segunda-feira, 15 de abril de 2013

A 23 de março ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR
Cidadão enorme na sua imensa estatura cultural e de erudição, também inigualável em capacidade de bem-fazer, Aníbal Pinto de Castro foi homenageado pela Câmara Municipal de Coimbra, Universidade, Santa Casa da Misericórdia, Confraria da Rainha Santa e Casa da Infância Elísio de Moura com a inauguração de um busto que fica a perpetuar, no Claustro do Colégio da Sapiência, a memória de uma vida, riquíssima, de professor e humanista. E a comunidade, reconhecida, revê-se e associa-se, por inteiro, a um muito, muito justo preito.
Quando o Exército se propõe vender (parte) do antigo Quartel-general da ex-Região Militar do Centro, talvez esta seja a oportunidade para ali se instalar – até pelo significado do local, o primeira a deixar-nos – um museu de memórias dos tantos serviços descentralizados do Estado que entretanto Coimbra perdeu. Enquanto isso, o ministério da Economia diz-se empenhado num plano sustentado de relançamento da construção e imobiliário que, evidentemente com verbas do QREN, se ancora na reabilitação urbana. A ver vamos se é desta que a SRU coimbrã consegue, por fim, concretizar o seu primeiro projeto…
Tem tanto de curioso quanto de vasto o pertinente “Mal Dito, Festival de Poesia”, iniciativa que, até amanhã, tem feito, nesta sua primeira edição, brotar versos em cada esquina da cidade. E que bem nos tem sabido ouvir dizer alguns dos nossos poetas, ver outros assinalados em muro recordatório, olhar comboios ou pombos correio que levam poemas consigo, percorrer feira do livro que lhes é dedicada, enfim, participar, na “Lápis de Memória”, a fundamental “Tributo à Poesia”. O meu, o de quase todos nós…
Por entre chuva e temperaturas baixas – para não dizermos frio –, chegou, tristonha, a primavera. Para além de simbólica plantação de árvores na Sereia, válida iniciativa da municipalidade, valha-nos, se tanto for o caso para nos aquecer a alma, a noticiada vinda, dentro de um ano – aprofundaremos, entretanto, em que condições – de uma, garantem, absolutamente magnífica coleção de 10 mil orquídeas para o Jardim Botânico (cedência por 30 anos, por parte de dois jardineiro/colecionadores finlandeses que passam a residir na cidade) e que fará com que aquele excelente espaço verde fique dotado com um dos maiores orquidários da europa. Só nos fica a faltar, e estou a lembrar-me do de Miguel Albuquerque, na Madeira, um jardim, nesta cidade, vá lá saber-se porquê, exclusivamente dedicado às rosas…
Cumprindo, afinal, antiga tradição e desiderato moderno, a Universidade de Coimbra – que, muito bem, tem já a funcionar, no antigo espaço dos CTT, a Casa da Lusofonia – é, com cerca de dois mil alunos, a preferida dos estudantes brasileiros quando se propõem estudar fora do seu país. Entretanto, o embaixador da China, também significativo e relevante, veio até nós elogiar as Escolas.
Para o jornal britânico “The Guardian”, aí está uma notícia que nos importa, o “Fado ao Centro” é, em Coimbra, um dos quinze locais a visitar em Portugal. A jornalista Joanne O’Connor, porventura enternecida pelas serenatas que os estudantes faziam às suas amadas – só no passado? – nota viver-se ali, no Quebra-Costas, acentuada pela tradição própria da cidade, quando comparada com Lisboa, uma experiência bem mais intimista e autêntica.

O Centro de Cirurgia Cardiotorácica do CHUC – considerado o melhor serviço do país, assim contribuindo, decisivamente, para a excelência da medicina em Coimbra, está a celebrar, parabéns Manuel Antunes, 25 anos de atividade. A ESEC-TV, mais nova, comemorou o décimo aniversário – o prazer com que semanalmente a encontro, na RTP 2, às quartas-feiras –, efeméride que serve para, em abraço ao Francisco Amaral, felicitar toda a sua jovem equipa. Fazer dela a televisão de Coimbra? E porque não?
António Cabral de Oliveira
 

sábado, 13 de abril de 2013



Olá PL´s!!

