sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A 14 de dezembro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

A “inquietante” questão de um trampolim (a propósito da sua cedência ao Vigor) preocupou, notoriamente, durante a sua última reunião plenária, o executivo camarário, sobretudo por não perceber a razão da permanência do equipamento no município. Mas que, afinal, se me prefigura fácil de deslindar: é, com certeza – mais para políticos do que ginastas –, para o alcançar de melhores saltos, fazer mais altos voos...

O eventual abate ilegal de 30(!) sobreiros no planalto de Santa Clara poderá inviabilizar(?), dizem alguns, o IKEA em Coimbra. E é por estas e por outras que me pergunto, em relação a gente assim tão ligada à defesa da árvore, porque é que não os vejo ao lado dos bombeiros a combater os incêndios florestais, porque não está já completamente reflorestado, apenas um exemplo, o rarefeito Choupal? Respeito, por inteiro, naturalmente, os princípios que os motivarão. Mas importa, sobretudo, que de tão rigorosas posturas cívicas resultem benefícios para as comunidades e não, apenas, entraves, ou tentativas de entrave, a qualquer sorte de desenvolvimento. Sempre, apenas para eles – definitivamente fundamentalistas – não sustentado. E que tal se o Grupo das Florestas da Quercus fosse, antes, em defesa efetiva do chaparro, e passando do discurso à ação, plantar, onde quer que seja, não 30, mas trezentos, talvez mesmo três mil sobreiros?...

 O pavilhão desportivo projetado – e adjudicado – para o Vale das Flores já não irá, receia-se, ser construído. A falência do empreiteiro (e a falta de dinheiro) justificará o chumbo da agora maioria socialista, que em boa verdade nunca gostou da iniciativa, enquanto a atual minoria parece que não quer, ou não sabe, defender, hoje, o que ontem aprovou. Oxalá não percamos, lamentavelmente, o equipamento...ganhando, antes, o pagamento de uma indemnização a uma qualquer parte interessada no concurso!

Na beleza da sua franciscana simplicidade, mesmo assim melhor do que nada, lá se inauguraram – a propósito, na Portagem, é a árvore está por cima da estátua de Joaquim António de Aguiar, ou foi o mata-frades que ficou por baixo? – as iluminações de Natal na cidade. Em paralelo (certamente por questões de segurança na integridade das imagens, que não para desvalorizar o profundo significado e a valia da obra) o presépio de Cabral Antunes, depois do átrio dos Paços do Município, foi parar, este ano, a uma montra do edifício Chiado. Que, ao menos, a título de exemplo para os muitos comerciantes da Baixa que não o fazem, vai estar aberto aos domingos durante a época natalícia.

No fecho das celebrações dos 50 anos do estádio universitário – se calhar só se justificará voltar a falar dele nos jornais daqui a mais cinco décadas, então para se lamentar a degradação do centenário equipamento! – afinal (connosco, de tal jeito injustamente críticos, a dizer que nada se faz) algo ficou de novo para os tempos futuros: a placa comemorativa da efeméride…

Depois de, por fim, ter encontrado uma solução diretiva na crise que quase permanentemente o abala, o basquetebol da Académica decidiu, há dias, com realismo, diga o que disser quem quer que seja, desistir da Liga (sénior, profissional). E enveredar, como caminho de futuro, o único sensato e viável, para uma reestruturação com base na formação.

É apenas uma suspeita, mas só o admitir a existência de fraude, nas recentes eleições, é, para a AAC e o que ela representa, uma imensa vergonha; Cidadãos Por Coimbra convocaram uma conferência de imprensa para a entrada da câmara municipal – onde é que já vimos isto? – em protesto pela não criação de condições de trabalho ao seu vereador eleito; Vitalino Santos, um rapaz quase do meu tempo, venceu, parabéns, o prémio de jornalismo Adriano Lucas; Paulo Barradas, da Bluepharma, é, justíssimo, o "Empreendedor do Ano"; e foi notícia a divulgação de um trabalho do Observatório sobre Crises e Alternativas, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra...apresentado em Lisboa!


