sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A 8 de novembro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR
Do orçamento municipal para 2015 – que mal, Manuel Machado, as declarações sobre a redução da taxa do IMI e a "ameaça" de recurso ao Fundo de Apoio Municipal –, e depois dos projetos prioritários (S. Francisco, ação social escolar, habitação, lixo, iluminação pública, freguesias), sobrará pouco, muito pouco mesmo, cerca de dois milhões de euros, para novos investimentos camarários no ano de 2015. Ainda bem que a edilidade não aderiu, entretanto, aos demagógicos "orçamentos participativos". É que, se assim fora, não haveria, sequer, estas tão parcas verbas para áreas como a cultura, desporto, espaços verdes, urbanismo e reabilitação.

O município de Coimbra pondera a resolução do contrato de construção do crematório de Taveiro. Na sequência de iníqua desfeita para com a Santa Casa da Misericórdia, tem sido um errático desfilar de continuadas alterações e de permanentes adiamentos. Até, por fim, um dia destes, não haver mesmo cremação na cidade. Não a favor dos nossos mortos, antes, porventura, bem vivos, de outros interesses instalados...

A ministra espanhola de Fomento, Ana Pastor, ao falar, agora, sobre os enormes investimentos ferroviários do país vizinho, "esqueceu-se" de referir a modernização do principal acesso a Portugal, a eletrificação do troço entre Salamanca e Vilar Formoso, cujas obras, aliás, já deveriam estar concluídas. Ora aqui está uma excelente oportunidade para os nossos políticos regionais (alguns, pelo menos), em vez de andarem a inventar novas linhas, se afirmarem unidos na exigência, no plano nacional, do cumprimento do compromisso assumido por Madrid, designadamente na cimeira ibérica da Figueira da Foz. A bem do país e da Beira, que não dos interesses das suas paróquias...

O Magnífico Reitor comprometeu-se com o arranque, logo que possível, da segunda fase do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. Para além da alguma vacuidade nos termos, e apesar da proximidade de eleições – João Gabriel Silva anunciou, entretanto, nenhuma surpresa, a sua, parece que única, (re)candidatura – tomámos, de tanto,  boa nota. Para memórias futuras...

Depois de Maria Helena da Rocha Pereira ter sido agraciada pela Grécia com a Cruz da Ordem da Fénix em razão do seu contributo para o estudo da cultura clássica daquele país, Cristina Robalo Cordeiro, em reconhecimento dos serviços à francofonia, foi distinguida pela República Francesa com as insígnias da Legião de Honra. Enorme orgulho para Coimbra e universidade.

O Conselho Académico, tenho-o por tanto, é o órgão máximo do academismo na AAC/OAF. Tanto, tanto, o academismo, que, porventura reflexo do tempo atual, não consegue, sequer, reunir. Por falta de quórum!

Vou passar a ir às compras com sacos reutilizáveis. É que, comigo, o governo não conta para engrossar as suas receitas fiscais com os 40 milhões previstos com a taxa de oito cêntimos por cada "saco de plástico leve". E sempre fico de bem com a minha consciência ecológica, afinal o grande "propósito", dizem de S. Bento, da reforma tributária, da fiscalidade verde...

Uma jornalista (?) de diário lisboeta perguntava, em entrevista ao diretor de informação da RTP, um dia destes, como se tal questão não fosse, ela própria, um completo e inadmissível absurdo, se "a informação regional interessa realmente às pessoas". Perante tamanha incompetência plumitiva, também do diretor do I, quedo-me amargurado sobre o ponto a que deixámos chegar o jornalismo português. E não pode ser tudo atribuído, como é fácil alegar, às limitações financeiras que o setor enfrenta!


O Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses tem, na sua sede, em Coimbra, placa com o novo logótipo, mas médicos legistas é que nem tanto; culturalmente relevante a apresentação, na Casa da Escrita, com a participação do autor, do segundo volume das Obras Completas de Eduardo Lourenço; bem aproveitando, por fim, os, dizem-me, vastos e excelentes fundos fotográficos de Centro de Artes Visuais, está ali em exposta "Esta terra é a tua terra"; empresa espanhola – podia também ser chinesa ou da Bielorrússia – vai explorar o bingo da Académica; a Águas do Mondego, leia-se de Coimbra, volta a receber o selo de qualidade exemplar; e, na passada segunda-feira, mais para ajudar, simbolicamente, a associação de comerciantes a pagar à Câmara a taxa de dez euros para a ocupação de espaço, do que para festejar os Santos, fui comer uma belíssima febra ao mercado...municipal.