Tenho um novo desafio pela frente, um programa de uma rádio recente de cá sobre nutrição!
Ando a pensar em nomes mas ainda não cheguei a nenhuma decisão, pelo que, a sugestão da prima Joana, vinha pedir-vos se tivessem alguma ideia, estou aberta a sugestões :)

Tenho que enviar o nome até esta 2ª feira, 15 de Abril!!
Obrigada desde já e continuação de Excelente Fim de Semana!!:)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

«Comer como gente grande»

A nossa dietista PL, no passado dia 7 de Abril, deu uma entrevista ao DI (Diário Insular) e eu aproveito para a disponibilizar por aqui para todos verem. :)

Parabéns prima!!


Comer como gente grande
 CATARINA PEDROSO DE LIMA

É dietista por vocação e não se imagina a fazer outra coisa. Catarina Pedroso
Lima desenvolve, na Terceira, um trabalho de nutricoaching, que vê na
motivação a sua base de sucesso. A dietista falou a DI sobre nutrição infantil e
lembra que a boa alimentação dos mais novos pode mesmo ser associada a
melhores níveis de rendimento escolar.


Nas suas consultas de nutrição tem vindo a desenvolver um trabalho de nutricoaching. O que é que este conceito implica?
 
Tirei um curso de especialização nessa área.
Trata-se de uma vertente do coaching que me despertou interesse. Desde que terminei o curso, tenho vindo a dar consultas de nutrição e a motivação é sempre o grande problema. A desistência das consultas de nutrição, por exemplo, continua a persistir. Através de uma pesquisa, deparei-me com o conceito de "nutricoaching" que passa pela transformação da consulta de nutrição, insistindo na motivação através de exercícios. Na consulta de nutrição, estamos mais formatados para dizer às pessoas aquilo que elas têm de fazer, o que têm de comer; ali há um trabalho de parceria. O utente e o profissional, em conjunto, encontram as soluções para o problema. A abordagem nas sessões de nutricoaching é mais voltada para a vertente psicológica e motivacional, e não tanto para as questões nutricionais e de dietoterapia.


E como é que funcionam estes exercícios de motivação? Quais são as suas dicas?

Em primeiro lugar, quando se vai a uma consulta de nutrição é mesmo preciso querer fazê-lo. Não funciona só porque a família o ou amigo o aconselham. O nutricoaching passa por fazer a pessoa perceber porque é que a dieta ou o plano alimentar - isto é, a mudança - é realmente importante para ela e o que é que pode ganhar com isso. Nas consultas de nutrição também se faz esse trabalho: é mais virado para a informação e o trabalho no psicológico é inerente a essa transmissão de conhecimentos. Mas é muito importante fazer, acima de tudo, com que a pessoa tome consciência da relevância dessa nova dieta: se se sente feliz e o que pode ganhar com a nova mudança. Deve atuar-se ao nível da causa e não da consequência, porque pode acontecer que as pessoas voltem a ter os mesmos problemas. Sucede muito, aliás, termos pessoas que nos dizem ter seguido um plano alimentar durante algum tempo e que, depois, voltam ao que eram antes.
Ou seja, o que despoleta o problema (podem ser motivos emocionais, por exemplo) mantém-se.


Trata-se de uma prática recorrente nos Açores?


Que eu tenha conhecimento não, até porque se trata de um conceito bastante recente. Ao nível nacional, já começa a haver e há até um
site na internet que apresenta uma rede com estes profissionais. A mentora deste projeto, a nutricionista Joana Costa, tem vindo a trabalhar no sentido de incluir este tipo de abordagem nas licenciaturas de nutrição.


Esse trabalho também pode ser desenvolvido com crianças?

