quarta-feira, 5 de junho de 2013

A 1 de junho ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR
 
O início desta semana trouxe duas belíssimas notícias para cidade. Por um lado, anunciava-se o renascimento da Linha do Oeste – na certeza de uma próxima viagem exploratória, um abraço Manuel Queiró – através da ligação entre Coimbra, Leiria, Caldas da Rainha e Torres Vedras, com três circulações diárias em cada sentido; por outro, o secretário de Estado das Obras Públicas confirmava que um dos primeiros projetos de investimento do governo vai ser a ligação rodoviária Coimbra-Viseu através, disse, de uma grande melhoria ou substituição do IP3, isto é, julgo eu, da autoestrada que entretanto, incompreensivelmente, fora suspensa.
 
Apesar do alegado empenhamento do executivo central na reabilitação urbana, até como fator de desenvolvimento económico, a ministra Assunção Cristas anunciou que o governo quer deixar "o quanto antes" a posição detida, designadamente, na SRU de Coimbra. Coisa que, é nosso convencimento, a olhar para a obra feita, pouco ou nada influenciará a recuperação do edificado da cidade. Entretanto, talvez venha a caso perguntar se a titular das pastas inúmeras não quererá deixar, de "forma pacífica e construtiva", que sejamos nós a decidir sobre a (lucrativa) questão das águas...
 
Apresentação de livros, sessões de autógrafos, espetáculos, debates, conferências, exposições, e oficina de fabrico de papel artesanal são iniciativas da (inexistente para os órgãos de comunicação social ditos nacionais, que persistem em só ver as de Lisboa e do Porto, mesmo que uma delas não se realize este ano) Feira do Livro de Coimbra. Mas ela está aí, visitei-a, não é uma alucinação minha e, apesar de tal sorte de certames, ao contrário das livrarias elas mesmas, não fazer a minha preferência, merece, amplamente, a nossa participação. Até 2 de junho, em conjunto com a do Artesanato.
 
A EDP concluiu a construção de duas novas saídas subterrâneas – seja lá isso o que for – também para melhorar a iluminação pública da Alta. Pode ser que agora, esperança nossa, deixemos de ter de levar uma lanterna quando ali nos deslocamos, e os estudantes e os residentes possam, por fim, frequentar aquele espaço urbano sem receio de incómodos ou perigos hoje evidentes. Com a subestação da Alegria ali tão perto (mas, pela demora, tão longe), faça-se luz, alegremo-nos pois.
 
O Diário de Coimbra, ao assinalar o seu 83 aniversário, destinou, bela ideia, a receita das vendas em banca ao projeto de recuperação do estádio universitário. Mas para quê, apetece perguntar, se depois vai estar encerrado aos fins de semana! E é assim que queremos ser sede dos Jogos Universitários Europeus em 2016? Valha-nos Deus!
 
Cozinhar é, para mim, desde há alguns anos, fonte de relaxamento e, sobretudo, um enorme prazer. E faço-o, sempre, beberricando de uma flute (por vezes opto por um tinto escorreito), em tempo necessariamente mais breve do que aquele que, com gosto, passei, no sábado, nas Piscinas do Mondego, na segunda Mostra Espumantes da Bairrada Cidade de Coimbra, iniciativa muito curiosa e definitivamente evidenciadora, o meu brinde, de variedade e riqueza.
 
É notório o desinteresse que os comerciantes de Coimbra manifestam em relação à sua recém criada Associação de Beneficência, entidade que visa, naturalmente, a ajuda aos seus pares mais carenciados. Com a participação de apenas duas dezenas de empresários, e no meio de muito desalento, lá elegeram como presidente, sempre esforçado, Armindo Gaspar. Se nem para eles próprios são bons...
 
Estudantes do ensino superior benzeram as pastas e rezaram para que possam encontrar trabalho; S. José festejou os 80 anos – parabéns Padre João – do seu pároco; a Câmara Municipal atribuiu, por decisão unanime, a medalha de mérito cultural ao Clube da Comunicação Social de Coimbra; os sócios da Académica OAF – é por estas e por outras que Coimbra continua a ser diferente – optaram pela SDUQ, assim recusando o projeto SAD pretendido pela atual direção; e, por fim, confesso a minha alguma dificuldade em entender que espaços da Reitoria da Universidade, agora a Sala das Armas, amanhã, porventura, a dos Capelos, estejam a ser utilizados, já nem a História se respeita, não exclusivamente para a vida académica ou atos de índole estritamente cultural.
 
