. A alguns.

Com o projeto aprovado, a manifesta vontade política da maioria dos edis, e ultrapassados os receios de quem temia que o subsolo guardasse uma qualquer preciosidade arqueológica (que ali só poderia ser, talvez, algum porto fenício), quero crer que brevemente teremos em execução as obras de arranjo urbanístico e paisagístico do Terreiro da Erva. Inadiáveis e a incluírem, sem demora, a recuperação da fábrica da Cerâmica Antiga, velha olaria instalada em ancestral lagar de frades, bastião último, e inestimável, da faiança de Coimbra.

A universidade de Coimbra embandeirou em arco por ser considerada – a par das do Minho, Porto, Aveiro e (Clássica e Nova) de Lisboa, como 'very good' em ranking financiado pela União Europeia. Também era só o que faltava que não fosse...

A CP lançou um concurso público para os serviços alternativos ao comboio da Lousã, válido por três anos. Se calhar quer dizer – e como gostaria de não estar a ser irónico! – que dentro dos cerca de 1.100 dias previstos no contrato já teremos aí a circular, todo pimpão, contributo decisivo para o desenvolvimento, o Metro Mondego...

Regressou o Funtastic. Agora, nesta época pascal, depois, anuncia-se, lá mais para o verão. Apenas um autocarro, e ao longo de pouco mais de seis meses. Em sinal, evidentíssimo, quando olhamos para outras cidades, do quanto caminho, também em termos turísticos, temos ainda pela frente.

No âmbito de um Fórum Nacional, que teve lugar na cidade, estudantes de Enfermagem promoveram, em colaboração com as entidades municipais de proteção civil, um simulacro de acidente, exercício sempre de grande utilidade para otimização dos sistemas de socorro. E se apreciei a atitude responsável dos jovens académicos, gostei ainda mais de constatar – apesar de pequeníssimos pormenores a aperfeiçoar – o bom entrosamento, hoje, das diversas forças em presença. Muito bem.

A apresentação do Programa Operacional do Portugal 2020 para o Centro decorreu, concordaríamos generalizadamente, em Viseu. O meu receio é que a circunstância, que poderia, com certeza, ter acontecido também em Aveiro, Castelo Branco, Guarda ou Leiria, seja tida por aqui – ou entendida mais além – não como força da Beira, antes fraqueza política de Coimbra.

Foi aprovado o projeto de mais um hotel para a Alta – e dizem-me que muito provavelmente iremos ter em breve a indispensável unidade de cinco estrelas –, notícias excelentes, ambas, para a cidade; o município decidiu, corretamente, reduzir de forma significativa as taxas também para a instalação de atividades económicas na área considerada Património Mundial; Estudantina, um abraço, trinta anos de loucura académica; relevantíssima, de leitura imperdível e atenção obrigatória, a crónica de anteontem, aqui no DC, de Carlos Encarnação; e o CHUC, vá lá saber-se porquê, não foi incluído, como se fora dispensável, no projeto nacional de redução da infeção hospitalar.


António Cabral de Oliveira

A 28 de março ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR
Para celebrar o Dia da Árvore – ainda ver as benfeitorias que a câmara fez, bem, numa das entradas junto ao açude-ponte, e olhar a concretização da excelente ideia da PSP de plantação, no Choupal, de 200 pinheiros mansos –, fui até àquela mata nacional cujo estado de conservação, generalizada e repetidamente, tanto ouvimos criticar. E a surpresa, de todo inesperada, não podia ser maior. É que, ao invés do abandono, mau trato, sei lá que mais, encontrei um espaço limpo, com recentes e muito abundantes plantações de espécies nobres, pontes novas ou arranjadas, enfim, um agradabilíssimo parque verde. De que, para melhor usufruto de Coimbra, me apresso, com enorme satisfação, a dar nova à cidade. Enquanto enalteço o trabalho, excelente e com certeza perene, sempre melhorável, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Viseu não vai ficar de fora e perder centralidade, clama, agora, o presidente Almeida Henriques, a propósito de hipótese da ligação por autoestrada à nossa cidade poder vir a aproveitar (e esse, não foram as politiquices locais, devia ser, naturalmente, entre os itinerários complementares 3 e 5, o grande e único eixo rodoviário da região), o atual IC12. Dizendo que "não se comece agora a inventar outras soluções" – ele, que queria que o prolongamento da A14, por si defendido, ligasse com a A1 a norte ou a sul, mas não, nunca, em Coimbra, poderá estar ("quem mal anda, mal acaba", diz tão bem o nosso povo) "a comer o pão que o diabo amassou".