 
Não vejo qualquer impedimento, embora tenha trabalhado este conceito na vertente dos adultos.
Do que entende pela sua experiência profissional, o excesso de peso e a obesidade na infância são problemas relevantes nos Açores?
Os Açores são das zonas do país com taxas mais elevadas de obesidade infantil. Penso que as pessoas ainda estão pouco consciencializadas para a questão e ainda há muito a ideia de que a criança tem de comer muito, pois está a crescer e, às vezes, alimentos que não lhe fazem tão bem. As crianças "cheiinhas" ainda são vistas como as crianças com saúde, com bom aspeto. Sem dúvida que a infância é a altura chave para começarmos a incutir hábitos. Depois de adultos, depois desses hábitos já estarem enraizados - e isso vê-se nas consultas de nutrição - é muito mais difícil alterar rotinas e práticas. A cura, mais uma vez, está na prevenção.


Quais são, na sua opinião, os maiores erros que se cometem na alimentação dos mais novos?


Um dos maiores erros tem que ver com o pequeno-almoço. Ainda há muitas crianças que vão para a escola sem tomar esta refeição. Há estudos científicos que indicam que o pequeno-almoço está relacionado com o rendimento escolar: sabe-se que uma boa alimentação, uma boa nutrição, está associada aos níveis de rendimento escolar superiores. E isso ainda acontece muito: ou não tomam o pequeno-almoço ou levam para a escola aqueles snacks mais calóricos. Nas próprias escolas, já se vai tentando fazer um trabalho mais aprofundado de sensibilização, mas tem de ser um trabalho de parceria entre os pais, os estabelecimentos escolares, os dietistas e os nutricionistas. É uma
tarefa que ainda falta fazer no terreno.


Na maioria das escolas da Região ainda não existe um programa fixo que aborde as questões da nutrição. Como é que vê esta questão?


Nas escolas do arquipélago, fazem-se atividades pontuais nos dias mais lembrados, mas isso só é eficaz se for feito de forma contínua. A culinária saudável, por exemplo, é uma boa atividade. As crianças são muito recetivas, uma vez que se trata de uma atividade que implica criatividade e diversão. Há aqueles alimentos que os mais novos às vezes rejeitam, como é o caso dos legumes e da fruta. Pôr mais cor e animação no prato e pô-las a participar nesse processo é bastante benéfico. Os adultos já têm vícios e hábitos, as crianças estão na fase da aprendizagem. O caso da reciclagem é um exemplo disso. Além disso, para aprender tem que haver prazer.


O que é que está a falhar, nos Açores, para termos dados tão preocupantes no que diz respeito à obesidade infantil? Por que é que prevenção nas escolas ainda não é uma aposta clara?

É inevitável falar dos constrangimentos económicos. Há falta de apoios e nas escolas há falta de profissionais na área da nutrição. Para fazer um trabalho como deve ser, para que haja o acompanhamento devido, faz todo o sentido contar com mais especialistas na área, até para que se possam realizar atividades com mais frequência, até integradas nos
planos curriculares das escolas. Existem países na Europa que incluem aulas de culinária saudável nos seus planos curriculares.


Um dos mitos que ainda persistem no que diz respeito à obesidade infantil tem que ver com a ideia de que o problema acaba por passar com a idade, o que não é verdade.


Exato. As pessoas pensam que os problemas de obesidade acabam por passar à medida que se vai crescendo, o que não é verdade. Aliás, é na infância que se formam as células adiposas, as células que contêm gordura. Daí, ser uma fase tão determinante.


Que problemas podem, depois, perdurar na vida adulta?

 
Muitos: diabetes, hipertensão arterial e outras patologias cardiovasculares, até mesmo doenças oncológicas e do foro psicológico (falta de autoestima...) A obesidade e o excesso de peso arrastam muitas consequências.


Em termos de dieta, o que é que deve ser tido em conta ao longo das várias fases da vida? Há alimentos mais recomendados que outros em determinadas faixas etárias?