António Cabral de Oliveira

A 1 de novembro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR
Não sei em que pé está o programa que, em 2015, faria de Coimbra, não sejamos modestos, "a primeira cidade do mundo com iluminação pública totalmente LED", investimento que permitiria (sempre o condicional) uma significativa poupança energética de 70%, e consequente economia em custos. Mas, enquanto esperamos pelas tais 35 mil luminárias do projeto europeu Transparanse, e depois da plantação, bem, de arbustos no separador central, não poderia a Câmara mandar instalar, para já, na Emídio Navarro, uns candeeiros que melhor iluminem a faixa, no sentido nascente, junto ao Parque? Porventura, quem sabe, com a tal tecnologia de...díodo emissor de luz!

Em conversa mantida com o renovado 'Correio de Coimbra' – que só subsistirá com o apoio, assinando-o, desde logo da comunidade dos cristãos –, monsenhor Leal Pedrosa, na sua elevada opinião, diz não entender como se fechou, na cidade, o Instituto Superior de Estudos Teológicos. Eu, olhando a urbe e a sua localização geográfica, a academia, o enorme e vazio seminário maior, também não...

O Congresso dos Bombeiros Portugueses aplaudiu, com uma enorme salva de palmas, a disponibilidade de Coimbra, afirmada por Manuel Machado, para receber o Museu Nacional do Bombeiro. Um projeto que Jaime Soares, entretanto reeleito presidente da Liga – um abraço –, vai, com certeza, ele que teve a ideia inicial, dinamizar com empenhamento inteiro.

Começámos, por aí fora, a inaugurar – e inaugurar é sempre uma festa – Espaços do Cidadão. Queira Deus que, nesta fúria de cortar despesas (preferencialmente fora da capital, está bem de ver), não andemos a "plantar" em cada município um eucalipto que vai secar os alguns pinheiros (leia-se serviços públicos) que ainda por lá se mantêm...

Quase não acredito. "A Cabra", jornal universitário de Coimbra, órgão da seção de jornalismo da Associação Académica, tem estado (esperemos que apenas até depois de amanhã) com a publicação suspensa por falta de colaboradores. Mas será possível que numa universidade com quase 25 mil alunos, dos quais três centenas são de jornalismo, não haja quem escreva umas peças que assegurem, com qualidade, a regular edição do quinzenário?! Bendita academia que tais estudantes – e professores – tem...

Segundo a imprensa, os Transportes Urbanos de Braga vão investir 135 milhões de euros, em dez anos, no que chamam de metro de superfície (mas, em boa verdade, um sistema BRT - veículo rápido de transporte, sobre pneus), e na aquisição de novos autocarros, para o que querem contar com substantivo apoio da União Europeia. Entretanto, por cá, continuamos à espera de boas notícias relativamente ao Metro Mondego, enquanto os SMTUC negoceiam a compra de autocarros...os mais deles em segunda mão!

Para Regina Duarte – de acordo com um marcante e lisonjeiro trabalho editado na revista UP da TAP – Coimbra, de que confessa ter ficado apaixonada, é não só "uma sede do conhecimento universal", mas também "capital do amor em Portugal" e, ainda, "uma viagem no tempo". Visitar a cidade era um seu sonho antigo, confessa, para logo acrescentar que, concretizado este, "mas só em parte, vou voltar para conhecer melhor e realizar o resto". Tem a palavra o município, o Turismo do Centro. Ou talvez não...

Em boa hora regressado, o Festival Caminhos do Cinema Português, que aqui vai decorrer nos meados do próximo mês, foi apresentado...em Vila Nova de Gaia. Para além das vistas, belíssimas, e dos patrocínios, indispensáveis, continuamos, assim, provincianamente, a olhar, embevecidos, para as “metrópoles”!

