sexta-feira, 14 de março de 2014

A 8 de março ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Não sei, naturalmente, o quê. Mas sei que a Câmara Municipal e os seus órgãos técnicos têm, sem questão, de tentar resolver os sérios problemas de trânsito que, de passagem, sobretudo nas horas de ponta, tanto dificultam a vida na Solum, que já foi, recorde-se, em termos de bem-estar, uma zona residencial de Coimbra com muito melhor qualidade. Apostar no metro? Desviar fluxos de tráfego? Ampliar a circular interna? Semaforizar e desnivelar rotundas? Não tenho de saber. Mas quero saber como intenta a autarquia minorar um problema que ultrapassa, já, os limites do razoável...

Manuel Machado fez lindamente em promover uma visita ao Convento de S. Francisco. Para ali todos nos podermos aperceber e sentir – fiquei com a ideia de que muitos, mesmo entre os decisores da cidade, só agora tiveram, verdadeiramente, um efetivo contacto com a obra – a dimensão e relevância daquele empreendimento municipal. A exigir, também a todos, e quando estamos a apenas dois pequenos passos da sua inadiável conclusão, uma atitude responsável, empenhada e ética, sem outros interesses que não sejam, exclusivamente, os do desenvolvimento da cidade.

A Universidade de Coimbra pretende subir a percentagem de estudantes estrangeiros para os 20% nos próximos anos. Ainda bem que, de acordo com o reitor, tal estratégia procura não só "colmatar o subfinanciamento", mas também "reforçar a qualidade e o cosmopolitismo científico e intelectual". Desta feita, gosto de o saber, a grande preocupação não será só o dinheiro...

Absolutamente esclarecida e esclarecedora, ao que leio, a intervenção do presidente da CP durante uma conferência no Casino da Figueira da Foz. Sobretudo – um abraço Manuel Queiró – quando advoga, naturalmente, nos antípodas da ficção científica, não novos projetos, antes a modernização da linha da Beira Alta...

Primeiro foram os historiadores, conservadores e restauradores profissionais, depois estruturas do ministério da Cultura, mais recentemente o Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja, todos a verberarem, entretanto, o "restauro" – que até a mim parece muito mau – das 13 imagens do Santuário de Nossa Senhora das Preces, na beirã Aldeia das Dez. Se o trabalho foi efetuado já em 2007, apetece perguntar o que andaram a fazer todas aquelas personalidades e entidades, antes, durante e depois da intervenção "criminosa, danosa e prejudicial para o património". O espaço de sete anos decorrido desde então é demasiado tempo sobre o que nunca deveria ter acontecido. Tamanho alheamento (e essa displicência e incúria é o que mais me inquieta) não augura, para o futuro, nada de bom...

Leio e quedo-me estupefacto. Então não é que Fernando Serrasqueiro, ainda deputado, anterior governante, não tem o dislate, agora, de vir defender, em artigo de opinião, que na nossa região, para ser coerente, homogénea e diferente do resto do país, urge promover-se uma articulação e ligação entre os principais centros urbanos e, mais, que a coesão interna, sob pena de as suas franjas serem atraídas pelo Douro e pelo Tejo, só se fortalecerá com ligações rápidas de e para Coimbra! Com uma assim tão clarividente noção da realidade territorial, apetece perguntar o que tem andado o albicastrense, como nós também beirão, e enquanto político ativo, a fazer.

Pastéis de Santa Clara, manjar branco, barriga de freira, crúzios, arrufadas e cavacas, estes os bolos escolhidos pelas seis pastelarias que integram, uma prazerosa tentação, "Os caminhos da Baixa – o património doceiro de Coimbra", iniciativa de inquestionável interesse cultural e turístico (esperemos também comercial), a que, gulosamente, importa nos sacrifiquemos...

Com uma programação desafiante tem início, esta semana, a não perder, o ciclo primaveril das "Quintas no Conservatório"; João Ataíde, sem surpresa, é o novo presidente da CIM Região de Coimbra; recuso-me a acreditar que o herbário da universidade – com 800 mil plantas – possa vir a fechar portas se não se encontrar, neste país com tanto desemprego, quem renda, a dois dias da aposentação, a sua única (!) funcionária; o Instituto de Medicina Legal garante, também era só o que faltava, que a sua sede permanecerá em Coimbra; enquanto Pedro Machado preside à nova Associação Nacional de Turismo, Pedro Ribeiro, parabéns para ambos, é coordenador de informação da estrutura regional da rádio e televisão públicas; a Académica, que belíssima sensação para todos nós, os seus apaniguados, garantiu, já, a permanência; e, no seu dia, uma saudação, hoje, muito especial, para as mulheres.