 
A roda dos alimentos é sempre uma referência, mas é óbvio que, consoante as faixas etárias, as necessidades nutricionais são diferentes.
A verdade é que é preciso comer um bocadinho de tudo. Não há alimentos proibidos: o segredo é variar, comer um pouco de tudo nas porções certas. Claro que os legumes, as frutas, os cereais integrais - depois a carne e o peixe - são aqueles que devemos comer em maior quantidade.


Quais são os grandes problemas da gastronomia açoriana - que parecem, aliás, estar associados aos números elevados de doenças como as cardiovasculares?

O grande problema na dieta tradicional dos Açores tem a ver com as gorduras, os açúcares... A parte festiva do arquipélago está sempre associada à comida e, realmente, temos uma gastronomia riquíssima, mas que também tem esses desequilíbrios.


Na sua opinião, a falta de dinheiro está associada ao comer pior?
Ainda existe o mito de que a alimentação saudável, ou que "fazer dieta" é caro. A verdade é que os alimentos de que precisamos mais - e que não são propriamente a carne, nem o peixe, mas os legumes, a fruta, os cereais, as leguminosas, sendo estas últimas muitas vezes esquecidas e muito ricos do ponto de vista proteico e mineral - não são assim tão caros. Muitas vezes os snacks, as bolachas ou os chocolates acabam por ser mais caros. É um mito que persiste.


Por outro lado, sente que as pessoas estão mais sensibilizadas para a necessidade de se alimentarem de forma saudável?
Nota-se uma certa evolução nesse sentido. Na teoria, as pessoas começam a ter mais noções, mas falta chegar à prática, ao incutir ideias.
Falta muita consciencialização e falta essa atuação desde as ideias mais baixas. Tenho tentado apostar nesse sentido, até porque as crianças são um público com que gosto especialmente de trabalhar. Penso que faz todo o sentido: elas são a esperança, são os seres em transformação em quem se pode apostar com mais eficácia. Já colaborei com algumas creches e jardins-de-infância. Na área da culinária, já trabalhei com ateliês de tempos livres e os miúdos gostam porque estão muito envolvidos na aprendizagem.
 

Hoje existe cada vez mais facilidade no acesso à informação, o que faz com que as pessoas façam - ou pensem que fazem - as suas próprias dietas. Acha que o trabalho dos dietistas e dos nutricionistas pode decrescer de importância?

É verdade e pode ser um pouco perigoso. Por causa disso mesmo, acabei por desenvolver uma página no Facebook com o objetivo de partilhar e transmitir o máximo de conhecimento às pessoas. Também disponibilizo alguns serviços para tentar evitar esses problemas.
Tenho tido boa receptividade e as pessoas colocam as suas dúvidas.


ENTREVISTA ORIANA BARCELOS
FOTOGRAFIA ANTÓNIO ARAÚJO


(in www. diarioinsular.com/)