Uma maior redução do IMI, forçada pela oposição, confirma, Manuel Machado, a precariedade da “maioria” socialista no executivo camarário; a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, "porque não é possível conceber um futuro sem memória", promoveu na cidade, honra lhe seja, uma homenagem à antiga Casa dos Estudantes do Império; um mês antes da sua jubilação, Vital Moreira foi empossado professor catedrático da Universidade de Coimbra; colaboremos, todos, no peditório anual da Liga Contra o Cancro; e, excelente, o Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (ativo e saudável) parece que sempre vai acomodar-se no antigo Pediátrico.

António Cabral de Oliveira

domingo, 26 de outubro de 2014

A 25 de outubro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Fui ao novo "jardim" da Solum de Baixo – assim designávamos, antigamente, a expansão urbana, a nascente, do velho bairro – para me passear por passeios imaginários (apesar de já debuxados e até iluminados), cheirar os "relvados" há pouco cortados, apreciar canteiros que rescendem a flores inexistentes, descansar à sombra de árvores ainda não plantadas. Uma pena o estado de abandono em que se mantém aquele espaço, ali na Jorge Anjinho, junto da moderna escola, apenas à espera de um pequeno investimento, feito desejavelmente com meios próprios, pela câmara ou pela junta de freguesia (ou ambas), a permitir a sua valorização e entrega ao inteiro usufruto da comunidade...

A Universidade de Coimbra, excelente, é a preferida pelos estudantes brasileiros quando vêm estudar para Portugal. Para otimizar, desejavelmente, o quadro, pode ser que o resultado das eleições de amanhã no Brasil dite uma nova política que, em português, nos reaproxime, ou, pelo menos, não nos continue a afastar. Porque, cada vez mais, vemos Terra de Vera Cruz – a História que foi comum, a Língua que já o foi mais – não como um país irmão, antes como...um país primo, e afastado, em terceiro ou quarto grau!

Não desgosto do projeto camarário de uma linha de elétricos Lages-Alegria, sobretudo se prolongada, pela margem do Mondego, no sentido da Boavista-Portela. Mas gosto muito mais de uma outra que, com pouco menos de dois quilómetros, e perfeitamente integrada na rede urbana de transportes, faça a Alta universitária/Praça da República, assim servindo, privilegiadamente, o ano inteiro, para além do turismo, o acesso dos estudantes às Escolas. E viabilizando, ainda, coisa não despicienda, a retirada, dali, de muito do tráfego automóvel.

Fui um dia destes visitar, na Praça do Comércio, a 'chronospaper', curiosa oficina de livros, seus restauros e encadernação, onde, naquele ambiente delicioso, gostei de ouvir os proprietários falar da loja e do futuro, da vontade de concretizar novos e mais amplos desafios. E fiquei a pensar na importância de uma política municipal que apoie a preservação, e são já tão poucos, de estabelecimentos comerciais históricos e imperdíveis para Coimbra – prestemos atenção ao trabalho de Rui Moreira – de que é paradigma (e não a refiro, para além do seu valor e fantástica beleza, por mero acaso) - a farmácia Nazareth.

A cidade e a comunicação social parece terem embandeirado em arco com a atitude (afinal apenas louvável) dos que se empenharam, muito bem, em acabar com a selvajaria estudantil do lançamento ao Mondego, depois da latada, de carrinhos de supermercado. De exaltar seria, isso sim, era que as instituições académicas, pura e simplesmente, e de uma vez por todas, vedassem – também cuido que, na medida do possível, deve ser proibido proibir – a sua utilização nos cortejos.

Para além das quebras que todos registaram, o Museu de Aveiro foi, no primeiro semestre do ano, dos tutelados pela SEC, o mais visitado na Região. Pode ser que assim todos nos convençamos, depois da maledicência lamentavelmente habitual, que políticas regionais com epicentro em Coimbra, só por o serem, não são – bem pelo contrário – prejudiciais para os nossos interesses coletivos, no caso no campo da cultura. E não justificam, de todo, intentonas de fuga para norte ou para sul, antes nos devem fortalecer como território – as Beiras – coeso e em harmonioso desenvolvimento económico e social.

Enquanto continuamos, ensurdecedor silêncio, à espera de novas sobre a autoestrada Coimbra-Viseu, muitos têm sido os acidentes que continuam a ocorrer no IP3. Se o problema não é, de certeza certa, associável – não o admito sequer! –, à dimensão e qualidade da via, a que se deverá ele?