António Cabral de Oliveira

A 7 de dezembro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Empresas de tecnologia e inovação já empregam, impressionante na criação de riqueza, 2.200 pessoas em Coimbra. Com um aumento de exportações notável, e apesar dos estrangulamentos burocráticos e institucionais, o trabalho, produzido pelo Instituto de Estudos Regionais e Urbanos da UC, mostra que "Coimbra é hoje uma referência na inovação tecnológica e na incubação de empresas". Conclusão que, afinal, pouco me surpreende, mas deve causar enormes amargos de boca a muitos dos maldizentes que habitam a cidade.

Por garantido, só temos que o Tribunal Universitário Judicial Europeu – aquele projeto, antigo de décadas, pensado para o Colégio da Trindade – afinal vai deixar de ser o que nunca foi. Primeiro, leu-se que, por imposição legal, teria de mudar de nome, passando a ser a Casa da Jurisprudência. Agora, também em letra de forma, o diretor da faculdade de Direito afirma que, por falta de dinheiro e desinteresse político, tão cedo não haverá TUJE, e, mais, que o edifício (nem quero acreditar em tão pouca ambição), será para centro de arbitragem, gabinetes de professores e salas de aula. Coimbra, Portugal, a Europa, todos no seu melhor...

Leio, e quedo-me angustiado. O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra – amálgama resultante da fusão dos HUC com os Covões – já perdeu, desde a sua recente fundação, 427 camas, reduziu os serviços, quase pela metade, de 70 para 40, e viu sair cerca de meio milhar de funcionários (nenhum por despedimento, como se a delapidação de quadros não se fizesse também por reformas e transferências). E, para que se nos acabem, de vez, eventuais dúvidas ou receios, quem nos trouxe os números foi o próprio José Martins Nunes, na conferência intitulada, bem a propósito, melhor a segunda premissa, de "Austeridade cura? Austeridade mata?". Pobres habitantes da cidade, das Beiras, afinal do país...

Parece que estão paradas as obras no Convento de S. Francisco. Não nos preocupemos. As partes, continuo seguro, hão-de entender-se...

Vejo, com agrado, que a biblioteca que passa a congregar os acervos dos cinco ramos de engenharia, no Pólo II, vai ter jornada contínua, também na requisição de livros. Ainda bem que está longe da Geral, na Alta, que, pelo menos em matéria de horários, devia ser, mas não é, o exemplo a seguir. Entretanto, gosto da ideia reitoral – pode ser que a seguir venha a defesa da instalação na cidade do museu do nosso idioma - de fazer da Universidade de Coimbra "A Biblioteca" da Língua Portuguesa.

O justo (re)reconhecimento da importância estratégica do projeto, bem como do compromisso do governo em concretizá-lo, são, obviamente, boas notícias acerca da última reunião sobre o Metro Mondego. Contudo, mais do que palavras, urge afirmar a nossa força política – mas será que a temos? – para sinalizar, sem qualquer reserva, a concretização dos trabalhos enquanto obra prioritária no próximo Quadro Comunitário de Apoio. Sem o que, é certo, nunca mais teremos carris no ramal da Lousã, muito menos na cidade!

Depois da barracada (duas tenditas) do acampamento de protesto montado no Largo D. Diniz, professores contratados exigem ao Reitor uma posição pública sobre o problema. Julgando que alguma razão lhes assiste – as provas de avaliação questionam, de facto, a certificação universitária para o ensino –, aqueles docentes bem podem levantar o bivaque antes que o Magnífico, nas suas prioridades económico-financeiras, lhes possa dar uma palavra de conforto...

Apesar da solidariedade efetiva, as doações para o Banco Alimentar estiveram, sem surpresa, um pouco aquém do Natal do ano passado; Bruno Matias – o improvável acontece – é, após uma segunda volta participada, o novo presidente da AAC; João Azevedo, autarca de Mangualde, foi eleito pelos seus pares para a presidência do Conselho Regional da CCDRC; Celeste Amaro, única a não ser substituída, continua, significativamente, diretora regional de cultura; e Jorge Paiva, parabéns, foi justamente homenageado, no seu 80º aniversário, pelo Jardim Botânico.