quinta-feira, 21 de março de 2013

A 16 de março ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR
A taxa de abandono escolar no 3º. Ciclo do ensino básico, de acordo com o “Atlas da Educação”, diminuiu significativamente nos últimos anos, deslocando-se os piores resultados, com certeza também significativamente – e para nós, beirões, de forma muito preocupante – do Norte para o Centro e interior do país. Para além de todas as leituras possíveis, desde o fim do trabalho infantil ditado pela atual crise às rotas de circulação de minorias étnicas na zona da raiana, a nova radiografia de David Justino não deixa de evidenciar, enfim, a importância de se estar mais próximo do Porto (e, naturalmente, de Lisboa), as “metrópoles” que, erradamente, merecem, mais esta do que aquela, a particular atenção da administração central.
Rui Vilar, quem mais havia de ser, é o novo presidente do Conselho Geral da Universidade de Coimbra. O anterior líder da Fundação Calouste Gulbenkian foi, obviamente, o escolhido pelos seus pares de entre as dez personalidades externas, sumidades cuja participação naquele órgão, tenho para mim, pela capacidade interventiva legalmente prevista, compromete o natural funcionamento democrático de governação das Escolas.
O governo, em prova provada da sua enorme capacidade de gestão e de coerência executiva, acaba de anunciar que, afinal, já não vai suspender a Fundação Cultural da Universidade de Coimbra e a do Museu da Ciência. Entretanto, a Fundação CEFA – a manutenção do Centro de Estudos e Formação Autárquica terá sido a grande, talvez mesmo única intervenção decisiva do ex-secretário de estado da Administração Local, Paulo Júlio, em favor de Coimbra – é transferida, do mal o menos, para a ANMP, também aqui sediada.
É indesmentível a minha enorme simpatia pelo comércio da baixa coimbrã – mas não, infelizmente, pela maioria dos seus agentes – que resulta, sobretudo, das características, únicas, que lhe são próprias, e do seu enquadramento urbano. A APBC, que, amiúde, se tem empenhado na revitalização daquele magnífico espaço, propõe-nos, agora, na próxima semana, a primeira das férias de Páscoa, a realização de um conjunto de atividades para os mais novos, dos 6 aos 12 anos (dança, fotografia, música, culinária, teatro), assim querendo bem entreter os filhos enquanto os pais ali mercam. Já e ainda sem gente pequena para cuidar, não deixarei, contudo, dando largas ao algum prazer (que poderia ser imenso) que retiro quando lá me desloco, de provar, ideia curiosíssima, uma das muitas miniaturas de folar que serão disponibilizadas por mais de cem estabelecimentos. Boas compras…
As associações comerciais e industriais de Coimbra, Figueira da Foz, Mealhada e Cantanhede assinaram um memorando de constituição do Conselho Empresarial da Região de Coimbra, entidade de que, sob a égide do CEC, se espera natural contributo para o nosso desenvolvimento económico. Seguir-se-ão, dizem, os de Viseu, Aveiro, Beira Interior, Serra da Estrela, Leiria, Oeste e Tejo-Castelo Branco, sempre no quadro territorial das novas Comunidades Intermunicipais. Queira Deus é que com tanto reforço destas não se perca, ainda mais, a ótica regional das Beiras.
Uma luzida embaixada de forças vivas da cidade (custam a deixar estes velhos hábitos…) deslocou-se a Lisboa, ao Palácio de Belém, para, entre vénias e sorrisos – quando o que interessa, mesmo, é garantir o comprometimento do governo na inteira renovação do estádio universitário de Coimbra – assegurar sempre bem-vindo “alto patrocínio”; estão a decorrer, no canal do Metro, na Baixa, escavações arqueológicas, que, de todo, não compreendo, porquanto, afinal, as obras daquele fundamental meio de mobilidade urbana, antigas embora, tiveram início há apenas…uma vintena de anos; ainda a propósito de Fundações, a extinção daquela que protegia a Mata do Buçaco é um verdadeiro crime a exigir de todos nós, cidadãos, um maior empenhamento na defesa e valorização de tão valioso património; e, amanhã, não se esqueçam – lá irei, com certeza – realiza-se no Largo de S. João, no Bairro de Celas, ali bem perto dos HUC, a tradicional Feira dos Lázaros.
António Cabral de Oliveira

A 9 de março ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR
Está aí, pujante, plena de diversificadas atividades – que incluem, sem ser exaustivo, música, teatro, dança, exposições, cinema, desporto, literatura, fotografia, tertúlias – a XV Semana Cultural da Universidade de Coimbra, conjunto magnífico que, este ano sob o mote “Ser de Água”, se estende, ao longo de dois meses, até 1 de maio próximo. E perante tal e tanta programação (guardem e sigam o suplemento gráfico profusamente distribuído), só nos resta escolher e participar. Também aqueles que persistem em dizer que em termos de cultura não acontece nada de relevante na cidade, ou, então, dela não têm notícia. Da minha parte, singela colaboração esta, considerem-se, pois, informados…

Com ou sem pedido de demissão, as notícias veiculadas sobre o diretor do Hospital Pediátrico de Coimbra não significam outra coisa senão a existência, naquela unidade de saúde de referência, de problemas que alguns querem negar, outros pretendem aprofundar. Perspetivas, ambas sempre lamentáveis quando olhamos os verdadeiros interesses da comunidade!