António Cabral de Oliveira

A 1 de março ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Deviam ter vergonha na cara para, pelo menos, não sujeitarem os jovens desempregados – tenham eles doutoramento, ou apenas, como se dizia no meu tempo, a quarta classe – a tais despautérios, a tamanho opróbrio. Se o Centro de Emprego e Formação Profissional de Coimbra não consegue arranjar-lhes trabalho, ao menos não atente contra a sua dignidade (a dignidade humana, sabem o que é?) quando os obriga à frequência de uma "formação" de 25 horas, de muito escassa valia prática, pela qual recebem 28,25 euros. O que significa, porventura, uma remuneração de um euro por hora, acrescido de 3,25 euros, quiçá para os transportes, talvez como contributo para o desgaste da sola dos sapatos, única forma, a apeada, de, com tais valores, chegarem, naqueles 7 dias, ao local da formação! Deus os e nos ajude...

Cheio de razão nos motivos que advoga – e quero cingir-me a apenas esses – o atual presidente da CCDR do Centro não se candidata a novo mandato. Entretanto, pelo meio de desmentidos e de silêncios anuentes, começam a ser conhecidos os nomes dos que, licenciados há pelo menos 12 anos, pretendem, com inteira legitimidade, liderar, por uma forma pretensamente administrativa, uma instância que deveria ser, persisto, política, e democraticamente eleita.

Durante a última visita do secretário de Estado das Infraestruturas e Transportes a Coimbra, parece que o presidente da EP teria explicado que a autoestrada de ligação a Viseu não poderá ser comparticipada por dinheiros europeus já que a Comunidade classifica Portugal (confundindo a parte com o todo) como um país superdesenvolvido nesta área. Perante as dificuldades resultantes da falta de dinheiro do Estado, e a indispensabilidade da construção daquela rodovia, pergunto se não será possível vender uma das AE que abundam, sem tráfego que as justifique, na região de Lisboa, para, com o proveito, se concretizar aquela estrutura e, talvez ainda, se o negócio correr bem, os IC das esquecidas terras da serra da Estrela.

Aí está, em toda a sua aparente plenitude, seja ela o que for, a saga Câmara Municipal/MRG a propósito do convento de S. Francisco (da Ponte, como, bem, Manuel Machado insiste em lhe chamar), da sua transformação em Centro de Convenções. E enquanto ficamos a aguardar os próximos folhetins – que, entre pedido de indemnizações e resolução de contratos, por certo, digo eu, não levarão a nada de jeito –, Coimbra, adiada, continua à espera. A ver a cultura, também o turismo, a passar. Pela ponte, talvez, a caminho de outras mais diligentes paragens...

Para além do resultado concreto da iniciativa – a exposição de fotografias patente nos claustros do Colégio de Santo Agostinho – fica, sobretudo, a riqueza humana, a relação de ternura (não tenhamos medo das palavras) estabelecida entre os jovens universitários e os idosos da Alta envolvidos do Projeto REALidades, em boa hora promovido pelo CEIFAC. Num espaço urbano que se quer mais acolhedor para quem lá vive, a intergeracionalidade e os afetos à volta de uma máquina fotográfica.

O bispo de Aveiro é o novo bispo do Porto. Cidade, esta, que continua, assim, até em termos de igreja, a haurir aquela. Sempre em benefício do Norte, com prejuízo para o Centro. Sobretudo para aquele território – e cultura – que integra (identidades antigas, recordam-se?) a Beira Alta, a Beira Baixa e a Beira Litoral...

Quando a Universidade comemora, parabéns, 724 anos, inicia-se, também hoje, com uma programação rica e imensa, participe, a Semana Cultural; o Quebra, bar histórico de tantas vivências, reabriu, remodelado; incapazes de manter estruturas regionais que nos diferenciem, a AHRESP, para substituir a Associação dos Industriais de Hotelaria e Restauração do Centro, inaugurou, não a sede, mas a sua delegação na cidade; o secretário de Estado do Desporto mostrou-se determinado para, Deus o guarde, angariar verbas do QREN (as únicas de facto existentes) para a renovação do estádio universitário; perdemos, diria naturalmente, para Leiria, do mal o menos uma urbe da região, a final, coisa com certeza insignificante, da Taça da Liga; e o PS organiza, em Coimbra – embora a nossa situação preocupe, também não é caso para tanto –, uma conferência nacional sobre...proteção civil.