António Cabral de Oliveira

A 25 de maio ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR    
São já conhecidos, finalmente – quanto delongam as coisas em Coimbra! – as personalidades, quase todas, que integram os novos corpos sociais do IParque. E se em relação ao órgão consultivo os nomes indicados merecem natural aplauso, já a administração me deixa (digamos apenas assim) algo apreensivo, constrangimento que, espero sinceramente, o breve prazo, afinal, contrarie. De facto, ao olhar, conjunto de coisa nenhuma, que desperdício no seu desértico desaproveitamento, a infraestrutura de Antanhol, resta-me a expetativa de ser competência daquele conselho, aliás muito próximo das instituições da cidade que operam na área tecnológica, "definir e orientar a estratégia da sociedade" e, ainda, a aproximação estabelecida com o Instituto Pedro Nunes.
 
O Museu Nacional de Machado de Castro não ganhou o Prémio Museu Europeu do Ano, distinção que a sua diretora já nos tinha referido, atendidas as circunstâncias, como imensamente difícil. Entretanto, ninguém retira ao MNMC a excelência e, sobretudo, a certeza do orgulho com que Coimbra o olha. É que, como ficou sobejamente comprovado no passado dia 18, (quase) todos nós gostamos muito, muito, dele.
 
Enquanto se preocupa com o viveirismo – olá Ceira, olá Semide – e exportações, parece que o Magnífico Reitor quer fechar a Universidade de Coimbra de 10 a 25 de agosto. Sem me debruçar, sequer, sobre questões – e imensos danos sequentes – como as visitas turísticas ou, sobremodo, o encerramento da Biblioteca Geral, atento, apenas, no valor, absolutamente irrisório, que se pretende poupar: 100 mil euros, 20 mil contos de reis para os que ainda (ou já?) fazem as contas em escudos! Ao que nós chegámos...
 
Regressando às Escolas, a Candidatura da Universidade, Alta e Sofia a Património da Humanidade parece estar, finalmente – esperemos, e queremos acreditar que ainda a tempo – a mexer-se. Esta semana, depois de apresentada (!) na Assembleia da República, uma delegação reuniu em Paris com o embaixador de Portugal em França, nosso representante junto da UNESCO.
 
Cidadã empenhada no desenvolvimento e qualidade de vida da terra que, como eu, escolheu para nela viver, Helena Freitas lamentava, em artigo de opinião, e bem, que Coimbra não tenha um diagnóstico, nem sequer retrato fidedigno, da diversidade biológica que acolhe, necessariamente muito rica, quando se atenta, diz, na valia e dimensão das suas áreas verdes. E criticava, de forma com certeza não menos justa, a limitação da política municipal a serviços mínimos e apenas reativos. Lembrando eu, embora, pelo menos uma edição da autarquia sobre parques e jardins, dou, entretanto, de novo, comigo a pensar: mas será que a Universidade, aqui sediada há tantos séculos, os seus departamentos competentes – e pergunto-o à professora –, não poderia ter dado já à urbe contributo essencial para estar traçado, hoje, e permanentemente atualizado, assim tão importante rastreio?
 
A Câmara vai concessionar a recolha de lixo e a limpeza urbana por, alega, graves problemas de recursos humanos, dificuldade que, seguramente, parece intuir-se, não acontecerá com os privados. É por esta e por outras que um dia destes começamos, mesmo os mais municipalistas, a questionar-nos sobre a necessidade da existência das autarquias: assim como assim, para contratar serviços, qualquer pequena empresa é suficiente, e os impostos locais, esses sempre podem sem cobrados, também, pelas finanças...
 
Morreram, as minhas homenagens, Costa Lobo, urbanista da Coimbra onde nasceu, e José Cabeças, antigo presidente do município de Góis e da direção regional de Saúde; foi bonita a Festa da Planta e da Flor, que deveria repetir-se mais amiudadamente, manter-se talvez mesmo em permanência na Baixa; é tamanha a crise de valores que, estamos mesmo a bater no fundo, até roubaram o cebolo plantado pela Casa dos Pobres; o transporte de droga (ou pelo menos a sua tentativa) para o interior da penitenciária – agora, e lembro o projeto adiado da nova cadeia, a bater recordes de sobrelotação – por parte de namoradas de reclusos deve ser, tantos os casos, depois das fotocópias, a única atividade em alta na cidade.
 