Manuel Machado mostrou-se satisfeito com o primeiro ano do seu novo mandato; a figura histórica de D. Sesnando, e seu legado na formação da "Coimbra, Cidade Aberta", foi tema de relevante congresso; a urbe, honraria nossa, recebe este fim de semana o Congresso da Liga dos Bombeiros Portugueses, que, permitam-me repeti-lo, muito gostaria abordasse a instalação, na cidade, do seu Museu Nacional; e, seguindo a sugestão de António Vilhena, fui, em boa hora – faça o mesmo –, visitar as três exposições que aconselhava em crónica recente: pintura, no Museu Chiado; escultura, na Casa Municipal da Cultura; e fotografia, na Sala da Cidade.


António Cabral de Oliveira

A 18 de outubro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Um dia destes fui olhar – ao que leva o sonho! – os carros elétricos, assim recuperados, na linha da universidade. Estive na Padre António Vieira, na Rua Larga, na Calçada Martim de Freitas, na Alexandre Herculano, na Praça da República. E vi passar os velhos amarelos cheios de estudantes, de turistas, de cidadãos que gostam de percorrer a antiga urbe, de viver o seu património…

A Associação Académica quer que professores e alunos tenham igual poder de decisão no órgão de governação da Universidade. Para além da extravagante influência das entidades externas, era só o que nos faltava...

Fiquei a perceber o porquê de tantas e tão inusitadas limpezas no monumento aos Combatentes da Grande Guerra, na Sá da Bandeira: é que vem cá, hoje, que bom, não para anunciar o que nos deve (o Metro Mondego), mas para inaugurar placa, o primeiro-ministro…

Relevante, inquestionavelmente, a certeza de Coimbra receber, em Santa Clara-a-Velha, em outubro de 2015, a terceira edição da Feira do Património. Um evento magnífico, em espaço admirável, que se quer associado às comemorações dos 725 anos da Universidade. Escolas que, assim, podem vir a sentir-se particularmente motivadas para, em ano eleitoral, celebrarem a efeméride também com uma importante vertente cultural através, não se peça mais, do início das obras da segunda fase do Museu da Ciência, no Colégio de Jesus.

Depois de distinta comitiva da CCDRC ter ido a Bruxelas conhecer algumas das "ferramentas" financeiras do novo quadro comunitário com vista ao fomento sustentável do emprego e do crescimento, sabe-se que vai ser instalado, na sede da Comissão, em Coimbra, para ajuda na elaboração de candidaturas a fundos europeus, um gabinete de apoio ao promotor. Uma iniciativa estupenda, desde que os haja, claro, os promotores...

Quando o turismo religioso e o património mundial são, manifestamente, trunfos da região Centro, como foi reconhecido também durante celebração recente, porque não abre à aviação civil, em favor de tamanha vantagem, e com tão parco investimento, o (indispensável) aeroporto de Monte Real/Leiria-Fátima-Coimbra?

Se a Agrária de Coimbra só preencheu pouco mais de 30% das vagas existentes, mas, mesmo assim, di-lo o seu diretor, continua a ser uma das escolas nacionais com maior taxa de colocação, algo está mal, muito mal mesmo, em termos de ensino e do futuro da agricultura. A lavoura, sabem, o tal sonho de modernidade, o novo eldorado que o governo tanto vem propalando, enquanto, significativamente, não substituiu sequer o demissionário secretário de Estado das Florestas; os orizicultores do Mondego se debatem com uma doença nas suas culturas que ameaça as colheitas; e o país continua a importar, apenas alguns exemplos, 32% de carne de porco, 55% de bovino, e 75% dos cereais que consome.

Menos dado a doces, pouco importa à minha algibeira o desejado imposto sobre o açúcar. Contudo, já o mesmo não posso dizer em relação ao sal, que muito aprecio. O que me leva a admitir uma ida até à Figueira da Foz para, entretanto, fazer provisão de uns quantos quilos do precioso cloreto de sódio. É que se ao governo (sempre com a exclusiva preocupação, bem-hajam, da nossa saúde) lhe voltar a dar, amanhã, para taxar produtos com elevado teor de sal, imagino – a olhar para o que nos vai caindo em cima – o quanto impenderá sobre o sal puro, ele próprio...