A Companhia Nacional de Bailado está a celebrar – a importância da memória – o legado dos 50 anos da fundação do Ballet Gulbenkian. Agora em Lisboa, depois em digressão nacional que, custa-me até a crer, não passa por Coimbra, cidade onde se guardam imensas, e tão excelentes, recordações daquela singular instituição de dança, extinta, faz cada vez menos sentido, dez anos atrás. E ainda há quem pergunte para que servirá o Centro de Convenções e Espaço Cultural do Convento de S. Francisco...

O presidente da câmara de Montemor-o-Velho, carregado de razão, considerou inadmissível, enquanto obra estruturante para terras do Mondego, a não construção da variante entre Taveiro e aquela vila. Mas julgará Emílio Torrão, também ele, estar o seu município perto de Lisboa, sequer cerca do Porto?

Recente trabalho jornalístico sobre "As cinco poderosas do meio judicial" evidenciava que, de entre elas, apenas a ministra da Justiça não tem ligação com esta cidade porquanto todas as outras – Anabela Rodrigues, Joana Marques Vidal, Elina Fraga e Maria José Costeira – nasceram e/ou estudaram em Coimbra. O que, não querendo significar nada de especial (cá vieram ao mundo, também, grande coisa, sem particular vantagem nossa, o primeiro-ministro e o titular do Desenvolvimento Regional, enquanto algumas outras altas figuras do Estado frequentaram os bancos da mais antiga universidade)...não deixa de ser curioso. Talvez, mesmo, significativo!

O edifício da Reitoria da Universidade do Porto está em obras para receber a grande unidade museológica que reunirá os espólios dos seus museus da Ciência e da História Natural. Em Coimbra, arriscaria dizer, se calhar um tudo nada mais rica em coleções, continuamos – sem dinheiro, sem rasgo e sem querer –, a adiar o que devia ter sido concretizado há anos...

A cidade reviveu, na Alta e em Celas, com aprazimento, a Feira dos Lázaros, recriada pelos grupos folclóricos, bem-hajam, da Casa do Pessoal da Universidade e de Coimbra; estudantes, naturalmente reivindicativos, celebraram, de forma distinta, o seu dia; a melhor natação portuguesa estará entre nós para aqui disputar os campeonatos nacionais, enquanto se anuncia a possibilidade da urbe receber – a valia dos nossos equipamentos – o centro de alto rendimento da modalidade para universitários; Luís Quintais venceu o Prémio Literário Fundação Inês de Castro; "Uma vez Coimbra, para sempre saudade", é o lema, bom, da Queima das Fitas; e, a partir da próxima quarta-feira, durante todo o mês de abril, regressam, deliciosos, a percorrer sempre, "Os caminhos da Baixa - o património doceiro de Coimbra".


António Cabral de Oliveira

A 21 de março ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Quando Rui Vilar, presidente do Conselho Geral, falando a propósito dos 725 anos da Universidade de Coimbra, denunciava, do alto das suas enormes responsabilidades, "as inércias e os bloqueios dos interesses instalados", referia-se a quê e a quem?...

Neste, desde ontem, tempo de primavera, lembro a Tité e aquele dia em que me falou, sublinhando o contraste com outras urbes, do perfume que em regra envolve Coimbra. Sem sabermos bem apreciar o que de excelente temos, fica a sugestão para passarmos a atentar melhor nos cheiros, magníficos, das flores e das árvores, agora ainda mais bonitas, nos nossos jardins e ruas. Que são tantas. E serão com certeza mais quando Manuel Machado, ele que as aprecia especialmente, cumprir por inteiro a promessa de plantar não interessa quantas, mas muitas, novas árvores (e flores) por essa cidade fora...