António Cabral de Oliveira

A 22 de fevereiro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Fiquei com a ideia, a crer nas suas declarações públicas, de que a vinda de três governantes – das áreas dos transportes e equipamentos e do desenvolvimento (?) regional – a Coimbra, para participarem em trabalhos sobre as Infraestruras de Elevado Valor Acrescentado e no Conselho Regional, significou absolutamente coisa nenhuma, o vazio. Que não há dinheiro, nada está garantido, que Portugal é o (e não um dos, senhor ministro Poiares Maduro) país mais centralizado da Europa, e outras banalidades quejandas, já nós sabíamos, e sobretudo sentíamos, há muito, aqui na Beira...

Neste tempo de crise, leio que, não interessa quem, serão 15 os candidatos à presidência da CCDR do Centro, e ainda 25 e 26, respetivamente, a cada uma das vice-presidências. Uma farturinha (este o estado da Nação!) quase fazer lembrar um bodo... a distribuir a não pobres!

Pese embora a inteira credibilidade científica que me merece o autor do Diagnóstico Social do Município de Coimbra, Henrique Soares de Albergaria, até me custa a crer nos números divulgados sobre os sem-abrigo na cidade. Será mesmo possível que se encontrem nas nossas ruas 739 (contra os 593 em 2010) cidadãos assim postergados? Não será que se estão a somar os valores de cada uma das equipas que saem em seu auxílio? Seja como for, estamos perante um problema grave que, socialmente, nos deve preocupar. Deveras.

Linhares Furtado, Emanuel Furtado e a vasta equipa da Unidade de Transplantação Hepática do CHUC foram, numa gala essencialmente de emoções, justamente homenageados durante as comemorações dos 20 anos da transplantação pediátrica em Coimbra e, enquanto único centro nacional, no país. A cidade e a região orgulhosas.

Manuel Machado, dias atrás, a propósito da estátua de Bissaya Barreto, junto ao Portugal dos Pequenitos, fez apelo a arquitetos e paisagistas de bom gosto no sentido de darem sugestões para recolocação do monumento. Inteiramente de acordo – há, pelo menos, que encontrar, ali, um espaço, com dimensão adequada, para a escultura ser olhada apenas de frente – aproveito para sugerir que se faça o mesmo em relação ao "piano" da Praça da Canção, levando-o, porventura, para os inexpugnáveis laranjais a montante...

Tenho, de há muito, o maior respeito pelas ações da APPACDM e simpatizo, ainda, com a ideia da casa de chá do jardim da Sereia. Contudo, parece-me que assumir a responsabilidade por todo aquele espaço verde é tarefa imensa que – embora com a valorizadora colaboração daquela entidade – deve permanecer nos serviços da autarquia. Também para que a Associação possa continuar, ali, a afirmar cidadania.  

Compreendo bem o sentimento de indignação que se apossou de tantos dos comerciantes do mercado D. Pedro V com a chegada, pelo correio, de multas aplicadas pela ASAE. Sobretudo em relação a situações como aquela que levou a parca reforma de uma velha vendedeira que, para reforçar com mais 25 tostões os minguados proventos que recebe – e não para se ver deles assim espoliada – ali vai vender, ocasionalmente, três molhadas de grelos e quatro de espigos. Gente muito simples e, para vergonha nossa, ignara, para as quais temos, indispensavelmente, de encontrar soluções legais mais justas.

Um aluno da faculdade de ciências – até parece que podia fazê-lo já que a polícia não o deteve e o reitor viu-se obrigado a emitir despacho específico para proibir a sua entrada na universidade – terá ameaçado colegas com uma caçadeira que levava no carro; deputados do PS (não vale a pena empenharem-se muito porque ela, se e quando for construída, sê-lo-á sempre) querem a autoestrada Coimbra-Viseu portajada; pode ser que a celebração dos 25 anos da eleição de José Manuel Viegas para a AAC seja, nestes tempos conturbados, um exemplo moralizador; a instalação do IKEA em Coimbra, uma boa notícia, tem luz verde da CCDRC; porque se calhar já havia (julgo que já só falta, mesmo, a da batata frita em palito) a congregação dos rojões e da batata, foi agora criada a confraria dos rojões com grelo e da batata à racha; o Teatrão, muito bem, tem estado a promover, em iniciativa que decorre até amanhã, um olhar sobre a arte da representação que se faz no Baixo Mondego; e foi anunciada a programação, entre 1 de março e 1 de maio, da Semana Cultural da Universidade, iniciativa relevante que, para além da mais longa, se quer participada e sempre melhor.