Pedro Miranda, que sucede a Leal Pedrosa depois de 37 anos de serviço excelso, é o novo vigário geral da diocese; uma nota de apreensão para o estado do piso da, antes, rotunda de Santana, agora, com certeza, do Património, tanta a antiga calçada a descoberto; aí está, com a universidade, em boa verdade, quase paralisada nas suas aulas durante uma semana, a (para quando, de novo, as latadas?) Festa das Latas; a Académica/futebol distinguiu, bem, os sócios de prata e ouro; e, organizados pela Orquestra Clássica do Centro decorrem, até sábado, sempre marcantes, os Encontros Internacionais da Guitarra.

António Cabral de Oliveira 

A 11 de outubro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Depois de única a nível nacional, e partindo das vantagens imensas que daí advêm – a sua respeitabilidade e prestígio, porventura mais do que no país, são ainda reconhecidos internacionalmente – a Universidade de Coimbra, nas singularidades que lhe são próprias, tem de ser, paradigmaticamente, com ou sem mais aulas em inglês, a grande escola, global, referência maior do ensino superior em língua portuguesa. Mas isso só é alcançável – e é, de facto, alcançável – com muito trabalho, uma imensa qualidade científica, dedicação inteira e, sobretudo, um projeto ambicioso e exigente que, com inteligência, liderança forte e o empenhamento de todos os seus corpos, projete os antigos Estudos Gerais para a excelência, para o lugar que é o seu. Sem desculpas demográficas ou outras, sem justificações economicistas, apenas com a certeza, indisputável, de que estudar, ensinar ou investigar em Coimbra, para além de diferenciador e garante de valorizados amanhãs, é, enfim, orgulhosamente, nem melhor nem pior... é único!

Uns, olhos postos na vitória, prometem, de novo, a descentralização, o fortalecimento e democratização das CCDR. Outros, na expetativa da não derrota, reuniam, assim regionalizadores e preocupados com a desertificação do interior, na "longínqua" Ansião. Useiros e vezeiros no incumprimento de promessas, para ambos, felizmente, o ridículo não mata. Se matasse, já não teríamos políticos. Deste jaez, pelo menos...

Ora eis um projeto – a recuperação do Terreiro da Erva – do maior interesse para a cidade. De um lado, concretiza uma praça capaz de restituir dignidade a um espaço urbano indispensável para a revitalização da Baixinha; por outro, viabiliza a sua reconquista para uma usufruição inteira por parte da comunidade coimbrã. Na expectativa de que o restauro da magnífica "Fábrica do Lagar", da Sociedade de Cerâmica Antiga de Coimbra, ficará, efetivamente, para uma já pensada segunda fase, o meu mais absoluto aplauso.

Uma pena, na última reunião do executivo, as dificuldades da atual maioria camarária em compreender a agora minoria quanto às preocupações, legitimíssimas, de proveito e valorização da marca (ou imagem, ou identidade, o que seja) Coimbra.

Neste tempo de redes – nunca, a propósito de tudo e de nada, ouvi falar tanto da indispensabilidade dessa, chamemos-lhe assim, teia de interesses e influências – acho muito bem a ideia de unir, na região Centro, em rota cultural e turística, os lugares Património Mundial. Alcobaça, Batalha, Coimbra e Tomar são – curiosamente todos a sul, "longe" da Plataforma A25 –, os territórios em boa hora envolvidos em plano interessantíssimo.

A fazer-me lembrar, vá lá saber-se porquê, designações da (para poucos saudosa) primeira República – e num dia em que na aberta, fraterna e inclusiva Coimbra, monárquicos e republicanos celebraram, lado a lado, sentados na mesma mesa de debate, os cinco de outubro de 1143 e de 1910 –, Marinho Pinto apresentou na cidade, sem precisar de descer a Lisboa, valha-nos o exemplo, o seu novo Partido Democrático Republicano.

Maratonas, marchas, caminhadas, corridas, sei lá que mais, entraram nos bons hábitos de Coimbra. De dia, à noite, para federados ou simples cidadãos, homens, mulheres e crianças, são, têm sido, inúmeras as provas. Todas a pé, claro. Como aconselha a medicina...e recomenda a crise!