O óleo sobre madeira "Nossa Senhora com o Menino Jesus e dois anjos", pintura rara e de grande importância, agora, e em boa hora, comprado pelo Estado, é um trabalho de finais do séc. XV, de uma oficina de Coimbra. Mas, para onde julga que vai a obra do Mestre de Santa Clara? Se está a pensar no seu regresso a esta urbe, tire daí o sentido. É que a Direção-Geral do Património Cultural, inimaginável, outro opróbrio para todos nós, destinou-a, nem mais, não ao Machado de Castro, antes ao Museu de Arte Antiga. Em Lisboa, está claro. Isto, digo também eu, se a cidade e as suas instituições, por uma vez, cansadas de tanto centralismo, não exigirem a óbvia restituição. E, já agora, acompanhada pela Cruz de D. Sancho, também, incompreensivelmente, ali mantida.

As "Business School" do Porto e da Nova de Lisboa – peço desculpa, mas agora chamam assim a algumas escolas de gestão – vão, selecionadas por quem tem poder, e no âmbito de um programa comunitário, dar cursos de "capacitação avançada de líderes " a autarcas. Lembram-se ainda de quando Coimbra, centro nevrálgico do poder local, sede da ANMP e do CEFA, tinha na sua faculdade de Economia uma escola de referência que privilegiava estas questões? Agora, parece, servimos apenas para, apoucando até a nossa universidade, virem cá, não sem algum despudor, anunciar, para longe, programas de formação.

O lançamento do concurso para a construção da nova ponte de Corge, na ligação ferroviária Covilhã-Guarda, desativada há seis anos, é uma excelente notícia para toda a região. A menos que – e não quero sequer acreditar – , depois de construída, se decida, politicamente, como acontece com as obras no Ramal da Lousã, ser o projeto insustentável. Ali se criando, ao abandono, como os viadutos do alentejano IP8, mais um monumento à incapacidade governativa nacional.

Por empenhamento do município e interesse do concessionário, parece que vamos ter, assim otimizado, um parque de campismo de cinco estrelas. Fica a faltar igual atitude camarária – e também da entidade regional de turismo, julgo – para se alcançar a construção, na cidade, de um outro cinco estrelas, mas na hotelaria. Indispensavelmente, em favor, repito-o, da qualificação do nosso turismo.

Morreu, antigo reitor, Cotelo Neiva; o simulador de condução dos SMTUC, afinal, depois de tão jocosas críticas da atual maioria camarária, agora que se soube que a Europa o paga quase por completo, sempre serve para alguma coisa: garantir formação prática, melhor e menos onerosa, a motoristas; há estudantes do ensino superior a passar fome em Coimbra, diz, sem rebuço, para vergonha coletiva (mas mais de uns do que de outros), sacerdote ligado ao Instituto Justiça e Paz; para nosso alívio, não terá havido ingerência política – apenas erro, tardiamente reconhecido embora – na redação de ata de reunião do executivo camarário; com criatividade e inovação, mais sustentável, verde e com melhor eficiência, também eu quero Coimbra, para sermos ainda mais felizes, Cidade Analítica; foi apresentado, imperdível por lindíssimo, o livro sobre o Botânico "No Jardim há histórias sem fim"; e uma funcionária da Metro Mondego saiu da sociedade por – surpresa para quem? – não ter nada para fazer…


António Cabral de Oliveira

domingo, 15 de março de 2015

A 14 de março ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR
Um dia destes, a minha filha, muito ligada à sua terra, e a frequentar um qualquer curso de formação, confiou-me, verdadeiramente impressionada, o que ouvia dizer aos seus colegas sobre Coimbra. Opiniões muito negativas quanto à vida na urbe, de um imenso desencanto sobretudo no que se refere à possibilidade de emprego. Temos aqui, Manuel Machado, para resolução urgente, problemas seriíssimos, parece, ao derredor, desde logo, do "patriotismo da cidade".