António Cabral de Oliveira

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A 15 de fevereiro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra é a melhor unidade pública do país, enquanto garante, também, a liderança em cinco agrupamentos de doenças, conclui o estudo anual da Escola Nacional de Saúde Pública. São resultados naturalmente magníficos que nos orgulham e em muito contribuem para manter elevadas as expetativas, as mais exigentes, quanto à necessidade de Coimbra continuar a ser considerada como pólo de excelência em matéria de saúde. Assim assegurando uma qualidade que queremos ver sempre confirmada por cada um de nós, mas todos, os que, e quando, tivermos de recorrer aos seus serviços...

Valerá o que valer, a classificação. Mas porque persisto na certeza de que Coimbra é a terceira cidade do país – possui um amplo conjunto de valências que, para além das "metrópoles", não encontramos em nenhuma outra –, não gostei de ver os resultados do "Portugal City Brand Ranking" (qualquer coisa parecido com melhor marca), que nos coloca, a nível nacional, numa ainda assim não totalmente lamentável quinta posição. Quanto trabalho, Deus meu, temos pela frente para afirmarmos a justeza, até garantirmos a inexistência de dúvida.

Bem sei das naturais fragilidades construtivas, também do imenso peso dos anos. Mas não deixa de ser preocupante, e muito, que – ontem a Sala Grande dos Actos, agora a capela da São Miguel – a Universidade de Coimbra continue a mostrar sinais de (recuso a denominação ruína) degradação material. Não serão, provavelmente, como afiançam, situações graves. Mas são, com certeza, sintomas...

Uma desavença política entre o anterior e o atual presidente da Câmara foi momento marcante na última reunião do executivo. Todavia não valerá a pena zangarem-se muito. É que, porventura, ambos têm razão!

Nos últimos dias do mandato de Barbosa de Melo, era a vinda de chineses. Nos primeiros (novos) dias de Manuel Machado, são os indianos e os filipinos. Tudo em favor do investimento, talvez para ver se chegamos, como clama Sansão Coelho – força e um abraço – aos 300 mil habitantes.

Aplaudo a posição reivindicativa da CCDR do Norte – de que não deixará de colher dividendos – que, ao contrário da congénere do Centro, não cala a sua contestação ao financiamento de projetos que vão ao arrepio do princípio da promoção da convergência (aquela de querer construir, a todo o transe, um novo porto em Lisboa, é supina!) em que deve radicar, mas não no nosso país, a atribuição dos fundos estruturais.

Um abencerragem, assim raro, escrevia, um dia destes, no respeitável "Público" – jornal que, mesmo nos artigos de opinião, deveria saber obstar a tais enormidades –, a propósito não interessa do quê, esta joia: "melhor fosse que ele, o Museu, ficasse em Lisboa, sendo nacional". Então para aquele iluminado, fundador, subscreve-se, do Fórum Cidade de Lx, na capital, por o ser, têm de estar sediados todos os equipamentos desse âmbito, enquanto, apenas um exemplo, Freixo de Espada à Cinta, por não o ser, não pode nunca acolher uma qualquer estrutura nacional?! E depois nós é que somos os provincianos...

A morte de Jorge Lemos, mais um amigo que parte, deixa a cidade de luto; Maria Helena da Rocha Pereira, nome maior da universidade coimbrã e portuguesa, vai ser justamente homenageada com a edição da sua obra; Helena Freitas, uma pena, depois de muita concordância e tanto desacordo meus, anunciou a suspensão da sua coluna quinzenal de opinião neste jornal; parece que andam por aí, pela região – não as abatam, por favor – empresas "gazela", jovens e com bom crescimento; muito saboroso o biscoito "Beijo de D. Sesnando" com que Carla Silva venceu, utilizando exclusivamente produtos endógenos da região, curioso concurso promovido pela Rede de Castelos e Muralhas do Mondego; e é lembrando a ação fundadora do seu primeiro diretor, Jorge Costa, que sublinho, hoje, o início das comemorações – parabéns para todos – dos (já) 25 anos da Escola de Hotelaria.