Sinal evidentíssimo das carências económicas provocadas pela crise que parece nunca mais ter fim – mas ainda da relevância do cada vez mais delapidado poder local, que não me canso de enaltecer –, a Câmara Municipal criou, também ela, agora para aquisição de medicamentos, um mecanismo de apoio a cidadãos em dificuldades inesperadas.

Li um anúncio/edital onde se dá conta do processo de expropriação de terrenos para a segunda fase do Parque Tecnológico. Acho bem. Mas achava melhor que se apressassem, quem de direito, em ter o atual, vasto e tão deserto espaço, completo de unidades que contribuam para garantir desenvolvimento e futuro a Coimbra.

Depois das críticas, a saudação devida pela posição assumida pelo Conselho de Veteranos quando deliberou um conjunto de alterações ao Código da Praxe que procuram, em substância, a sua dignificação, a retoma de valores fundamentais de que nunca nos deveríamos ter desviado. Coimbra não é uma qualquer academia, as suas responsabilidades éticas e históricas são imensas, a preservação de costumes de antanho implica posturas e atitudes que têm de afirmar, indispensavelmente, uma forma distinta de estar, de integrar a mais antiga Universidade portuguesa. E, pelo exemplo, que excelente forma, esta, da tradição celebrar os 723 anos dos Estudos Gerais.

Justíssima a atribuição, por unanimidade, da Medalha de Ouro de Mérito Cultural com que a Câmara Municipal quis distinguir a Escola da Noite, companhia que há vinte anos nos vem assegurando, entre outras muitas ações, imensa e qualificada atividade teatral. Para os poucos, que tanto fazem – e permitam um abraço especial para o António Barros – os meus parabéns. E vamos ao teatro…

Confesso que não gosto nada de matemática – duvido mesmo que o problema tenha residido apenas em maus professores! – mas, assinalando o início, esta semana, do Ano Internacional da Matemática no Planeta Terra, quero deixar sublinhado, com alguma inveja nesta minha evidente incapacidade, o enorme contributo, agora cada vez mais e mais necessário, prestado por aquela ciência – o meu respeito –, na efetiva resolução de problemas globais.

Com assinalável dinamismo, a Quinta das Lágrimas trouxe à sua iniciativa “Quintas na Quinta” a figura de José Augusto França, enquanto a Fundação Inês de Castro entregava a Maria do Rosário Pedreira o seu Prémio Literário 2012 e distinguia Almeida Faria com o Tributo de Consagração; muito bem a Expo Clássicos, que reuniu, num dos pisos de estacionamento do Dolce Vita, um curioso conjunto de deliciosas “velharias” auto, máquinas moderníssimas, peças avulsas, e ampla oferta de miniaturas; e uma palavra final de regozijo em relação à posição que a municipalidade vem reiterando para, sem cedências, afirmar ao governo que, cansados de prepotência centralista, na água de Coimbra, nem mais, ainda mandamos nós.
António Cabral de Oliveira