Morreu Fernando Rebelo, os meus sentidos respeitos, que foi, magnífico, professor e reitor da Universidade, também cidadão empenhado em tantas causas (e lembro a luta contra a coincineração) de Coimbra; o Prémio Nacional de Saúde 2014 foi atribuído, parabéns, a José da Cunha Vaz, assim destacando "notável contributo para o desenvolvimento da oftalmologia no país"; o padre João Castelhano, longa vida, celebrou com a sua comunidade de S. José os 40 anos ao serviço da paróquia; a associação de basquetebol homenageou, muito justamente, Apolino Teixeira, um dos nomes maiores da modalidade; e a cidade passou a dispor de um hospital veterinário (universitário, mas não da Universidade de Coimbra) da escola Vasco da Gama.

António Cabral de Oliveira

A 4 de outubro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Quando a presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa, carregada de razão, dizia, referindo-se à ligação Coimbra-Viseu, que "infelizmente foi opção de governos anteriores fazer outras autoestradas que se justificavam menos", como se sentirão, hoje, esses responsáveis, como se assumem, também, os políticos regionais? Sem ponta de vergonha, todos, está bom de ver, quando os olhamos, por aí, nas suas continuadas caminhadas de Estado ou partidárias, alguns ainda ativos, convencidos, outros, serem venerandos, ou pelo menos respeitáveis, "senadores"...

Olho o mapa e não quero acreditar. Então, agora, em termos de reestruturação do setor das águas, o Centro fica dividida ao meio, o litoral para um lado, o interior para Lisboa e Vale do Tejo! Ou é a demência completa que por aqui, pelas Beiras, continuamos, mansamente, a consentir – o Alentejo e o Algarve exigem, obviamente, respeito pelos seus territórios –, ou o melhor é, de uma vez por todas, fazer a "regionalização" com uma única região: Lisboa.

Já ouvi Augusto Mateus em tantos locais e tão diversas circunstâncias apresentar planos e estratégias de desenvolvimento regional que, sem querer apoucar o seu trabalho, não acredito, olhando para o estado do país, em nada do que se enuncia. Mas isto sou eu, assim cético, a falar. Se calhar, o documento apresentado, no âmbito da CIM vai ser, não a salvação da Pátria, mas o esteio para o relançamento político, social e económico de terras de Coimbra enquanto espaço de progresso e bem estar.

A Direção Regional de Cultura do Centro vai dedicar especial atenção – e verbas – ao programa Rota das Judiarias, de âmbito nacional, mas que terá ampla expressão na Beira. Entretanto, Coimbra, com um riquíssimo património – nomeadamente os banhos rituais judaicos (mikvá), estrutura medieval em magnífico estado de conservação descoberta na Baixa –, empenhadíssima, como se afirma, no fomento do turismo, ainda está a analisar...a sua adesão à Rede de Judiarias de Portugal!

A Assembleia Municipal aprovou, na sua última reunião, um financiamento de cerca de seis milhões de euros para requalificação de edifícios no centro de Coimbra. Recentemente, o presidente da SRU do Porto tinha-se mostrado otimista quanto ao alargamento da reabilitação urbana a toda a sua cidade, prevendo que as novas áreas de intervenção venham, nos próximos 15 anos, a beneficiar de "cerca de 200 milhões de euros de investimento público" e de "1.300 milhões de investimento privado". Para além da diferença de escala, quedei-me, meditabundo, a pensar que por cá também temos, julgo ainda, uma SRU...

Volta a ser imensa a qualidade da programação das "Quintas do Conservatório". Depois, esta semana, de Pedro Burmester, as, neste tempo, "Cores de Outono", afirmam aquela iniciativa da Liga de Amigos como um dos valores efetivos na vida cultural de Coimbra. A não perder. Até outubro.

A propósito da noticiada abertura (já nem sei quantos são) de mais dois supermercados na urbe, recordo, não sem um sorriso, José Diniz dos Santos, fundador e proprietário da então monopolista rede Colmeia, que a todos nos conseguiu convencer, durante tanto tempo, sobre a impossibilidade económica e inconveniência social de Coimbra dispor daquelas grandes superfícies!

Hoje e amanhã, peque, submeta-se ao "suplício dos doces", delicie-se na VI Mostra de Doçaria Conventual e Regional de Coimbra, em Sant'Anna; Gonçalo Byrne trouxe ao Machado de Castro – para ali ficar em exposição –, o prestigiadíssimo Prémio Piranesi, que, para orgulho nosso, ganhou com o projeto de reconversão e ampliação do museu; Júlio Ramos, unionista dos quatro costados, um abraço, foi justamente homenageado na cidade; a Ramos e Catarino, bom (só fica a faltar a de Coimbra), construiu, em Valência, a maior loja IKEA de Espanha; e a Festa do Cinema Francês regressa ao Gil Vicente, não esquecer, de 6 a 10.