António Cabral de Oliveira

A 8 de fevereiro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

A Câmara Municipal de Coimbra, em mais uma medida de transcendente relevância para a cidade, talvez para celebrar os 100 dias do novo exercício, mandou juntar os dois estacionamentos do parque verde do Mondego. Fez bem. Para além de alguma poupança, sempre nos dá o exemplo de como, afinal, todas as maiorias – pelo menos enquanto não chegam os executivos homogéneos – deviam olhar, nas suas diferenças, as várias oposições na edilidade: o primado do que une, e não, sempre, o privilégio do que separa.

O presidente e os vice-presidentes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, abrenúncio, vão ser escolhidos, pela primeira vez, através de um concurso público, entretanto já aberto. E nós a sonharmos – santa ingenuidade política! – com a eleição, sim a eleição dos nossos mais altos representantes regionais...

Foi aprovado o novo mapa judicial, com 20 tribunais extintos e outros 27 a serem transformados em secções de proximidade(?). A maioria no Centro e a Norte, a quase totalidade no Portugal profundo. Tudo e sempre contra a desertificação, em favor da melhoria da qualidade de vida dos cada vez menos que persistem em ficar…

Socialistas, depois de terem estado tantas vezes e por tanto tempo no poder sem a construírem, exigem, agora – o meu incentivo – a execução definitiva da autoestrada Coimbra-Viseu. Se hoje é o PS, amanhã será (ou seria, se, quero acreditar, as obras arrancarem entretanto) o PSD ou o CDS. Enfim, constrangimentos de uma região sem peso político e ainda afastada, embora não assim tanto, das metrópoles...

Na sequência do relatório do grupo de trabalho que sistematizou as infraestruturas de valor acrescentado – valha ele o que valer de um ponto de vista de decisão política – a Região Centro tem de fazer ouvir o seu mais veemente protesto pelo facto de não ser reconhecida qualquer prioridade (o sempre omitido Portugal profundo) aos projetos dos itinerários complementares da zona da serra da Estrela, e também o atirar para as calendas gregas da retoma da ligação Covilhã-Guarda, na Linha da Beira Baixa. E já agora, porque não se assume no documento, de forma clara e explícita – quem teme o quê?- que a ligação ferroviária para Vilar Formoso aposta, naturalmente, a partir da Pampilhosa, no melhoramento da Linha da Beira Alta?

Tem sido um fartote. Desde que as televisões nacionais (re)descobriram não a tradição inteira –  das serenatas não há sequer notícia, das Queimas apenas a contabilidade de bebedeiras –, mas apenas o que demasiados chamam de "praxe", são sequentes os diretos a partir (como gostam de dizer) de Coimbra. Primeiro, a RTP, do Gil Vicente, depois, mais brevemente, a SIC, do Santa Cruz. Ficamos a aguardar, agora, não sem curiosidade, o que – porventura apenas mais montra e conversa que não leva a lado algum – nos reserva a TVI...

Exemplar o interesse e a persistência como Hélder Abreu, primeiro à frente da junta da freguesia da Sé Nova, agora da União de Freguesias de Coimbra(!), tem vindo a procurar dinamizar , com a empenhada colaboração da Associação Formiga Rabina, o mercadinho do Calhabé. Onde estive, este fim de semana – que saudades das belíssimas sardinhadas estivais, ali tão agradáveis – para, depois dos chícharos, dos enchidos, de muitos outros produtos gastronómicos nacionais, participar, agora, no festival dos cogumelos. Uma iniciativa que, na sua imensa simplicidade, animou um espaço camarário, assim comum, cuja valorização nos deve, a todos, obrigar.

A Universidade de Coimbra – distinção que reconhece o seu trabalho na biodiversidade e ecologia, enquanto favorece a lusofonia – recebeu a primeira cátedra Unesco em Portugal no domínio das ciências naturais; as Beiras, relevante, mantêm-se como a região com menor taxa de desemprego no país; o governo, coerente, reconduziu o conselho de administração do CHUC; ao ler alguma imprensa dita nacional a propósito da última deslocação da Académica a Alvalade cheguei a pensar, à míngua de referências à equipa de Coimbra, que o Sporting tinha jogado sozinho; e, muito agradável, com um enquadramento paisagístico excelente – apreciaremos, entretanto, o serviço, a carta e a cave –, foi inaugurado novo e promissor restaurante, o Gustav, na Quinta de S. Jerónimo.