domingo, 10 de março de 2013

A 2 de março ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR
Em nota jubilosa assinada pelo Magnífico Reitor, a UC, envaidecida, dava conta de um aumento de verbas (do QREN) para financiamento europeu de projetos de investigação científica, “sucesso” ali muito saudado mas que, lê-se ainda, “só foi concedido por a Universidade ter desistido de montante equivalente de projetos de construção civil”. Afinal, grande coisa, está tudo esclarecido, tira-se daqui para se transferir (e não obter novo) para ali, assim se alimentando o conjuntural (em boa verdade, salários) em detrimento do estruturante. E lá se vai, corrijam-me se erro, apenas um exemplo, a concretização do grande museu, capaz de, pelo desenvolvimento do turismo, criar bem mais do que os 60 postos de trabalho que se referem. Critérios que, enfim, para a universidade podem conter vantagem, mas que, para a univercidade, são, com certeza, um manifesto prejuízo.
Na sequência de Planos Especiais de Emergência para fogos florestais, para o centro urbano, para vagas de frio, os serviços municipais têm praticamente concluído – parabéns, José Belo –, o de cheias e inundações, instrumento de socorro de fundamental importância sobretudo quando nos lembramos que a própria Casa Municipal de Proteção Civil de Coimbra, o quartel dos Sapadores Bombeiros, centro nevrálgico do sistema, está, ela própria, em leito de cheia…
Depois do Conselho Fiscal da AAC ter proposto, em “Directiva”, a proibição da comunicação social fazer a cobertura jornalística dos trabalhos da última Assembleia Magna – começam bem, estes meninos, em termos de valores da Liberdade –, o máximo órgão da Academia coimbrã não viabilizou, felizmente, tão estapafúrdio propósito. Entretanto, um espanto, agora em termos de participação democrática, as duas posições dominantes em termos de deliberação foram aprovadas por maiorias de, imagine-se, 87 e 83 votos. Significativo, absolutamente significativo…
“As bibliotecas continuam a ser um dos principais critérios de diferenciação das boas universidades”. Sábias palavras, estas, do director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Casa dos Livros que, relevou também, “presta um serviço insubstituível” às Escolas. Queira Deus é que a palavras (tão) sensatas não façam os responsáveis, todos, orelhas moucas!
Investigadores da Universidade e da Escola Superior Agrária de Coimbra desenvolveram um agora premiado dispositivo para detetar precocemente a doença do nemátode, assim alcançando, dois em um, as vantagens da aferição de capacidade científica e de ajuda, porventura fundamental, à preservação do pinheiro bravo, espécie definitivamente ameaçada pela eucaliptização do país; e, a par, por fim, de uma acção nos aeroportos portugueses promovida pela respectiva Comissão, a Candidatura da Universidade de Coimbra a Património da Humanidade é tema central do pavilhão da cidade na Bolsa de Turismo de Lisboa, uma aposta, certíssima, que evidencia (continuo preocupado) como deveria ter sido – e não está ainda a ser – a campanha de promoção e de mediatização de uma iniciativa definitivamente fundamental para as escolas, cidade e região.
Sem querer meter o bedelho onde não sou chamado, constato que Aveiro, que a propósito de tudo e de nada se mostra absolutamente relutante a Coimbra e à Região Centro, continua a acolher-se, candidamente diria, nos braços da capital do Norte, como agora de novo acontece com a assinatura de um acordo da sua Comunidade Intermunicipal com o Porto Canal; por entre a maledicência comum, é gratificante ouvir Filipe Albuquerque falar sobre Coimbra, cidade fantástica onde é maravilhoso viver, diz, e a que retorna sempre, logo após os, agora acrescento eu, repetido êxitos alcançados no automobilismo; e a revista de bordo da TAP trata, com algum desenvolvimento, o tema “Coimbra, a Sábia”, fazendo-o globalmente bem, com promoção da cidade e da região, mas, sobretudo, aguçando a vontade para visita a uma urbe – sem aeroporto, embora – indispensável para se ficar a conhecer o país.
António Cabral de Oliveira

sexta-feira, 1 de março de 2013

A 23 de fevereiro ACO escreveu ...