António Cabral de Oliveira

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A 30 de novembro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Neste novo desígnio de reprovar o aprovado e de aprovar o reprovado, as instâncias autárquicas lá conseguiram fazer vencer – a força do dinheiro na sua distribuição pelas Juntas – a proposta de imposto municipal sobre imóveis, o IMI. Assim se evitando, pelo menos, uma vez mais (lembram-se da divisão das Freguesias?), a intervenção do Estado...

A Assembleia Municipal sufragou, naturalmente, a transferência do património da Assembleia Distrital para o município de Coimbra. Fica a aguardar-se, entretanto, também naturalmente, que o órgão que congrega as edilidades do distrito ratifique a deliberação. Incluindo, entre diversos bens, o alvará do Instituto Superior Miguel Torga e o aeródromo Bissaya Barreto, pode ser que agora, por fim, se cumpra a promessa, para além de outras benfeitorias que qualifiquem o equipamento, de prolongar a pista de Cernache nos (de tantas vezes anunciados já devem ir aí pelos 30 mil!) cerca de 300 metros possíveis...

A Secção de Desportos Náuticos da AAC concretizou, louvável, uma ação de limpeza no rio Mondego, de onde retirou, para lá lançados após a Festa das Latas, imagine-se, 51 carrinhos de supermercado. Urgindo sublinhar o exemplo assim dado, importa, por outro lado, verberar o comportamento alarve, afinal reiterado, de outros tão incivilizados estudantes. Que espécie de gozo lhes dará, pergunto-me, tamanha boçalidade?!

O IC6, há tão pouco tempo inaugurado – sim, esse mesmo que em vez de ligar à Covilhã e a Seia termina, de forma abrupta, no meio de um pinhal, único no mundo a ser diretamente servido por uma via rápida! – já está em obras de requalificação, na zona de Arganil. Problemas geomórficos, com certeza. Nada, absolutamente nada, que tenha a ver com a qualidade da construção...

Gosto, francamente, da ideia da "D'evento em popa" de promover, a bordo de uma bateira tradicional, viagens turísticas entre a Figueira da Foz e a Ereira, bem aproveitando a alguma capacidade de navegação do Mondego. Natureza, cultura e gastronomia estão no centro de uma iniciativa muito válida que peca, apenas, por tardia. Também eu, um dia destes, na primeira oportunidade, maravilhando-me com o nosso território, subirei, rio acima..."ao sabor da maré".

Fazer da Beiras – os organizadores, muito institucionalmente, diziam região Centro – um destino enoturístico de excelência (também como forma de contrariar o decréscimo de visitantes registado), foi o grande propósito de umas jornadas que, desta feita, decorreram na Guarda. Acho bem, sobretudo quando penso na qualidade e potencialidades do Dão, da Bairrada, da Beira Interior. Mas ainda de vinhos que não integram aquelas denominações de origem, desde logo, apenas um respeitável exemplo de entre tantos possíveis, o soberbo Vinhas Velhas de Sta. Maria, do Conde de Foz de Arouce.

Tenho consideração pela valia da publicidade, mas desconfio sempre, e muito, das grandes campanhas. Como foi agora o caso do anúncio da nova valência, aos fins de semana, do Hospital(?) dos Covões para casos – o que quer que a coisa seja – de doença aguda não urgente. Se o serviço fosse assim tão relevante...não teria de ser necessária tanta propaganda!

Morreu Cardozo Duarte, o meu respeito, sacerdote que serviu, com elevação, o jornalismo católico, nomeadamente enquanto diretor do "Correio de Coimbra"; autarcas de Aveiro, Guarda e Viseu (por ordem alfabética, sempre, por via das suscetibilidades) criaram, excelente para a coesão da zona norte da região das Beiras, a "plataforma A25; agora que o lisboeta Eleven voltou a ter a sua estrela Michelin, pode ser que os Júdice se empenhem na retoma da distinção – se é que o é – para o Arcadas da Capela, ali na Quinta das Lágrimas; e em ato de inteira justiça, como relevou Manuel Oliveira, a Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais homenageou, na ausência, que parece começar a ser habitual, de representação camarária, os seis anteriores presidentes eleitos na nova era democrática.