Teve ontem início, no Parque Verde e no Manuel Braga, prolongando-se até 2 de junho, a Feira do Livro (e a do Artesanato). Frequente, leia livros, e como a propósito costuma acrescentar o radialista António Macedo, também jornais...

António Cabral de Oliveira

A 18 de maio ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR    
Capaz do melhor e do pior, está visto, a Universidade de Coimbra foi classificada pelo "QS World University Rankings", para além de a posicionar no top 200 a nível mundial em ambas as áreas, como a melhor portuguesa em direito e uma das três melhores na engenharia civil (parabéns para as duas Faculdades), isto enquanto, entre as seis ali referenciadas, surge em último lugar do Ranking CWTS, publicado pela Universidade de Leiden. Perguntando-me como é possível, valham eles o que valerem, que as Escolas de Coimbra não surjam sempre, necessariamente, em lugar destacado neste tipo de classificações, fico a pensar o que andam afinal a fazer, nas suas imensas responsabilidades científicas, tantos dos membros da nossa comunidade universitária...
A cidade celebra hoje o Dia Internacional dos Museus – e é a única que o faz em conjunto – com o projeto "Coimbra – Rede de Museus", que reúne, através da troca de peças, mas também de um vasto conjunto de iniciativas, dia e noite, ainda ao longo do ano, dez unidades que entretanto assinaram um protocolo agregador. Tome-se, pois, o roteiro, e vamos, urbe fora, comemorar...
Continuo a não conseguir alcançar o interesse comunitário da colocação dissimulada de radares, em viaturas descaracterizadas, na circular externa Coimbra, uma via cuja tipologia e ausência de sinistralidade relevante aconselhariam um limite de velocidade naturalmente superior aos risíveis (e quase impossíveis de cumprir) 70 km/hora previstos. As patrulhas estarão, evidentemente, a agir pela Lei. Mas estarão a fazê-lo, também, pela Grei?
Bombeiros testaram, através de um simulacro, os sistemas de segurança dos HUC. A avaliar pelas declarações finais dos responsáveis, parece tudo ter corrido de forma perfeita. O que poderá não acontecer, receamo-lo, se, para além da excelência do pessoal e da boa qualidade do equipamento já disponível, os bombeiros tivessem de combater o "incêndio" não no quinto, mas no décimo segundo piso...
A Quinta das Lágrimas apresentou a sua nova carta para os tempos quentes que se aproximam, uma cuidada e saborosa ementa, muito na linha do Chefe Albano – particularmente bons o rodovalho com molho de verdelho da Madeira e as cerejas do Fundão com gelado de canela –, bem acolitada por vinhos da (também nossa) Ideal Drinks, aqui com particular destaque para um Colinas tinto, reserva de 2008, que, confirmava-nos a sua enóloga Agostinha Marques, vai ainda evoluir em garrafa. Enfim, uma jornada gastronómica sem ostentações de maior, corretamente servida pela equipa do Arcadas, e que, apesar da ausência de Miguel Júdice, poderá querer significar empenhamento na reconquista, que Coimbra e as Beiras apreciariam, da, este ano lamentavelmente perdida, e talvez assim apenas cadente, estrela Michelin...
Embora não haja pessoas insubstituíveis, há algumas que o são mais do que outras, como acontece com Pedro Rocha Santos, fundador e sempre presidente do JAAC, que, dez anos depois, deixa agora o cargo para o seu ex-vice, José Miguel Pereira, outro nome que dá garantias de futuro qualificado a uma instituição que promove, de 30 de maio a 1 de junho, o novo festival Jazz ao Centro, este ano, em programa rico e variado, designadamente com o saxofonista Evan Parker, a garantir, seguramente, belíssimos espetáculos.
O correio normal enviado de Coimbra para Coimbra, imagine-se, vai ter de ir a Lisboa para, depois... aqui regressar! Confuso? Não, apenas – haja quem mo explique – o resultado da transferência para a capital (enquanto não vai para Madrid) de parte dos serviços até agora realizados pelo Centro de Produção e Logística do Centro, em Taveiro. Absolutamente impensável e inadmissível... a não ser no que resta deste país!
Manuel Machado apresentou, oficialmente, a sua (re)candidatura à Câmara; a Académica lá garantiu – sempre o mesmo sofrimento, que nem a habituação cauteriza –, na penúltima jornada, a permanência na Liga de futebol; a rotunda do Almegue, junto à Escola Agrícola (acho bem porquanto, mais do que uma dificuldade, é um perigo abordá-la), vai ser semaforizada; e o Estado, antes tarde do que nunca, quer classificar como de interesse nacional o conjunto – onde é que nós já ouvimos falar dele? – Universidade, Alta e Sofia...
António Cabral de Oliveira