António Cabral de Oliveira

A 1 de fevereiro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Algo vai mal quando é possível que até o simples plantar de uma meia dúzia de arbustos seja notícia. Pode não querer significar nada para além disso mesmo. Mas pode ser um sinal, também, disso mesmo, do nada. E é esse não acontecer, em Coimbra, que me preocupa. Muito.

Porque é que só menos de metade dos militantes do distrito – e em Coimbra, leio ainda, apenas 14,3% – participaram na votação de Pedro Passos Coelho enquanto candidato, único, a líder do PSD? Sendo que os totais nacionais não estiveram assim tão longe da unanimidade, será porque a crise apenas atinge terras do Mondego, ou, antes, pela forma sobranceira como a administração central (veremos, por exemplo, qual a atitude do governo a que preside face à listagem do grupo de trabalho para as infraestruturas de valor acrescentado, designadamente quanto à inadiável autoestrada de ligação a Viseu e ao Metro Mondego, peça fundamental, este, para o sistema metropolitano de mobilidade) continua a tratar a cidade?

Na senda, ironizemos, do inequívoco e continuado trilhar de caminhos que com certeza levam à regionalização administrativa do país, foram agora extintas as direções regionais de Economia. A que se seguirão, já não duvidamos (são, julgo, os que faltam) os serviços descentralizados da saúde e da agricultura. Pedra a pedra, assim se desmantela o edifício construído, se derribam os bastiões últimos de um projeto político a que almejávamos – e nos tornaria mais homogéneos no nosso desenvolvimento, mais iguais a uma Europa (ainda) progressiva – mas que vícios seculares e governantes menores teimam em nos cercear...

Coimbra, nas suas responsabilidades históricas, depois de fonte, tem de ser exemplo para o país no que respeita às tradições académicas. Acabar de vez com as inadmissíveis palhaçadas que em seu nome hoje por aí proliferam – em especial nas novas universidades e politécnicos, mas, lamentavelmente, também trazidas até nós – é uma obrigação da velha academia (em particular do Conselho de Veteranos, indispensavelmente mais interventor, sobretudo na rua) que, em defesa dos ancestrais costumes, não pode, de todo em todo, pactuar com os desmandos dessa gentinha que, indigna de vestir capa e batina, mostra, afinal, e tão só, não saber viver em Liberdade.

Uma vergonha, já o escrevi e hoje reitero, o que se passa – agora a propósito da decisão judicial de adiamento do ato de posse – com as recentes eleições para a Associação Académica de Coimbra. Depois deste tempo presente que nos fustiga, que amanhãs (não são estas as gerações do futuro, e aqueles os protagonistas que irão liderar?) nos aguardam enquanto nação?!

O Supremo Tribunal Administrativo aceitou o recurso para o Constitucional para a avaliação das operações de coincineração de resíduos industriais perigosos em Souselas. Um abraço para Castanheira Barros e todos os que persistem na luta contra a aberração tamanha.

A nova geração de autarcas, com Nuno Moita na liderança, assumiu, naturalmente, o executivo da Associação de Informática da Região Centro, tendo recebido dos seus antecessores – uma verdadeira surpresa e enorme exemplo – as verbas suficientes para a já iniciada construção da nova sede da AIRC, no iParque.

Na Universidade, até já a Sala dos Capelos mete água; o meu aplauso para o projeto de continuação da variante a Eiras, que importa agora concretizar; foi criada a Associação dos Amigos do Convento de Santa Maria de Seiça, na Figueira da Foz, que, espero-o sinceramente, há de recuperar, ou pelo menos evitar a derrocada do monumento; a Estradas de Portugal anunciou que está a trabalhar – por favor deixem-na trabalhar! – para repor a circulação na estrada 110 para Penacova; ainda bem que o Turismo do Centro optou por levar à FITUR, em Madrid, a promoção do mar e não do planalto beirão; o Bairrada tinto Principal grande reserva 2009, da Idealdrinks, foi eleito por prestigiada revista italiana (a excelência dos vinhos da nossa Beira) como um dos dez melhores do mundo; e fevereiro volta a ser, muito bem, no Gil Vicente, o mês da dança.