António Cabral de Oliveira

A 23 de novembro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Manuel Machado foi designado pelo PS e é hoje eleito presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses – onde o aguarda um profundo trabalho de revigoramento de uma instituição indispensável ao poder local e à democracia –, assim consubstanciando, seguramente, um dos mais retumbantes regressos à vida política ativa.

Do alto da sua respeitabilidade – julgo que generalizadamente reconhecida – Silva Peneda voltou a defender, em nome de um Estado mais barato e mais eficiente, a descentralização e a deslocalização de serviços. Recusando o terceiro-mundismo com que cada vez mais nos assemelhamos, o presidente do Conselho Económico e Social reiterou não haver nenhuma razão para que todos os serviços públicos tenham de estar localizados em Lisboa e, mais, que a regionalização é uma das componentes que a reforma do Estado não pode deixar de considerar. Sábias palavras. Pena que ninguém (nos antros do poder) as queira ouvir...

Duarte Nuno Vieira, prestigiado especialista em medicina e ciência forense, depois de trabalho relevante ao longo de mais de uma década – e tão valioso para Coimbra que nos valeu a instalação da sua sede, coisa raríssima, na cidade – deixou, entretanto já substituído pelo juiz desembargador Francisco Brízida Martins, a presidência do Instituto Nacional de Medicina Legal.

A região Centro terá um aumento de 25% nos fundos europeus no próximo quadro comunitário, financiamentos que, espera-se, irão, como prenuncia o seu presidente, "ser aplicados seletivamente em bons projetos", e não, digo eu, na repetência de erros – redobrada atenção (e eles já andam por aí) para com o jeito natural de muitos não para aproveitarem mas para se aproveitarem das circunstâncias – que já malbarataram tanto dinheiro.

Uma equipa de investigadores da nossa universidade – assim bem cumprindo, parabéns, uma das suas imensas e por vezes tão incompreendidas responsabilidades sociais – desenvolveu um dispositivo térmico inovador para proteção de bombeiros e sapadores em situação de emergência grave no combate a incêndios florestais. Afinal, uma efetiva e muito meritória homenagem da ciência para com aqueles que, quantas vezes "vida por vida", nos protegem combatendo o fogo.

Morreu Irene Silveira, amiga de há muitos anos, personalidade fulgurante, a catedrática que foi vice-reitora, a farmacêutica que, primeira e ainda única mulher, a Ordem escolheu para sua bastonária. Neste cansaço de tantas mortes, tão próximas – prometo que guardarei e te levarei, além (a nossa conversa derradeira, à beira do semanal cozido), as crónicas que ainda vier a escrever, aqui –, o meu preito.

A Universidade de Coimbra celebra, na próxima segunda-feira, os 350 Anos do Sermão de Santa Catarina, proferido pelo Padre António Vieira na Real Capela de S. Miguel, em recreação que será interpretada, seguramente de forma excelente, por Lima Duarte. Nomes sonantes marcam presença na apresentação da obre completa do sacerdote jesuíta, em homenagem que integra, ainda, uma conferência e a exibição do filme "Palavra e Utopia". Eis, pois, uma jornada marcante que dignifica, esta sim, culturalmente, os velhos Estudos Gerais...

A Assembleia Municipal, é bom que comecemos a não nos surpreender, reprovou a proposta de IMI já dificilmente aprovada pela Câmara; Manuel Antunes diz que cortes na saúde desmotivam(?) a sua equipa na cirurgia cardiotorácica dos CHUC, que, porventura, terá de começar a mostrar algum voluntariado também no próprio país; Paulo Leitão oficializou a sua candidatura, única e de continuidade, à concelhia do PSD; e Nuno Freitas sucede, desde já (não era pressa!), a Maló de Abreu na liderança do órgão deliberativo do município...