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A 11 de maio ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR

O Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, legitimando o seu valor excecional universal, deu (indispensável) parecer favorável à classificação da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia como Património Mundial. Enquanto aguardamos, já em junho, a decisão da UNESCO, talvez fosse importante concretizar uma ideia de Carlos Fortuna que aponta para se instalar, nas tardes de sábado, no próximo mês, exatamente naquela que foi, num tempo, a rua mais larga da Europa – naturalmente fechada ao trânsito –, uma exposição do projeto, fundamental para a cidade e para a região – como bem reconhecia Fernando Ruas, em Viseu –, por forma a que a população e quem nos visita melhor entendam, por fim, o porquê, os propósitos e o alcance da candidatura.

Entretanto, a propósito da Universidade, preocupante, absolutamente preocupante a exclusão de Portugal, por parte do governo brasileiro, do programa de bolsas no estrangeiro para estudantes, também (e sobretudo para nós) aqueles, tantos, que escolhiam Coimbra para prosseguirem estudos. Vamos ver a força dos ministérios da Educação e dos Negócios Estrangeiros, ainda a capacidade do Grupo Coimbra de universidades do país "irmão".

A serenata na Sé Velha, também pela sua dimensão, continua a ser, do meu ponto de vista, manifestação impressionante, essencialmente pelo muito que significa quando lembramos a recuperação das tradições académicas. Que tiveram, agora, de novo, momentos altos com a realização da Queima das Fitas, festa dos estudantes que a cidade vive, ainda e sempre, como património seu. E sobre a qual a imprensa dita nacional ou não fala – do mal o menos –, ou continua a sublinhar, quase exclusivamente, um desaforo, o número de estudantes ébrios transportados (e não se pode, atendida a não urgência das situações, proibir o uso das sirenes nas ambulâncias?) aos hospitais.

Fui, um dia destes, à Lápis de Memórias participar no lançamento do livro "Ser Cristão? Porquê, Para quê", de José Veiga Torres, bela edição desde logo para ver e manusear, uma obra de leitura necessariamente exigente e demorada. Contrariando o sentido habitual, aquela livraria independente tornou à baixa, para, deixando a Solum, se instalar na Fernão de Magalhães, e aí exercer a excelente atividade que a individualiza. Mas este regresso ao, chamemos-lhe assim, centro da cidade, jamais me fará esquecer – obrigado Adelino Castro –, o derradeiro e delicioso encontro com Manuel António Pina, antigo camarada das lides jornalísticas, que mantive, ali, na Elísio de Moura.

Voltei às margens do Mondego, agora para ver, ambiente e espetáculo magníficos, as regatas da Queima das Fitas, as maiores de sempre, com as suas mais de quinhentas tripulações. Que desperdício – não naquele dia, evidentemente – dos benefícios com que a natureza (e o trabalho do homem) dotou Coimbra…

Leio, a propósito da degradação do património nacional, que a Região das Beiras é a mais carenciada em termos de recuperação. E é quase infinda (perdoe-se o algum exagero) a lista de monumentos, designadamente em Coimbra, a necessitarem de regeneração urgente. Quadro que me deixa muito apreensivo, sobretudo quando Celeste Amaro, diretora regional de Cultura do Centro, afirma, sem rebuço, que, afinal já amanhã, "mais uma dúzia de anos sem reabilitação adequada e o património cai". Valha-nos Deus!