António Cabral de Oliveira

A 25 de janeiro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

O primeiro-ministro, de visita à santa terrinha, dizendo nada de jeito quanto ao Metro Mondego, terá afiançado o seu comprometimento político apenas – afinal, depois do que, com frontalidade, responderam Carlos Encarnação e Barbosa de Melo, quem mente? – em relação à reposição da Linha da Lousã. Pelo que, desvario imenso, o troço da cidade seria para deixar cair. Lembrando o que me asseveram sobre a não sustentabilidade económica do sistema sem a componente urbana, reitero, revoltado, mas ainda expectante, a minha indignação!

Mais do que sessão de lançamento de obra magnífica, a apresentação de "O Município de Coimbra. Monumentos fundamentais", de Maria Helena Cruz Coelho, foi uma excelente lição de História, momento de exaltação do nosso imenso orgulho coimbrão. Também porque, como ali sublinhava Walter Rossa, é indispensável, coisa não pouca, "estudar Coimbra para perceber Portugal"...

Gostei do olhar esclarecido e exigente que Helena Freitas lançou – entre o que li e o que fica subentendido na entrevista – sobre o problema das repúblicas estudantis.

O projeto Ageing@Coimbra, que procura valorizar o envelhecimento ativo e saudável na região (poderá até parecer que estou a olhar por mim!), prefigura-se muito interessante e da maior relevância. Congregando parceiros de grande prestígio, apresentou, ao assinalar o seu primeiro aniversário, dois desígnios bandeira para o futuro: a integração nas redes europeias de conhecimento e inovação, com estímulo da investigação científica e alavancamento da economia em base tecnológica, e a criação do Instituto Multidisciplinar de Envelhecimento, um espaço amigo do cidadão idoso a instalar, possivelmente, no antigo Pediátrico.

O centro operacional do Norte do número de emergência 112, que (como diria o senhor de La Palisse) complementa o do Sul, e faz o atendimento dos nove distritos acima de Coimbra, foi agora criado pelo governo. Na certeza de que por lá se conhece ao pormenor, como convém, o país inteiro – queira Deus que amanhã, em hora de aflição, não venham a confundir Penacova com Penamacor! – é caso para dizer que antes ali do que nas Filipinas ou coisa do género. E ainda temos o topete de nos queixarmos porque tudo vai para Lisboa e para o Porto...

Ótimo. Depois da coleção de barbies (e são às centenas) em exposição no Portugal dos Pequenitos, parece que agora vamos ter, sob os auspícios e boas influências da Fundação que investiga e divulga a temática inesiana, uma daquelas "gentis figurinhas" ataviada de Inês de Castro. O pior é se Pedro, o Cruel, mas também o Justiceiro, derrama sobre nós, de novo, a sua ira...

Leio que os chamados "picanços" na Boavista, na ponte Rainha Santa e na circular externa – com excessos de velocidade e sequente condução negligente e perigosa – são um fenómeno identificado há algum tempo pela PSP de Coimbra. Pôr-lhes cobro, ao invés de outras rotinas aparentemente mais acessíveis e legalmente lucrativas, parece, no entanto, ser tarefa difícil, talvez mesmo impossível!...

A Câmara Municipal afirma a intenção de se candidatar a Capital Europeia do Livro, ideia perfeitíssima desde que tal não estorve, antes favoreça, a pretensão de sermos, lá mais para a década 20, Capital Europeia da Cultura; muitos, de todos os quadrantes, manifestaram-se, muito bem, agora em Coimbra (era escusada a colagem a Lisboa), em defesa da constituição, da democracia e do estado social; as universidades classificadas pela UNESCO acolheram, obviamente – esperemos que não seja apenas mais um grupo de entre os tantos que já integramos – as antigas Escolas de Coimbra; Sampaio da Nóvoa foi o vencedor do Prémio Universidade de Coimbra; fui, prazenteiro, celebrar com Júdice e sua equipa o primeiro aniversário do Loggia, no Machado de Castro, restaurante que, depois da qualidade, parte agora em busca da excelência; e Almalaguês, em festa, celebrou (a minha imensa simpatia por esses agentes de tão genuína manifestação de arte popular) o I Encontro de Gaiteiros.


António Cabral de Oliveira