António Cabral de Oliveira

A 27 de setembro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Foi sol de pouca dura. O hospital universitário de Coimbra, de acordo com o ranking anual elaborado pela Escola Nacional de Saúde Pública, já não é, este ano, o melhor do país. Contudo, depois do portuense S. João, mantemos, do mal o menos – o primeiro dos últimos –, a segunda posição. Ainda com algum orgulho, é certo, mas (pensando sobretudo nas cantadas mais valias da fusão) absolutamente inconformados.

As Comunidades Intermunicipais, antigo projeto de Relvas contra políticas efetivamente regionalizadoras, são, continuam a ser, para o governo, as instâncias certas para resolver, territorialmente, as questões e os desafios que estão além dos municípios e aquém, não das regiões, mas da nação. Assim, de uma só penada, o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, sem respeitar, sequer, a presença, a seu lado, da presidente da CCDRC – uma palavrinha, Castro Almeida, breve que fosse! – reiterava, na posse do Conselho Estratégico para o Desenvolvimento Intermunicipal da Região de Coimbra, a "elevada" consideração em que (não) tem as – ainda – NUTII. Que São Fillan, padroeiro contra a insanidade, lhes e nos valha...

Para o Jardim Botânico, espaço de inquestionável excelência, promete-se um "programa cultural de qualidade", também a "intervenção do século", nomeadamente ao nível de infraestruturas. Dentro em breve teremos, desejavelmente, tudo isso. Contudo, a atentar nas generalizadas queixas de abandono e desmazelo, na manifesta falta de manutenção ditadas por severo desinvestimento, poderemos, então, receio-o por exagero...é não ter jardim!

Um inquérito recente promovido pela Universidade mostrava que 65% dos turistas que a visitaram desconheciam que Coimbra é Património Mundial da Humanidade. Aí está, à evidência, o resultado do "mui excelente" trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelas Escolas, elas próprias, mas também pela Câmara Municipal, pelo Turismo do Centro, pela Estradas de Portugal.

Ao ponto a que chegaram, salvar as repúblicas estudantis de Coimbra poderá ser, receio-o, um projeto que não valha, sequer, a pena. Também porque, neste tempo de Liberdade, a meritória função que, reconheça-se, historicamente desempenharam, é hoje assegurada, com vantagens inúmeras, pelos serviços sociais da universidade. Para memória – o património, a cultura, essas coisas –, talvez seja suficiente preservar, através da sua musealização, uma ou duas das mais representativas. E, de preferência, não com estudantes, antes com figurinos de papelão!

É um prazer saber-se que em 76% dos lares de Coimbra se faz já a seleção de resíduos, números acima da média nacional, e encorajadores para se alcançarem metas ainda mais exigentes. Assim haja dinheiro para a melhoria de equipamentos e meios, que, em favor da urbanidade, atitude cívica não nos há de faltar.

Acabou, diz a Fundação, a "aventura" do ensino superior, começa, para formar quadros do setor, a Bissaya Barreto Saúde. Viva o Portugal dos Pequenitos...

Decorreu, outrora luzida, a cerimónia de Abertura Solene das Aulas na universidade; o movimento Cidadãos Por Coimbra – como que a antecipar a imensa (e imperdível) programação deste fim de semana a propósito das Jornadas Europeias do Património e Dia Mundial do Turismo –, debateu, com profundidade, muito bem, a classificação da UNESCO enquanto herança fundamental e projeto coletivo inadiável; a bandeira verde ECOXXI, que premeia as boas práticas em prol do desenvolvimento sustentável, não distinguiu, percebe-se porquê, Coimbra; para além da certificação de gestão de qualidade, parece haver, sem se apurarem culpados – mas como é possível?! – desvio de verbas nos Serviços de Transportes Urbanos; e, obrigado José Eduardo Simões, já chegou à Solum (ao pavilhão da Académica), "valorizando-a" comercialmente, a primeira loja chinesa!


António Cabral de Oliveira