António Cabral de Oliveira

A 16 de novembro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR    

O hospital dos Covões, depois do período noturno, fecha a partir de hoje, definitivamente, as urgências – já agora, para quando as sobrantes 11 horas de cada dia útil? – ao fim de semana. De degrau em degrau, sempre, pois claro, em defesa da qualidade dos cuidados de saúde...

A Câmara Municipal de Coimbra tem, finalmente, vice-presidente – Rosa Reis Marques – também cinco vereadores com pelouros distribuídos, não os (sete) inicialmente anunciados, antes todos os socialistas e o habitual eleito pela CDU. Entretanto, na primeira reunião aberta aos jornalistas, logo Machado teve a primeira experiência amarga por não dispor de maioria absoluta, quando Francisco Queirós juntou à oposição o seu voto contra no escrutínio inicial sobre as taxas do IMI.

Coimbra continua no topo dos rankings escolares – valham eles o que valerem – com a secundária Infanta Dona Maria a ser o estabelecimento público com melhor média nacional, o distrito a afirmar-se como o primeiro nos restantes patamares. Um trabalho que, sem questão, se ficará a dever a professores e alunos empenhados, também a pais interessados.

No quadro dos bons resultados alcançados em muitos setores de atividade, a região Centro volta a destacar-se a nível nacional, agora quanto à taxa de desemprego, a mais baixa (11,2 %) do país, valor que é mesmo inferior à da zona Euro. Sem sobranceria, e com os residentes mais satisfeitos do país, temos é de nos cuidar contra "expansionismos" nortenhos e sulistas que, nos reiterados propósitos de macrocefalia dual, poderão querer vir a melhorar, de tal jeito, sem mérito, as médias dos seus resultados...

Um jornal do Porto teve o topete de destacar em título maior que o poder de compra naquela cidade é 26% inferior a Lisboa. Sendo um jornal pretensamente nacional, esqueceu-se de relevar, antes, que, apesar de também no norte, os municípios de Celorico de Basto, Cinfães, Ribeira de Pena e Tabuaço são, com menos de um terço da invicta, uma vergonha, os que apresentam menor capacidade aquisitiva. Enquanto isto, Coimbra mantém, fora das "metrópoles", um valor - embora muito contrastante com a capital (216,8 contra 131,7) - acima da média.

O presidente do Turismo do Centro defendeu em Fátima, e bem, que é necessário "amarrar" os viajantes pelo menos duas noites na região. Estará encontrada, assim, Pedro Machado, a próxima pequena oferta para quem nos visita: um baraço, singelo e simbólico, que nos ate...até depois de amanhã!

O Círculo de Cultura Portuguesa organiza neste e no próximo fim de semana, em Santa Clara-a-Nova, a curiosa iniciativa "Outono no Mosteiro", agora dedicada à castanha, e privilegiando as crianças, em 23 e 24 com as atenções viradas para o cogumelo. Cozinha, provas de vinhos, jantares temáticos e música fazem parte da programação. Que inclui, ainda, de amanhã a oito dias, uma ida aos míscaros, na Lousã. Eu vou...

Manuel Machado foi unanimemente eleito presidente da Comunidade Intermunicipal "Região" de Coimbra; veteranos, muito respeitáveis nomes de secções da AAC e de clubes, criticaram, justamente - esperamos que a sua abalizada opinião seja tida em devida consideração -, o estado de abandono e progressiva degradação do belíssimo estádio universitário; o município de Coimbra voltou a destacar-se no apoio, indispensável, à família; a Liga dos Combatentes celebrou, com dignidade simples, o aniversário do Armistício, este ano, bem, junto ao monumento aos Heróis do Ultramar; e alunos da Escola Superior de Educação estão a promover, todas as quartas feiras, caminhadas noturnas pela cidade (ou corridas, para os de maior fôlego), sempre com a vantagem dupla de, sem custos, fazerem – dizem – bem à saúde.