Curiosíssima – e, também, a acreditar nas expressões, muito divertida – a Color Run que levou às margens do rio, excelente, mais de treze mil participantes; o colégio de São Teotónio está a celebrar, parabéns, o seu 50º aniversário; os CTT, que entretanto desmentiram, preparam-se (as informações que não a mas o Cidade tem!) para deixar abertas em Coimbra, seria a demência absoluta, apenas três estações de correio; e está aí, até ao fim do mês, em Santo António dos Olivais (tenho de lá ir um dia destes comer uma primeira sardinha assada), a romaria do Espírito Santo.
 
António Cabral de Oliveira

A 4 de maio ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR

Portugal – e é inacreditável o número de incêndios registados esta semana, na região, logo no primeiro dia de algum calor ou, em boa verdade, de menos frio – é, segundo a FAO, o país do mediterrâneo que mais ardeu na última década, com quase 345 mil hectares queimados. Entretanto, depois de mais de 100 mil fogos e tanta floresta destruída, cabe perguntar aos serviços competentes (?), em vésperas de mais um estio, quanta dessa área, desde logo na nossa Beira, foi já reflorestada ou, minimamente, teve tratada a recuperação natural do coberto verde.

Monsenhor João Evangelista, que sempre olharemos como o primeiro guardião da Sé Velha, de que é Pároco, desistiu da sua luta pela união das duas igrejas, a Nova e a Velha, na dignidade catedralícia que considera viável e justa. Agora, depois de tantos anos, vem, em artigo de opinião, para que não percamos todos, como sublinha, reconhecer-se vencido. Pela convicção e persistência com que sempre defendeu o seu sonho, ainda pelo meu convencimento da equidade da sua postura, a expressão de inteira consideração e respeito.

Leio que a Câmara Municipal abriu concurso para (re)instalação de um posto de combustíveis na avenida da Lousã. O que me deixa surpreso porquanto, decerto confusão minha, a ideia era retirar dali aquele equipamento para se cumprir, plenamente, o projeto do parque verde. Mas a minha perplexidade no que respeita a bombas de gasolina não se queda por aqui já que, julgava eu, a instalada na praça Mota Pinto, junto à entrada dos HUC, era para ser deslocada para o cruzamento da Gouveia Monteiro com a Costa Simões e, afinal, depois de obras, apenas mudou de... concessionário. Enfim, mistérios que talvez alguém nos possa e queira esclarecer.

Para celebrar o dia da dança fui – mas, tamanho o despautério, nem quero que se saiba – assistir a um arremedo de qualquer coisa, que não sei sequer definir, ao (necessariamente também responsabilizável) Teatro Académico de Gil Vicente. E foi pena porquanto, se nos queixamos da pouca oferta proporcionada, trazer espetáculos (?!) destes só prejudica uma arte, de facto excelente, que, para além de todos os experimentalismos – e há tantos tão aprazíveis –, tem de ser, em substância, respeitada. O que, ali – aquilo, a meu ver, em termos de dança, é nada –, de todo, não aconteceu. Mas, enfim, pode ser que nos valha a programação, até ao dia 12, do Ano do Brasil em Portugal.

O café Santa Cruz, agora a celebrar o seu 90º aniversário, comemora no próximo dia 7, nomeadamente com a reposição do jantar inaugurador, uma efeméride (lembro Alexandre Marques) que importa sublinhar não só pela longevidade alcançada, seguramente também pela extraordinária atividade social e cultural que a histórica e lindíssima sala – inquestionavelmente uma das mais belas do país – nos vem proporcionando. E até daqui a dez anos...

Varela Pécurto, como se não lhe bastassem os excelentes serviços prestados a Coimbra enquanto correspondente da RTP e, sobretudo, repórter fotográfico – quantas vezes me (nos) valeu nas nossas vidas jornalísticas – doou, agora ao município de Condeixa-a-Nova, à semelhança do que vem acontecendo com outras autarquias, uma coleção de fotografias, ali obtidas, de sua autoria. Um espólio, com certeza magnífico, que fica a registar, assim desconcentradamente, a história e a memória da região.