A universidade de Salamanca, a mais antiga do país vizinho, prossegue, depois de Estrasburgo, a sua política de abrir escolas de castelhano em cidades como Lisboa, agora, no Porto, no próximo ano. Considerada como o "berço da língua espanhola" – e são já duas, assim, as similitudes com Coimbra – fico a pensar, vá lá saber-se porquê, que, enquanto uns a procuram, outros praticam-na. A globalização, está bem de ver...

Sem aeroporto não lograremos trazer até nós o novo turismo, sem alcançarmos colocar o Centro de Portugal na moda não conseguiremos fixar quem, de passagem, nos visita. Continua difícil, Pedro Machado, cá dentro e lá fora, pôr a nossa Beira à sua beira...

Em recente polémica com o governo sobre o número de investigadores que se dedicam ao mar, Ana Paula Vitorino, agora deputada, referia, nas suas elucubrações, que "o que existe atualmente resulta da quase carolice de quem está na carreira académica, no Algarve, em Aveiro, e de alguns no Técnico". Esquecendo, entre tantos outros, os centros de Coimbra, logo dois, e os seus cientistas. Se calhar, digo eu, é por termos tão bons políticos, assim profundamente conhecedores das nossas realidades, que o país, nomeadamente na área dos transportes, de que Vitorino foi secretária de Estado, está como está. De que é exemplo, aliás, a situação do Metro Mondego...

Caso "inédito" que não acontecia desde 1965, mas também "reposição de justiça", o Grão Vasco, em Viseu, uma excelente notícia para a Beira inteira, vai ser classificado como Museu Nacional. E, neste país onde todos querem ser e ter tudo o que os outros já são ou têm – atente-se no que se passa com as "candidaturas" a património mundial – estou curioso para ver certas reações regionais. Como, por exemplo, a de Aveiro no que respeita ao seu Museu Santa Joana Princesa.

O município está a promover, até outubro, um conjunto de visitas temáticas guiadas por entre percursos que abrangem, designadamente, o património construído, a Coimbra dos escritores, a Alta e a Baixa, jardins e fontes. Parece-me bem, muito bem mesmo, esta contribuição autárquica para ficarmos a conhecer melhor a cidade, a nossa, tão ignorada por tantos que nela vivem.

A secção Lazer, do jornal online Observador, traz todas as sextas feiras sugestões para, diz, um fim de semana em cheio, em três zonas do país: norte, centro e sul. Tão habituados que estamos à lamentável dicotomia Lisboa/Porto, que se lê em todos os outros, até estranho que um meio de comunicação social de âmbito nacional – obrigado David Dinis – olhe o país como um todo.

De visita à urbe, António Costa foi "sensibilizado" pelos pares socialistas (mas ainda é necessário, depois das suas anteriores responsabilidades no governo e dos muitos anos que o processo já leva?) para o problema do Metro; João Ataíde, no primeiro aniversário da CIM de terras mondeguinas, a que preside, quer – espero que sem prejuízo para as autarquias município e região – as comunidades intermunicipais constitucionalmente consagradas; se calhar porque se tratava de modernização e inovação, não foram mais de três dezenas os comerciantes de Coimbra, assim sempre ativíssimos, que estiveram na sessão promovida pela CMC, Agência de Promoção da Baixa e IAPMEI sobre a medida de apoio Comércio Investe; também em louvor das obras só aparentemente pequenas, aplauso para a recuperação e iluminação – uma linha contínua de luz passa a marcar os sucessivos troços – da muralha de Coimbra; e, depois do que por aí corre sobre a capital da juventude, e enquanto vemos no que isto vai dar, comecemos, com tempo, ponderada e sustentadamente, a trabalhar na candidatura à Capital da Cultura 2020.

António Cabral de Oliveira