António Cabral de Oliveira

A 9 de novembro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Não acredito, sobretudo agora, em dificuldades na conclusão das obras no Convento de S. Francisco, muito menos na concretização de ameaças de suspensão de trabalhos. Bem pelo contrário, julgo mesmo que os tempos, iniciática e politicamente, correm de feição para se poder proceder, por fim, à inauguração do novo (ainda se chamará assim?) Centro de Convenções e Espaço Cultural...

Dou apenas uma vista de olhos – o receio pelo horror cerceia um aprofundamento dos dados – ao designado DEMOSPIN (estudo das universidades e de politécnicos da nossa região) onde se conclui que as Beiras, com Trás-os-Montes, podem, em 2100, só aparentemente distante, ter perdido mais de 75% da sua população. Com o Pinhal Interior Sul, a Beira Interior Norte e a Serra da Estrela a serem os mais fustigados pela baixa natalidade. Enfim, sem surpresa, o deserto que todos veem...menos o(s) governo(s)!

Muito interessante a ideia de estudantes da FEUC em realizarem, já em 2014, então só a nível regional, as I Olimpíadas da Economia, para alunos das escolas secundárias do Centro. Uma forma inteligente de valorizarem a ciência que estudam, a sua Faculdade, a Universidade de Coimbra.

Depois de ter encontrado, no museu da Catedral de Santiago de Compostela, uma imagem da Rainha Santa que nos mostra o "autêntico aspeto físico da mulher de D Diniz", Virgínia Veiga – que recordo, sobretudo, das lides jornalísticas – defende, agora, o regresso do túmulo gótico de Isabel de Aragão ao seu local de origem, o entretanto recuperado Convento de Santa Clara-a-Velha. Parece-me bem.
No fim de semana de Todos-os-Santos formaram-se filas de seis quilómetros no IP3, às portas de Coimbra. Na ausência de autoestradas (com tantas sem tráfego um pouco por todo o resto do país!), o fenómeno não fica a dever-se, naturalmente, à fuga às portagens. Antes, e sempre, às caraterísticas, ao perfil da via. Que deveria ser duplicado, pelo menos desde Penacova.

Ao passar, um dia destes, pela Sofia, dei-me conta – valorizadoras do conjunto classificado pela UNESCO – das obras no Centro de Documentação 25 de Abril, que estão a renovar, também, incluindo a parte da Liga dos Combatentes, toda a fachada do Colégio da Graça. Em contraste com o que acontece, do outro lado da rua, com o Pingo Doce que, mau grado dizer-se agora com mais encanto, desaproveita (com um "muro" de caixas, garrafas, rolos de papel, sei lá que mais) a montra aberta para aquela artéria. Para alguns, porventura, serão pormenores irrelevantes. Contudo, ali, nada o é...

Dos restaurantes às casas, das livrarias aos bifes, das tostas aos gins, uma miríade de estudos jornalísticos comparativos mostram-nos o que de melhor existe...em Lisboa e no Porto. E de duas, uma: ou a imprensa escrita chamada de nacional se lembra de, pelo menos de vez em quando, incluir uma ou outra terra da "província", ou então, para não nos irritarmos a cada semana, passa a fazer aquelas análises em encartes destinados apenas, justamente, às "grandes metrópoles"!

A Associação Académica comemorou, assim tão simplesmente, com cerimónia singela e uma tertúlia no café Santa Cruz, o 126 aniversário; o curso de jornalismo da Faculdade de Letras – como o tempo passa! – iniciou as celebrações dos seus 20 anos; a Igreja de Coimbra, a viver pobremente – como bem recomenda o Papa Francisco – inaugurou, depois de S. João Batista na Quinta da Portela, também em pré-fabricado, um novo templo no planalto do Ingote, dedicado a S. Pedro; José Manuel Silva, que antes de o ser já o é, é o único médico a (re)candidatar-se a bastonário da Ordem; aguardo com curiosidade a subida a palco, hoje e amanhã, no Conservatório de Música, da ópera "La serva padrona", dirigida e interpretada, quem o diria, por artistas de Coimbra; e ainda bem que não madruguei para estar presente na (afinal outra vez fechada aos jornalistas) reunião semanal do executivo...