José Cunha-Vaz, parabéns, foi distinguido com o Prémio Bial de Medicina Clínica pelos seus trabalhos em retinopatia diabética; na antiga sede da ACIC, de saudosa memória, para o que havíamos de estar guardados, quer-se instalar, imagine-se, um business center; o Portugal dos Pequenitos é, relevante, um dos roteiros que a Google disponibiliza no Street View; e Gal Costa, ótimo, estará entre nós para um espetáculo no dia 6 de julho, incluído nas Festas da Cidade, assim voltando Coimbra a integrar, justamente, o circuito nacional de digressões europeias.

Está aí a Queima das Fitas, festa maior – seguramente marcante para muitos, no melhor tempo das suas vidas – dos estudantes da velha academia. De que se espera consigam, amanhã, pelo menos, bem recordar-se...

António Cabral de Oliveira

A 27 de abril ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR
O secretário de Estado da tutela, em visita pela região, escolheu a deslocação a Coimbra para considerar o turismo da saúde como um dos produtos estratégicos na política governamental para o setor. É provavelmente por causa desse intento – e prioridade – do Terreiro do Paço que o presidente da câmara ficou preocupado com o que viu (ou melhor, um deserto absoluto, não viu) quando num destes sábados esteve no hospital "fantasma" dos Covões. Em razão do que levou, mesmo, à reunião do executivo autárquico, a certeza da não aceitação, para além do encerramento noturno das urgências, do seu fecho, também, aos fins de semana.
 
Jaime Soares, sabe-se, é capaz, sempre naturalmente, do melhor e do pior. Depois de ter sido o único, com discernimento suficiente, a exigir quatro faixas aquando da construção nova ponte da Portela, vem, agora, a propósito das limitações que implica, não menos naturalmente, o seu alargamento, levantar público protesto e disponibilizar maquinaria da câmara de Poiares para retirar da EN 17 tudo o que a está a estrangular. Isto enquanto, porventura já imbuído, nas suas altas responsabilidades sportinguistas, pelo espírito das águas do Tejo, não se eximia, escusada, a mais uma bicada na... má vizinha Coimbra.
 
A Escola Superior Agrária (originariamente a estrutura destinar-se-ia a coudelaria nacional) encerrou as comemorações do seu 125 aniversário com um regresso, ano da sua fundação, a 1887 (esteve realmente magnífica a feira à moda antiga), quando era, então, Escola Prática Central de Agricultura. Eis, pois, uma belíssima forma de, lavrando úberes chãos do passado, lançar à terra sementes de presente, para se colherem primícias de futuro, enfim, se olharem, bem, os desafios de amanhã.

A programação, em Coimbra, do Ano Brasil em Portugal, que hoje se inicia, para se prolongar até 9 de junho, inclui, em diversos espaços da cidade, manifestações de teatro, música e dança. Oportunidade, ampla e seguramente de qualidade, para, na língua comum, em conjunto com a vasta comunidade de estudantes que escolheram a nossa universidade para concluírem os seus cursos, apreciarmos um pouco da cultura que, na circunstância, o país irmão agora nos traz.

Não faço, nem sei se um dia virei a fazer, a mais pequena ideia da forma como funciona o novo serviço, disponibilizado experimentalmente, que permite o pagamento do estacionamento por telemóvel. Mas, se contribuir para a qualidade de vida dos cidadãos, sobretudo se ajudar a acabar com os "arrumadores" que enxameiam tudo o que é praça ou largo de Coimbra (em que se ocupa a Polícia Municipal?), então vou aprender rapidamente, gritar um viva à nova utilidade do aparelho.

Pintaram, finalmente, a sinalização horizontal na Rua do Brasil, entre a Nunes Pereira e o Alto de S. João. Pena não terem deixado apenas o traço contínuo (melhor seria dois, e a amarelo) por forma aos automobilistas bem entenderem uma desejável obrigatoriedade de circulação entre as atuais três rotundas. E, já agora, com tantas exceções e autorização de cortes, mais-valia, afinal, terem optado pelo tracejado: sempre poupavam na tinta...