RIO ACIMA, SEM MOTOR
Um belo documento, uma escorreita carta de intenções, esta a melhor síntese para a apresentação do projeto político a que se propõe – a fazer-me lembrar recente e falhada experiência, outra, na cidade – o Movimento Cidadãos por Coimbra. Perfeitíssimo nos seus desígnios, exigente nos modelos de execução, como seria hoje diferente a vida no município, nos partidos, nas instituições se a maioria de nós quisesse levar as ideias – cidadania, pluralidade, heterogeneidade, cultura, inteligência, equidade, afetividade, transparência, sustentabilidade, memória, ousadia – a todas as partes. Ideias que, afinal, tantos defendemos, embora, está visto, sem suficiente empenhamento, há muito, muito tempo…
Obras na Fernão de Magalhães melhoraram a imagem da Rodoviária, concordo. Mas alguém me diz como e onde posso parar, por instantes que seja, para pegar ou largar passageiros? Ou pretende-se que vamos todos de táxi, único meio de transporte contemplado nas alterações? A força – ou o receio dos responsáveis políticos – de determinados sectores de atividade, designadamente os taxistas, é, de facto, impressionante!
Um dia destes, bem em frente das Matemáticas, um grupo de estudantes, de capa e batina, submetia outros a, julgo, uma qualquer “forma” de praxe (é o quê, aquilo?), obrigando-os a permanecerem de joelhos, curvados sobre si mesmos, e com a cabeça no chão. Perante o gáudio animalesco de uns quantos, assim indignos de usarem o traje da mais antiga academia do país, era vê-los, uma alarvidade, espelho de absoluta indignidade humana, em atitude definitivamente repulsiva mesmo para os mais tradicionalistas, sobretudo aqueles que, nos idos de 80, mas não para estes despautérios, lutámos pelo regresso das tradições académicas. Uma vergonha a que urge pôr cobro.
Por dificuldades na transferência da Faculdade de Desporto para a Silva Gaio – mas, meu Deus, quando o paradigma do governo é fechar e fechar, será assim tão difícil um acordo? – a Câmara Municipal anulou o concurso para construção do arruamento projetado para nascente do velhinho pavilhão do Universitário, voltando a João das Regras a ter, de novo, os dois sentidos de trânsito. Assim se adiando o que antevíamos já (este nosso hábito de ainda sonharmos) como magnífico passeio público no Rossio de Santa Clara. Uma pena…
Seguramente para “celebrar” a chegada próxima da primavera, vai a eito, na Solum, o corte de árvores, algumas vetustas, com certeza ditado por razões de “segurança” de pessoas e bens. Aguardamos, agora, os trabalhos de plantação de novos exemplares que, também com a colaboração dos serviços camarários, os condóminos dos prédios adjacentes irão, não duvido, promover, talvez mesmo, quem sabe, executar, em exemplo de urbana civilidade, com as suas próprias mãos.
A Cimpor reservou-nos, para esta semana, duas notícias, uma boa, a comunicação do encerramento, em breve, da fábrica de cal hidráulica que tem vindo a dilacerar o Cabo Mondego, outra má, o anúncio da dispensa de 150 trabalhadores, designadamente ali, mas também, receio, em Souselas, os mais lançados para a pré-reforma, outros, sempre lamentável, no desemprego; parece que, finalmente – mesmo assim, ver para crer – o rio Mondego vai ser desassoreado da Portela ao açude-ponte; e ferroviários bloquearam, por razões de “esvaziamento de direito”, um alfa pendular na Estação Velha – tivéssemos nós, a comunidade inteira, assumido, tantas vezes quantas as necessárias, tão drástica atitude, e já teríamos hoje, sem questão, aquele apeadeiro iníquo e vergonhoso transformado em estação digna…
Por falta de renovação de contratos com os respetivos médicos, diversas consultas de especialidade foram canceladas no (que resta) do Hospital – ou centro de saúde, o que seja – Militar de Coimbra, em atitude, mais uma vez, que fica a lesar cidadãos desta zona do país; trabalhadores de uma empresa que alegadamente teria contratado com a Refer o levantamento de carris no Ramal Figueira-Pampilhosa foram surpreendidos pela GNR, importando, agora, a ser verdade, que os responsáveis pelo furto recoloquem, no imediato, a via férrea, não vá dar-se o caso da majestática CP querer aproveitar-se do erro, da ilegal situação; e a anterior Diretora Regional de Educação do Centro passou a delegada regional da DREC – seja lá isso o que for – a fazer-me lembrar voz popular que, sucintamente, fala em passar de… Enfim, outras formas de promover a regionalização, a administração de proximidade!
António Cabral de Oliveira