António Cabral de Oliveira

A 2 de novembro ACO escreveu ...

RIO ACIMA, SEM MOTOR

Leio, honrado e orgulhoso (bem sei, senhor diretor, ser, entre as muitas, apenas mais uma notícia), que o jornal britânico "The Telegraph" distinguiu as 16 mais espetaculares bibliotecas do mundo e coloca em primeiro lugar, como a mais bonita, a Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra. Entretanto, oiço, com preocupação e angústia, para além de ensurdecedor silêncio, sobre um problema de infiltrações na antiga "Casa da Livraria"...

A eventualidade de haver sete vereadores a tempo inteiro na Câmara Municipal está a levantar controvérsia política logo no início do mandato de Manuel Machado. Estaremos face a uma necessidade de prover a qualidade pela quantidade, ou será o reconhecimento, mais um, do erro de não ter sido entretanto aprovada legislação que conduzisse aos executivos homogéneos?

A Misericórdia de Coimbra celebrou o seu 513º. aniversário – a ausência do presidente da Câmara ou de um seu representante não há-de querer significar nada de relevante – com uma sessão evocativa e a celebração da eucaristia pelo bispo da diocese, agora empossado, de acordo com os ditames da tradição, como irmão da Santa Casa.

A unidade de AVC dos CHUC foi ampliada e requalificada para ser – mas não o era já? – um "serviço de referência". Também era só o que faltava: que fechassem nos Covões...e ainda cortassem nos HUC!

Com o adiamento da pintura da sinalização horizontal na Miguel Torga para depois das eleições, cheguei a pensar – este meu otimismo! – que a autarquia, já sem limitações ditadas pela época, mandasse marcar ao longo daquela artéria um traço contínuo que obrigasse a circulação automóvel a fazer-se de forma continuada, com inversões de marcha apenas na zona do Carmelo, entrada da CCRC e rotunda ao fundo do Cidral. Puro engano. Persiste-se na possibilidade de interseção da via contrária, com a formação de filas de trânsito (até surgir a oportunidade de o fazer), sempre sob o perigo de acidente. Ao invés do exemplo há muito seguido, e bem, no eixo Carolina Michӓelis/João de Deus Ramos, preferiu-se, de novo mal, a opção, recente, da Rua do Brasil...

O novo presidente do Município do Porto propôs a criação de uma liga (à imagem da Hanseática?) de cidades do norte do país. Seguindo a ideia, talvez não fosse mau que nós, aqui pela Beira, lhe seguíssemos o exemplo. De Aveiro a Castelo Branco, de Viseu a Leiria, da Guarda a Coimbra.

Parece que Mário Soares, aquando do lançamento de um livro do anterior primeiro-ministro, se referiu a José Sócrates tratando-o por "engenheiro de Coimbra". Mas deve haver um qualquer equívoco – e não me atenho sequer ao grau académico – já que, se o fosse, teria feito, durante os seus mandatos, algo mais pela cidade. Teria, pelo menos, satisfeito o pedido de seu pai para, indispensável em termos de coesão do território da oficialmente designada Região Centro, nos ligar à Covilhã por autoestrada...


Na "opacidade" municipal que por aí reina, a Câmara da Figueira da Foz é a mais transparente, quedando-se Coimbra, ainda estimável, no nono lugar do ranking; o anunciado arranque, no próximo ano, da Aldeia dos Médicos é uma boa notícia para a classe, também para a revitalização daquela zona da Adémia/Antuzede; Luís de Matos, prestigiante, foi distinguido pelo "The Magic Circle"; outra novidade na vida académica, decorreu na Sé Nova a benção dos novos alunos do ensino superior; e, por falar neles, ainda não percebi muito bem aquela de estudantes do Porto terem migrado, por um dia, para Coimbra, criando, porventura, um novo segmento turístico: o do caloiro!

António Cabral de Oliveira