A câmara municipal, foi pelo menos anunciado, fechou as contas de 2012 – que ótimo, pode ser que assim comece a tapar os buracos, a recuperar os tantos e tão degradados pisos da cidade – com um saldo positivo de mais de cinco milhões de euros; pilotos que voaram para aeródromo Bissaya Barreto consideraram-no (imagine-se o que não diriam se estivessem já instalados equipamentos indispensáveis e prolongada a pista) um dos melhores do país; os Transportes Urbanos de Coimbra, e com certeza não foi por os médicos nos aconselharem a andar a pé, transportaram menos 1,5 milhões de passageiros; e jovens do Rotaract Clube, um exemplo, limparam, civilizadamente, pichagens com que alguns – há quem as considere, imagine-se, valores culturais (?) e manifestação de liberdade política (!) – vandalizam espaços públicos...
 
António Cabral de Oliveira

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A 20 de abril ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR    

Coimbra tem o pior, o mais degradado parque habitacional da Região Centro, diz o INE. O que se percebe, atendida a sua maior dimensão. Mas o instituto das estatísticas releva, ainda – mau grado o algum esforço municipal que vemos em parte da Alta da cidade, nomeadamente na antiga Rua das Fangas – uma fraca taxa de reabilitação. E essa incapacidade, essa falta de investimento é que, de todo, já não se compreende...

Entre 31 de maio e 7 de junho Coimbra vai ser – logo a designação irrita – "Capital" Jovem da Segurança Rodoviária. Sete dias?! Mas a preocupação não deveria ser permanente e alargada a todo o país? Sobra-nos, enfim, a pintura do trólei, que ficou apelativa, e a esperança de um dia o município, sobretudo o (também agora) seu parceiro ACP, alcançarem concretizar, no Bolão, a Aldeia do Mundo Automóvel, promessa antiga de Carlos Barbosa que, prolongando a visita ao Portugal dos Pequenitos, permitiria, a nível nacional, a criação de um outro campo de fantasia para os mais novos, onde, a brincar, por entre figuras de bombeiros e polícias, aprendam, afinal, a bem conduzir, a bem cuidar da prevenção. E então teremos, efetivamente, em Coimbra, segurança rodoviária.

Em reunião com autarcas da CIM do Baixo Mondego, a REFER terá admitido a reabertura do ramal ferroviário Figueira-Pampilhosa. Admitido?! Que fique bem claro, em nome do desenvolvimento sustentado da região e do país, que a linha não pode, tem de ser reativada.

Coimbra apela ao Presidente da República para não promulgar a proposta de Decreto que congrega em quatro os atuais 18 sistemas municipais do setor das águas. No estertor final de um processo impensável, a autarquia procura – não acredito que com um mínimo de êxito – evitar mais uma imposição, nova prepotência do central sobre o poder local, que, sem grande controvérsia, fomos, com imensas culpas para o municipalismo, deixando degradar, lamentável e absolutamente, na sua autonomia e dignidade.

A candidatura da Universidade da Coimbra a Património Mundial da Humanidade mostra-se, depois dos aeroportos, numa rede de (no nosso país, não podia deixar de ser!) centros comerciais. Quando pouco mais poderemos fazer, sobretudo em termos de divulgação internacional – junho é já amanhã –, valha-nos, enfim, substantivamente, a efetiva valia dos conteúdos edificados e imateriais do projeto.

Cirurgia pioneira no campo da transplantação renal – parabéns Alfredo Mota – reitera a (ainda) excelência da medicina de Coimbra; a criação de um corredor da alta tecnologia entre Aveiro, Coimbra, Cantanhede e Covilhã (julgo que de norte para sul, do litoral para o interior) foi proposta em conferência do "Expresso" que decorreu na urbe da ria, um projeto que, indo ao encontro das fusões universitárias que o futuro nos parece reservar, reinsere na Região Centro terras que, com tanto receio de influências do Mondego, se deixaram enlaçar pelo Douro; e estão esgotadas as três edições que contratualmente trouxeram a Coimbra a final da Taça da Liga, esperando a cidade – também pelas suas excelentes condições geográficas e em equipamentos – que aquela festa do futebol por aqui se mantenha.

A revista "C" regressou esta semana, com uma periodicidade mensal – sei bem, António Abrantes, um abraço, das dificuldades que afetam a imprensa – que nos poderá levar a pensar, tamanho o espaço temporal entre edições, estarmos perante um título novo sempre que a virmos nos escaparates; e a repartição de finanças da Ladeira do Batista foi assaltada, em prova provada de que os nossos ladrões, bem informados, sabem quem nos leva o dinheiro...

António Cabral de Oliveira